Nascido em Portugal em 1460, Tristão da Cunha era uma figura da nobreza, próximo de D. Manuel, que em 1504 o nomeou vice-rei da Índia. Não seguiu logo para o Oriente por causa de uma doença que lhe trouxe cegueira temporária e assim acabou por ser D. Francisco de Almeida quem se tornou o primeiro governador da Índia designado pela Coroa Portuguesa.
Porém, assim que recuperou, Tristão da Cunha assumiu o comando de uma armada que partiu para a Índia, e foi nessa viagem em 1506 que no Atlântico Sul avistou uma ilha à qual deu o seu nome. Situada a mais de 2000 km de África, mas mais longe ainda da América do Sul, é desde o século XIX administrada pelos britânicos e tem hoje uma população permanente de cerca de 250 pessoas. Oficialmente a ilha continua a ter o nome do descobridor português, por vezes escrito como Tristan da Cunha ou Tristão d’Acunha. Em mapas do século XVI, a ilha vulcânica e outras próximas são referidas como as “ilhas que achou Tristão da Cunha”.
O navegador e militar português distinguiu-se por conquistas na África Oriental e também pela tomada da ilha de Socotora, que hoje pertence ao Iémen, e na Índia também mostrou os seus dotes guerreiros, servindo D. Francisco de Almeida e Afonso de Albuquerque, que era seu primo.
Regressado a Lisboa, o rei nomeou Tristão da Cunha para liderar a faustosa embaixada que em 1514 foi enviada a Roma. D. Manuel I quis impressionar Leão X com as riquezas imperiais de Portugal, e ofereceu mesmo um elefante ao Papa.
Tristão da Cunha morreu em 1540. Está sepultado num convento perto de Alenquer.
O filho Nuno da Cunha foi governador da Índia.
* Jornalista do DN. É doutorado em História e autor do livro ‘Encontros e Encontrões de Portugal no mundo’.





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