Óbito/Álvaro Cassuto: “O mais importante dos maestros portugueses” – SPA

by | Apr 6, 2026 | Outros

 

Lisboa, 06 abr 2026 (lusa) – A Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) refere-se a Álvaro Cassuto, que morreu hoje, aos 87 anos, como “o mais importante dos maestros portugueses, tanto em Portugal como no panorama musical internacional”.

De acordo com a SPA, “foi brilhante e notável o trabalho que [Álvaro Cassuto] realizou como maestro à frente de orquestras europeias, recuperando as obras sinfónicas de compositores como Joly Braga Santos e Fernando Lopes-Graça”.

A cooperativa de autores recorda ainda o seu apoio a “todas as gravações que realizou para editoras de grande prestígio internacional”.

Álvaro Cassuto era cooperador da SPA desde 1968 e “sempre acompanhou de forma ativa e solidária as transformações operadas na cooperativa”, que lhe atribuiu, em 2022, o Prémio Vida e Obra, e publicou o seu livro de memórias, “Maestro sem Fronteiras”.

Na nota emitida hoje a SPA traça o percurso do maestro natural do Porto e que se licenciou em Direito, tendo sido colega do ex-Presidente Jorge Sampaio (1939-2021).

A editora AvA Musical também manifestou “o seu mais profundo pesar” pela morte de Álvaro Cassuto, que considera “um dos mais dedicados e consequentes impulsionadores da divulgação do repertório sinfónico nacional, em particular da música do século XX”.

De acordo com a editora especializada em música erudita, o trabalho de Cassuto “revelou-se determinante para a projeção de compositores como Luís de Freitas Branco, José Vianna da Motta e Joly Braga Santos, Frederico de Freitas, Fernando Lopes-Graça, entre outros”.

A AvA Musical Editions recorda ainda a ligação próxima com o maestro e compositor, que contribuiu “ativamente com revisões críticas de inúmeras obras do nosso catálogo, sempre com um rigor, conhecimento e dedicação absolutamente exemplares”.

“Foi também através do seu trabalho, nomeadamente nas gravações realizadas para a editora Naxos, que grande parte deste repertório ganhou visibilidade internacional. Sem o seu empenho incansável, é legítimo afirmar que uma parte significativa da música portuguesa poderia ainda hoje permanecer injustamente desconhecida”, acrescenta a editora.

A Orquestra Clássica da Madeira sublinhou igualmente o “exímio contributo” de Álvaro Cassuto na divulgação da música portuguesa, enquanto o Teatro das Figuras, em Faro, recordou o fundador e primeiro diretor artístico da Orquestra do Algarve, assegurando que o seu legado “será recordado com respeito e admiração”.

O compositor Sérgio Azevedo, por seu lado, numa publicação nas redes sociais, recorda que a ele deve a estreia da sua primeira peça de orquestra, “Coral I”, num concurso da Nova Filarmonia, tendo depois escrito, a pedido do maestro, “Keep Going”, para a Orquestra Sinfónica Portuguesa, e “Abertura Festiva”, para a Orquestra do Algarve.

“Devo-lhe muitíssimo, quer como jovem compositor quer como compositor para orquestra”, escreve Sérgio Azevedo. “Deu-me todas estas oportunidades generosas, acreditou em mim quando eu pouco tinha ainda para mostrar como compositor”.

Álvaro Cassuto morreu hoje, aos 87 anos, na sua residência no Guincho, no concelho de Cascais.

Nascido no Porto, em 17 de novembro de 1938, Álvaro Leon Cassuto iniciou cedo os estudos de violino e piano, frequentou os cursos internacionais de Darmstadt, na Alemanha, onde contactou com os compositores Karlheinz Stockhausen, Gyorgy Ligeti e Olivier Messiaen, e estudou direção de orquestra com o maestro Pedro de Freitas Branco (1896-1963) e, mais tarde, com Herbert von Karajan (1908-1989), em Berlim, por quem confessava grande admiração. Formou-se pelo Conservatório de Música de Viena.

Em 1961, com 22 anos, estreou-se como maestro à frente da Orquestra do Porto. Posteriormente, foi maestro-assistente (1965-1968) e subdiretor (1970-1975) da Orquestra Gulbenkian.

Viveu nos Estados Unidos entre 1968 e 1986, onde desempenhou as funções de maestro e de professor universitário.

Em simultâneo, foi maestro-diretor da Orquestra Sinfónica da Radiodifusão Portuguesa, em Portugal, entre 1975 e 1990.

No regresso ao país, em 1988, fundou a Nova Filarmonia Portuguesa, em 1993, esteve na fundação da Orquestra Sinfónica Portuguesa (OSP) e, em 2002, criou a Orquestra do Algarve.

Entre 2004 e 2008, foi diretor artístico da Orquestra Metropolitana de Lisboa e, entre 2010 e 2013, dirigiu a Orquestra de Bari, em Itália.

A sua discografia, com mais de três dezenas de álbuns e centenas de obras, privilegia os compositores portugueses.

Álvaro Cassuto é identificado pelo Centro de Investigação & Informação da Música Portuguesa, assim como pela crítica especializada, como “um dos mais conceituados” e “o mais internacional” dos maestros portugueses.

 

 

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