O eclipse do ministro

by | Aug 19, 2026 | Peixe do Meu Quintal

 

Não está em causa a necessidade das fragatas. Mas quase 4 mil milhões de euros é a idade da vida no planeta – 4 mil milhões de anos. Graças aos Açores, o país tem uma enorme área marítima para vasculhar, patrulhar, vigiar, fiscalizar e explorar. E parece que as ditas fragatas italianas darão um jeito nisso. Além de que o dinheiro é comparticipado pela mãe Europa. Portugal em si não tem meios para ‘luxos’ desta natureza.

E aqui entra um ministro de Estado – da Defesa Nacional, neste caso – o qual não sabe viver com a Democracia. 

O ministro João Nuno de Lacerda Teixeira de Melo, mais conhecido por Nuno Melo, ascendeu ao cargo por força do contexto eleitoral. Aliado do PSD, o líder do CDS nunca no mais ínfimo sonho pensou que viria a governar fosse o que fosse. No entanto, as infinitas ambições humanas deram-lhe o golpe de sorte. Luís Montenegro aliou-se com ele para poder governar ‘elas por elas’. 

As fragatas que o governo inventou com justificativo argumento, fazem-nos lembrar outro ministro da Defesa, também do CDS, que se meteu num caso de submarinos. Um caso de corrupção relativo ao processo de um concurso público para aquisição de três submarinos da classe Tridente realizado em 2004 pelo XV Governo Constitucional de Portugal ao Germain Submarine Consortium. Este caso ficou relacionado com corrupção, tráfico de influências e financiamento ilegal de partidos políticos, em que o contrato de venda no valor de 880 milhões de euros, terá sido conseguido através de subornos e de negócios de consultoria falsos. Este processo gerou longas polémicas políticas, comissões de inquérito e investigações judiciais sobre suspeitas de corrupção. O contrato foi assinado em 2004 pelo governo de coligação PSD/CDS-PP. O ministro da Defesa Paulo Portas assumiu politicamente a decisão de reduzir de três para dois o número de submarinos adquiridos. O então líder do governo Durão Barroso viria a ser 11.º Presidente da Comissão Europeia durante dois mandatos consecutivos, de 2004 a 2014.

O povo diz e com razão: «Gato escaldado, de água fria tem medo!»

Se naquela altura eram alemães e a Justiça alemã funcionou com a prisão dos implicados germânicos, em Portugal nada aconteceu. Tudo arquivado.

Agora o negócio é com a Itália, onde os “Padrinhos” abundam muito mais. Os avisos do Povo são legítimos ao abordar, através da Comunicação Social, tais temas.

Mas o atual ministro da Defesa não gostou e vai daí, fez queixinhas aos tribunais, através de ameaças processuais contra tais “delatores das virgindades alheias”.

Se o ministro Nuno Melo não queria ‘ser lobo, não vestisse a pele’, ou seja, não fosse para a vida pública. Esquece que é funcionário do Povo e não o contrário. Na política – essa ‘mulher da rua’ adorada e requisitada por todos – a crítica popular, por mais estranha, faz parte integrante da vivência democrática e mais do que isto, da Liberdade de Expressão, que o ministro tenta agora abafar.

O ministro Nuno Melo ou aprende a conviver com a Democracia e não se põe a gastar dinheiros públicos com os tribunais, sabendo que não vai dar nada, ou pode demitir-se porque não serve a Democracia.

Calma, Nuno! Segue os exemplos de Durão Barroso e António Costa e talvez termines em Bruxelas!!! 

 

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