Perigo de extinção por António Teixeira

by | Dec 23, 2025 | Opinião

 

As nossas organizações sócio-culturais, e não só, cuja existência pode-se contar nas dezenas de anos, enfrentam um sério problema devido ao facto de que uma enorme crise se aproxima e que deve ser endereçada o mais cedo possível, antes que seja tarde demais. Estou-me a referir ao facto inegável de que a emigração vinda dos Açores ou mesmo de outros pontos territoriais de Portugal em geral estagnou, ao ponto de hoje em dia ser uma raridade vermos alguém recentemente vindo da nossa terra natal e se queremos dar continuação à nossa língua e cultura é urgente que prestemos atenção aos nossos descendentes que são muitas vezes limitados no conhecimento da nossa lingua e cultura.

É extremamente importante que ajudemos esses jovens a criarem os seus próprios eventos, sejam culturais, desportivos ou qualquer outra forma de entretenimento.

Não podemos exigir deles que escrevam actas de reuniões em português, não podemos exigir que eles usem uma caligrafia arcaica, porque o português é a sua segunda língua, portanto uma barreira quase intransponível.

 Hoje em dia é facílimo traduzir em segundos um texto em inglês para português e vice-versa através do “Google” e tenho a certeza de que para eles isto não será nunca um problema uma vez que basicamente nasceram com um computador no colo.

Devemos sem mais demoras, para que não seja tarde demais, criar um ambiente em que eles se sintam confortáveis, vamos providenciar as ferramentas necessárias, mesas de bilhar, ping-pong e outras formas de entretenimento, tais como computadores para seu uso, uma máquina de música (Juke Box) para todos os gostos, aulas de dança, de música, de teatro, equipas de futebol, de hóquei, de basquetebol.

Neste momento não nos podemos preocupar com as despesas para atingir a conclusão deste projeto, o nosso futuro é mais importante.

Será que estou a ser exagerado demais? Talvez, mas temos de tomar uma decisão o mais depressa possível enquanto é tempo.

Não é minha intenção ofender seja quem for porque o meu único interesse é manter a nossa cultura que tem lindos costumes e tradições e a juventude terá de ter um papel muito importante nisto, mas somos nós que temos a obrigação de ajudar e orientar os nossos filhos e netos a envolverem-se nas atividades comunitárias.

Hoje em dia não é necessário ter nascido em Portugal para sermos portugueses, basta implantar nos nossos filhos e netos o amor pela pátria dos seus familiares.

Deixo a todos vós este assunto muito sério para ser resolvido o mais cedo possível, antes que seja tarde demais.

Quem não se lembra do Ateneu Luso-Americano, da Associação Cultural Açoriana, do Portuguese Business Association e muitas outras organizações que cairam no rol do esquecimento?

Não será tempo para entregarmos as rédeas de liderança aos nossos descendentes, antes que seja tarde demais?

 

 António Teixeira
Fall River, MA

 

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