Toda a gente sabe que o aumento do preço da gasolina tem que ver com a guerra dos EUA e Israel com o Irão no Golfo Pérsico, que afeta o estreito de Ormuz, onde passa 20% do petróleo mundial. O que já pode ser surpreendente para muitos é que a ilha iraniana que dá nome ao famoso estreito foi controlada pelos portugueses durante mais de um século, entre 1507 e 1622. Em Ormuz existe ainda uma fortaleza mandada construir em 1515 por Afonso de Albuquerque, que ao serviço de D.Manuel I foi um navegador e conquistador imparável no Índico, o que lhe valeu ser chamado de “Leão dos Mares” ou “O Terrível”.
Explicou-me agora em conversa o historiador José Manuel Garcia, que “depois da viagem de Vasco da Gama e logo desde os inícios do século XVI os portugueses manifestaram a intenção de impedir os muçulmanos de continuarem a escoar mercadorias preciosas para o Mediterrâneo como vinham fazendo nos séculos anteriores. Para que Portugal conseguisse impor vitoriosamente a sua nova Rota do Cabo da Boa Esperança para o Oriente, contra a antiga Rota do Levante, era necessário controlar as entradas do Mar Vermelho e do Golfo Pérsico”.
José Manuel Garcia, autor de ‘Dicionário essencial da História de Portugal’ e biógrafo de Afonso de Albuquerque, sublinhou que foram muitos os portos conquistados no Golfo Pérsico e arredores pelos portugueses nos século XVI e XVII, como Mascate, capital de Omã, Manama, capital do Bahrein, ou Baçorá, no Iraque. Também vários pontos dos atuais Emirados Árabes Unidos estavam sob controle português ou eram governados por aliados, que aceitavam ser vassalos do rei de Portugal. O objetivo era não só evitar a concorrência dos turcos e outros no comércio de especiarias para a Europa, mas também dominar lucrativos comércios regionais, como a venda de cavalos árabes na Índia.
A presença portuguesa em Ormuz terminou em 1622, quando os persas reconquistaram a ilha. “Os portugueses foram os governantes absolutos das costas do golfo Pérsico até à conquista de Ormuz pelo xá Abbas I”, disse-me, numa entrevista em 2020, Mohammad Jafar Chamankar, historiador iraniano, estudioso da presença portuguesa.





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