Saudosos e antigos meios de transporte utilizados nos bons velhos tempos!: Reminiscências do viver em Ponta Delgada

by | Jan 14, 2026 | Do Outro Lado do Atlântico

 

Como és vil humanidade

Não olhas para as desventuras

As chagas da sociedade

Podes curar, e não curas

António Aleixo

                                                                           

ENTRAR NA “TERCEIRA IDADE”, além dos riscos inerentes, dá-nos uns conhecimentos que a longevidade nos oferece, e a “memória lubrificada”, nos concede e permite.

A longevidade é uma graça, mas, como tudo na vida, tem limites e …… riscos!!! Ser velho (ou menos novo) tem desvantagens (principalmente no sector físico) mas, por outro lado, põe à nossa disposição, conhecimentos que só ela (idade avançada) nos pode facultar, retendo na memória tempos passados, momentos vividos, amealhando na saudade, situações conhecidas, retalhos da vida que passa ligeira, não fosse a vida a “infância da imortalidade”.

TEMOS ACESSO, A VÁRIAS FORMAS DE VIVER, E DE ESTAR NA VIDA, DOS NOSSOS ANTEPASSADOS, diferentes das actuais e no nosso conhecimento. Ou pela leitura, ou ouvindo outras pessoas, durante o nosso longo percurso e conhecedoras da matéria, ou  ainda, por conhecimento próprio, tendo sido, para o efeito, testemunhas oculares.

ESTA LENGA-LENGA, TEM POR OBJECTIVO, recordar e transmitir aos mais novos, formas muito características de diversos meios de transportes e profissões com eles relacionadas que presenciamos nos nossos primeiros tempos de “rapazola”, vivendo e percorrendo as velhas ruelas da cidade de Ponta Delgada, na segunda parte da década de 40 do século anterior, quando iniciamos os nossos “deveres escolares”, nos percursos para a escola primária, Liceu ou em outras missões.

NAQUELES JÁ DISTANTES ANOS, o automóvel era “jóia rara”, nas deslocações na cidade. Poucos existiam. Naquelas épocas podiam-se contar pelos dedos  das mãos …. Surge , no meu “ecrã de memória”, um vizinho lá da rua, o Senhor Daniel Rocha, que possuía um pequeno carro de aluguer da marca Ford, de duas portas, que estacionava na Matriz, em frente ao Café REX e Loja dos Clementes.

DOMINAVA A LOCOMOÇÃO DAS PESSOAS, para além da tradicional carroça, o “dorso de algum cavalo ou burro, a utilização da charrete, o charabã (ou char-a-banc), a “Vitória”, o e característico “carro de cocheira”, puxado por dois cavalos e conduzido por um boleeiro, muito utilizado pelas pessoas de posses.

AS ANTIGAS “CAMIONETAS DA CARREIRA” que transportavam passageiros das e para as vilas e freguesias, eram, logicamente, antiquadas, desconfortáveis e rudimentares, ao contrário dos luxuosos autocarros hoje postos à disposição das pessoas. NAQUELES TEMPOS, a velha “camioneta” (a saudosa carripana) fazia o percurso entre a freguesia – não todas – e a cidade, normalmente, duas vezes por dia, saindo de manhã cedo e só regressando quando a “noite já era uma senhora). A chegada da “camioneta da carreira” à freguesia, era significativa. Os poucos passageiros transportados, regra geral, eram “especiais”!. Outra situação a destacar, que a camioneta proporcionava, era a chegada do tão esperado “CORREIO”.

JÁ NO QUE SE REFERE AO TRANSPORTE E CONDUÇÃO DE MERCADORIAS E BENS, existiam diversas formas de proceder aos mesmos, conhecemos várias. Desde a carroça puxada por cavalo, carneiro, mula ou burro, passando pela “carroça de mão”, até outros frequentes que existiam naquelas épocas. Estou-me a lembrar, por exemplo, de uma original forma de levar a mercadoria a “casa do freguês” que algumas casas comerciais  (mercearia Pereira  & Pereira e loja de ferragens dos Azevedos) utilizavam. Era a bicicleta, conduzida por um empregado, e que tinha, segura ao resguardo da roda traseira, uma cesta de vimes ou arame, onde eram colocadas e transportadas, as mercadorias a entregar. Lembro-me, igualmente, dos tradicionais “seirões” (cangalhos) em vimes que eram nem mais nem menos, do que dois cestos grandes ligados entre si e que colocava no lombo do animal em serviço (burro ou cavalo), caídos um de cada lado, normalmente utilizados no transporte de peixe fresco para venda pelas portas ou outros produtos( hortaliças e loiça de barro).

 

PARA AS HABITUAIS “MUDANÇAS”, ou transporte de mercadorias, vindas por intermédio da Alfândega para os diversos estabelecimentos comerciais, espalhados pela cidade, existiam, os sempre lembrados “BAGAGEIROS”, que eram requisitados no “seu poiso habitual”, os degraus do adro da Igreja da Matriz. Habitualmente, estes apreciados servidores do comércio local, conduziam a mercadoria, às costas, ou em pequenas carroças de mão. Tinham a sua organização. Grande parte deles eram chefiados pelo velho saudoso “JOSÉ LISBOA”. 

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