O rei português que enganou Napoleão morreu envenenado

by | Mar 25, 2026 | A Descoberta

 

Napoleão Bonaparte estava já exilado na ilha de Santa Helena quando terá dito sobre D. João VI: “foi o único que me enganou”. Sim, o imperador francês tinha sido derrotado na Batalha de Waterloo, em 1815, e estava preso pelos britânicos, mas antes tinha tido a Europa a seus pés, derrubando dinastias, prendendo reis, oferecendo coroas aos familiares. Por exemplo, invadiu Espanha, prendeu Fernando VII e fez do irmão José Bonaparte o novo rei.

Em Portugal, Napoleão falhou, apesar das três invasões francesas. D. João, ainda príncipe regente, deixou Lisboa em finais de 1807 e chegou ao Rio de Janeiro em inícios de 1808. O Império Português passou a ter capital no Brasil e Napoleão ficou frustrado com a fuga da Corte Portuguesa. Entre a lealdade aos velhos aliados britânicos e as pressões francesas para fechar os portos, D. João optou por uma retirada estratégica, que salvou a dinastia dos Braganças da primeira invasão. Naquela travessia do Atlântico, inédita para um monarca, seguiam D. Maria I (a velha rainha louca), o casal desavindo D. João e D. Carlota Joaquina e ainda os filhos, entre eles D. Pedro, que haveria de ser imperador do Brasil e rei de Portugal, e D. Miguel, outro futuro rei. Também acompanharam a família real milhares de cortesãos e funcionários do Estado.

  1. João VI foi finalmente coroado no Brasil, quando em 1816 a mãe morreu, e regressou a Portugal em 1821. No Brasil, D. Pedro proclamou pouco depois a independência, que era inevitável, mas acabou por ser tudo um assunto de família e Portugal reconheceu a separação em 1825. Em Lisboa, D. João VI teve de lidar com os revolucionários liberais, que o fizeram jurar uma Constituição, e também com a rainha D. Carlota Joaquina, que queria que Portugal continuasse uma monarquia absoluta, com D. Miguel como rei.
  2. João VI, que foi feliz e poderoso no Brasil (até conquistou aos franceses a Guiana e aos espanhóis o Uruguai), teve de novo tempos complicados em Portugal. Como ao longo de toda a sua vida, foi pressionado a fazer escolhas difíceis. Morreu a 10 de março de 1826, fez agora 200 anos. Comeu laranjas envenenadas com arsénico. Carlota Joaquina continua até hoje a ser a grande suspeita.

 

* Jornalista do DN. É doutorado em História e autor do livro ‘Encontros e Encontrões de Portugal no mundo’.

 

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