Há cerca de três anos escrevi isto: “Lançar um concurso para a privatização da Azores Airlines, com um caderno de encargos recheado de condições difíceis de cumprir, é um erro que a Região vai pagar caro, tal como aconteceu com a tentativa desastrosa ao tempo da Icelandair. (…) Bastava aprender com aTAP”.
Três anos depois, aí está o veredicto: a proposta do único consórcio concorrente vai ser rejeitada, perdemos três anos nisto, acumularam-se prejuízos e agora volta tudo à estaca zero.
Ao que parece, no próximo dia 23 de Fevereiro, o Conselho do Governo Regional dos Açores vai reunir-se para dar a estocada final neste processo falhado, que só avançou por teimosia e muita incompetência à mistura, sem que se desse ouvidos aos avisos dos peritos e até de quem via ao longe que este processo estava condenado ao insucesso.
Agora vamos para o Plano B, uma venda directa, exactamente imitando o processo de privatização da TAP, depois de tanto tempo e alguns milhões perdidos.
Este padrão de falhanços contínuos em assuntos que mexem com a vida e a bolsa dos contribuintes vai desgastando um governo já de si frágil e a gerar muita insatisfação popular.
É o caso, também, da recuperação do Hospital de Ponta Delgada.
Quase dois anos depois do incêndio, ainda se discute o que se vai fazer, relatórios para lá e relatórios para cá, e nem um bloco ou saco de cimento para reerguer ou transformar o HDES num novo hospital.
Até o modular, que era transitório, já é anunciado como continuidade para aproveitar a “capacidade instalada”, e andamos nisto há quase dois anos.
Vamos ter, assim, dois mini-hospitais: o modular ali plantado e o velhinho HDES a aguardar remendos.
É caso para dizer: envie-se o governo para a Madeira, para estagiar sobre como se constrói um hospital de raíz, moderno, com 600 camas, dezenas de gabinetes, internamentos, blocos operatórios, tudo com equipamentos de ponta e num investimento maioritariamente pago pela República e pelos fundos comunitários.
Como continuamos a pensar pequenino, 50 anos depois de governo próprio, vamos continuar com as listas de espera intermináveis e o enervante desespero de edifícios sobrelotados e dispersos.
As eleições de domingo passado deram sinais de muitos açorianos disponíveis para votar num projecto radical, o que devia preocupar o governo e os partidos do arco do poder.
Quando os dois maiores partidos se confundem na governação, iguais em quase tudo, sem ligarem aos sinais dos cidadãos, depois não se queixem.
Não é por falta de avisos.
Tal como o falhanço da privatização da SATA.





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