Há anos que é assim:
No mundo todo em geral,
Começou um folhetim
Não fingido, natural!…
Os seus atores principais
São poucos, mas atrevidos,
Agindo todos iguais,
Sem razão e sem sentido!…
Cada qual o seu papel,
Todos a mesma sujeira,
Sempre dum modo cruel,
Impondo tudo o que queira!…
As cenas, sempre diárias,
Todas feitas na altura,
Conforme são necessárias,
Imitando a ditadura!…
E quando um mata cem,
Vem outro com mais requinte,
Mostrando a força que tem,
Mata mais, uns cento e vinte!…
Qualquer Lei, descabelada,
Mostrando ser muito astuta,
A Lei fica ultrapassada,
Perde o valor que se escuta!…
Tudo feito de maneira
Que razão alguma indica,
Só exige o que ele queira,
Quanto ao povo, acredita!…
Os momentos de paixões
Não os há, mas o que encerra,
Os beijos e os beliscões,
São diálogos sobre a guera!..
E, quem o folhetim escreve,
Ao precisar de dinheiro,
Vai o tirando ao de leve,
Da algibeira do parceiro!…
Quanto ao parceiro, consente,
Mesmo aguentando as dores,
Cala-se, finge que não sente,
Se falar, será pior!…
O folhetim nos anima,
Mesmo sem data marcada,
A data que ele termina,
Do fim, ninguém sabe nada!…
Por vezes há uns espaços,
Pensamos, vai terminar!
Mas é só uns ameaços,
Tudo renova a voltar!…
E não há que se tentar,
Há que esperar, por agora,
Deixa a vida te levar,
Sorri pela vida fora!…
Quanto ao fim desta tristeza,
Por mais que a gente bata,
Não há nenhuma certeza,
Quando vai chegar a data!…
Aí então é que sim
Acaba o folhetim!…




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