The American Experiment

by | Jul 22, 2026 | Peixe do Meu Quintal

 

O berço das democracias modernas está a comemorar as suas duzentas e cinquenta primaveras.

Para nós, Açoreanos, a América diz-nos muito em particular. Mas não somos os únicos. Para todo o Ocidente, os EUA foram e continuam a ser o laboratório político, onde os ideais humanistas encontraram aquelas três palavras simples que mudariam o mundo: WE THE PEOPLE. A bactéria trabalhada numa revolução inspirada pela ideia de que no Povo reside o poder, a vontade e a força de mudar o que quer que seja.

Tudo começa com 13 colónias à beira-mar da Nova Inglaterra. Com os impostos injustos de uma monarquia que só pensava em receber à distância; Com abusos de poder em todos os sentidos por parte de Londres. 

A História até pode repetir-se muitas vezes mas a oportunidade de a corrigir é contínua, com a fórmula encontrada no laboratório revolucionário americano.

Tudo começa a germinar num mundo de mudanças geográficas, com os novos mundos a despertarem as cobiças das potências europeias e o desespero daqueles que foram mandados habitar terras num continente imenso e virgem, mas já habitado há milhares de anos por diferentes civilizações e dispersos grupos indígenas.

Nos anos de 1700s, as guerras entre a França e a Inglaterra assumiram proporções ultramarinas, onde a França perderia uma imensidade de territórios no Novo Mundo como consequência de derrotas na Europa. A Inglaterra assenhorava-se. Estava a caminho de ser o maior império. Até com a Espanha e Portugal ou Holanda, foram alvos do poderio inglês. Era impossível combater tal força. E, no entanto, um punhado de duas dezenas de homens, decidiram que poderiam mudar o rumo dos acontecimentos. Enfrentaram a maior força militar do mundo de então, com o ideal que mudou o mundo. As monarquias eram obsoletas. O rei não era quem devia decidir sobre a vida e morte dos súbditos. A Justiça tinha de ser repartida e não apenas de uma elite. A Liberdade de pensar tinha de ser livre – mesmo quando se tratava de criticar sua majestade. Todo o ser humano nasce livre e igualitário. Ousaram escrever a sua própria Constituição, usando-a como bíblia política. Pela primeira vez na história da humanidade, o povo assumia a sua dignidade, da qual estava despojado havia séculos. Assumia o comando do seu próprio destino e isto era co0mpletamente novo.

Aquele grupo de homens sabia que trilhava um atalho completamente novo para todos. Por isso não havia planos. Havia, isso sim, um ideário: Liberdade.

Esta chama tomou os oceanos de assalto, espalhando-se por todo o lado.

Menos de duas décadas depois, a França, inspirada no exemplo americano de que as monarquias absolutistas eram derrubáveis, revolta-se. A vitória americana provou que as ideias iluministas funcionavam na prática.

O título desta crónica, é o que acompanha um trabalho comemorativo que está a ser transmitido em 5 capítulos pela Netflix. Excecionalmente bem documentado, leva-nos aos anos de 1772 a 1780 e apresenta-nos uma autêntica tese de politologia. Aconselho a todos a dar uma olhada nesta série, para melhor compreendermos que Donald Trump não é a América, senão apenas mais uma experiência democrática saída daquele profuso laboratório político.

Afinal, a multietnicidade americana não tem fronteiras. Estas só existem no resto do mundo.

 

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