Olímpicos, Super Bowl, e o lendário Gil Santos

by | Feb 11, 2026 | Expressamendes

 

Portugueses nos Jogos Olímpicos de Inverno 2026

Os Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina 2026 tiveram abertura num cenário pouco comum para desportos da neve: um estádio de futebol. A cerimónia teve lugar a 6 de fevereiro no Estádio Giuseppe Meazza, que é o nome oficial do Estádio San Siro, em Milão, a casa de dois dos maiores clubes de futebol da Itália, AC Milan e Inter de Milão, que compartilham San Siro desde 1947.

É a quarta vez que Itália acolhe a chama olímpica de inverno e, até 22 de fevereiro, mais de 3.000 atletas (47% dos quais mulheres) em representação de 93 países competirão nas cidades de Milão e Cortina d’Ampezzo.

O palco está montado para um espetáculo emocionante onde os melhores atletas do mundo tentarão bater recordes na neve, no gelo e nas pistas de trenó e Milão-Cortina 2026 verá um trio de estrelas procurando juntar-se ao reduzido grupo de atletas olímpicos de inverno com oito medalhas de ouro conquistadas.

São eles o norueguês Johannes Høsflot Klæbo, do esqui cross-country, com cinco medalhas conquistadas e que está pronto para se tornar o maior medalhista de ouro da história olímpica podendo adicionar mais seis medalhas às cinco que já possui; os alemães de luge Tobias Wendl e Tobias Arlt (seis cada), que poderão igualar ou superar o recorde de oito medalhas de ouro nestes Jogos, e as lendas norueguesas do biatlo, Ole Einar Bjørndalen, e do esqui cross-country Bjørn Dæhlie e Marit Bjørgen, com oito medalhas de ouro cada, e que detêm o recorde de maior número de medalhas de ouro nos Jogos Olímpicos de Inverno. Bjørgen é o atleta olímpico de inverno mais medalhado, com um total de 15 medalhas, enquanto Bjørndalen possui 14.

Portugal tem em Milão-Cortina 2026 a sua 10º participação em Jogos Olímpicos de Inverno. Depois da estreia em Oslo 1952 no esqui alpino, seguiu-se um hiato de mais de três décadas até ao retorno em Calgary 1988 com os trenós do bobsled, e desde Turim 2006 Portugal tem estado presente em todas as edições.

Nas nove anteriores edições, Portugal foi representado em cinco modalidades (esqui alpino, bobsled, esqui cross-country, esqui estilo livre e patinação de velocidade). O melhor resultado foi com Mafalda Queiroz Pereira, 21º lugar no aerials do esqui estilo livre em Nagano 1998.

Em Milão-Cortina 2026, Portugal conta com três atletas, repetindo o número de  Pequim 2022 e as modalidades em que vão competir são esqui alpino e esqui cross-country. Dois deles estiveram na capital chinesa e voltam agora ao palco Olímpico: no esqui alpino, Vanina Guerillot; no esqui cross-country, José Cabeça e o estreante Emeric Guerillot no esqui alpino. Vanina Guerillot e Emeric Guerillot nasceram em França e são irmãos.

O Brasil participa pela quarta vez com uma delegação de 15 atletas e procurando ganhar a sua primeira medalha. Lucas Pinheiro Braathen, brasileiro nascido na Noruega, tem hipóteses uma vez que está em segundo lugar no slalom do esqui alpino.

Acrescente-se que da numerosa delegação dos Estados Unidos faz parte a lusodescendente Kristen Santos-Griswold, nascida e criada em Fairfield, Connecticut. Começou a patinar no gelo aos três anos de idade e fez a sua estreia olímpica em Pequim, em 2022, nos 1.000 metros, mas terminou em quarto lugar depois de uma adversária, que foi desclassificada, a ter empurrado e feito cair.

Em 2023, Santos concluiu o Campeonato dos Quatro Continentes de Patinagem de Velocidade em Pista Curta e conquistou medalhas de ouro nos 500 metros, 1000 metros e 1500 metros, para além da medalha de prata na estafeta mista de 2000 metros.

Em 2024, Santos completou o Campeonato Mundial de Patinagem de Velocidade em Pista Curta e conquistou cinco medalhas: ouro nos 1000 metros, prata nos 1500 metros e na estafeta 4×800 metros, e bronze nos 500 metros e na estafeta mista 4×500 metros. Ainda na temporada 2024-25, Santos conquistou o Globo de Cristal de melhor patinadora geral do Circuito Mundial, mas continua a faltar-lhe uma medalha olímpica.

Alex Ferreira é também um possível lusodescendente no olímpismo dos EUA. É esquiador de halfpipe (ou meio-tubo), estrutura em formato de U utilizada para vários desportos (skate, snowboarding, ski, BMX e patins). É filho de um argentino, Marcelo Ferreira, antigo futebolista do River Plate, e de uma americana corredora de maratonas (Colleen Delia). Com o apelido de Ferreira, é possivelmente descendente de português ou espanhol.

Nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2018, Ferreira conquistou a medalha de prata na prova de halfpipe e nos Jogos de 2022 a medalha de bronze. Mas em 2026, embora conte apenas 31 anos, não mostrou interesse em competir e nesta altura está mais interessado em produzir filmes sobre esqui.


 

Patriots perdem Super Bowl

Domingo, 8 de fevereiro de 2026, foi dia do 60º Super Bowl, um dos acontecimentos desportivos mais mediáticos dos EUA, a finalíssima para apuramento do campeão da National Football League (NFL), protagonizada pelos New England Patriots e os Seattle Seahawks, vencedores das conferências AFC e NFC, respetivamente.

Os New England Patriots eram favoritos, tinham chegado doze vezes ao Super Bowl e ganho seis (2019, 2017, 2015, 2005, 2004 e 2002), enquanto os Seahawks conquistaram a prova uma vez em três participações no Super Bowl. Mas desta vez o jogo fantástico da defesa de Seattle conseguiu neutralizar o ataque dos Patriots e levar a equipa à vitória por 29-13 no Super Bowl LX, vingando a derrota no Super Bowl de 2015, frente aos Patriots.

Os Seahawks nunca tiraram o pé do acelerador e marcaram 17 pontos em oito minutos de jogo, fazendo com que o resultado passasse de 12-0 para um 29-7 irrecuperável para os Patriots.

Acrescente-se que os Patriots têm inúmeros adeptos portugueses visto serem a equipa da Nova Inglaterra e a comunidade portuguesa concentrar-se nesta região. Muitos clubes comunitários portugueses promovem festas onde os seus membros convivem durante o Super Bowl. Em New Jersey, dois desses clubes foram este ano o Clube Português de South River e o Portuguese Sporting Club de Perth Amboy, mas desta vez o jogo foi para esquecer.


 

Kurt Gouveia, o único lusodescendente que ganhou o Super Bowl

O futebol americano não é modalidade em que muitos lusodescendentes tenham brilhado e daí que apenas um tenha ganho o Super Bowl. Trata-se do luso-havaiano Kurt Gouveia, nascido a 14 de setembro de 1964 em Honolulu, hoje treinador e antigo linebacker que jogou 13 temporadas na National Football League (NFL) e uma temporada na XFL.

Na NFL, Gouveia jogou nos Washington Redskins (1986-1994, 1999), nos Philadelphia Eagles (1995), nos San Diego Chargers (1996-1998) e nos Las Vegas Outlaws (2001) da extinta XFL. Nos Redskins fez parte das equipas campeãs do Super Bowl de 1987 e 1991.

Quando deixou de jogar, tornou-se treinador de linebackers dos Sacramento Mountain Lions, depois dos DC Defenders United Football League.

Por sinal, um dos mais conceituados técnicos de futebol americano é Wayne Fontes, nascido em 1940 em New Bedford, Massachusetts. A mãe, Matilde Fontes, era natural de Wareham, e o pai, Caetano Fontes, português natural de Cabo Verde, colónia portuguesa na época.

Fontes jogou futebol americano na Michigan State University. Foi selecionado na nona ronda do draft da NFL de 1961 pelos Philadelphia Eagles, mas acabaria por jogar nos New York Titans. Uma lesão pôs termo à sua carreira de jogador e Fontes voltou à universidade para tirar um mestrado e tornar-se treinador. Trabalhou em várias universidades e, após 13 temporadas como assistente na NFL, Fontes assumiu o comando dos Lions em 1988. Foi um período de sucesso em que os Lions chegaram aos playoffs em 1991, 1993, 1994 e 1995, mas nunca ao Super Bowl.


 

Daniela Ruah no Super Bowl

A festa do Super Bowl 60 contou com uma ajuda portuguesa. Daniela Ruah apresentou um programa para a NFL Network sobre os 12 melhores anúncios de sempre no Super Bowl.

Há vários anos que Daniela, a agente Kensi Blye da série NCIS: Los Angeles, apresenta o especial “Super Bowl Greatest Commercials: Hall of Fame Countdown” transmitido na CBS e na Paramount+ a 2 de fevereiro de 2026 a partir do Levi’s Stadium sobre os melhores anúncios do Super Bowl.


 

O lendário Gil Santos

Gilbert A. Santos nasceu a 19 de abril de 1938 em Acushnet, Massachusetts, filho de imigrantes portugueses. Formou-se na New England Broadcast School e em 1951 começou a trabalhar nas rádios WBSM e WNBH de New Bedford, e WSAR e WALE de Fall River. Em 1966 transferiu-se para a poderosa WBZ-FM de Boston, com uma rede de 37 estações afiliadas, e passou a comentar os jogos dos New England Patriots da National Football League e dos Boston Celtics da National Basketball Association.

Durante 36 anos, Gil Santos foi a “voz da rádio dos Patriots”, o último jogo que comentou foi em janeiro de 2013, a derrota dos Patriots frente aos Ravens no jogo do Campeonato da AFC, a sua 759ª transmissão. Santos faleceu no dia 19 de abril de 2018, dia do seu 80º aniversário e 57º aniversário de casamento.

Gil Santos era detentor de três anéis do Super Bowl correspondentes às vitórias dos Patriots nos Super Bowls de 2001, 2003 e 2004.

Uma prática dos Patriots é atribuir os aneís de campeão a todos os membros da equipa e não apenas jogadores e técnicos, e por isso temos um português detentor de meia dúzia de anéis do Super Bowl. Trata-se do Fernando Neto, filho do empresário e político Manuel Fernando Neto, de New Bedford.

Fernando Neto formou-se em Rádio e TV na Mass Comm e no Franklin Pierce College. Trabalha desde 1997 nos Patriots e é diretor dos serviços de vídeo. A equipa de Fernando Neto filma todos os jogos e treinos, catalogando tudo num arquivo digital a que os treinadores recorrem na preparação da equipa, um processo que é muito mais complicado do que os adeptos pensam.

Embora cada equipa apenas apresente em campo onze jogadores, tal como no futebol jogado com os pés, no futebol americano da bola ponteaguda jogada com as mãos cada treinador escala onze jogadores quando está a atacar e outros onze quando defende. Cada plantel é composto no máximo por 53 jogadores, que podem pertencer ao ataque, à defesa ou às equipas especiais encarregues dos pontapés de saída, punts ou field goals.

A multiplicidade de posições e a profundidade de cada plantel justificam a existência de numerosa equipa técnica. A equipa técnica dos Seahawks conta com nada menos de 30 técnicos, enquanto a dos Patriots é composta por 25 técnicos e, depois do desaire do passado domingo, alguns deles já devem andar à procura de emprego.

 

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