Inspirados por António Carrelhas, um empresário português que viveu muitos anos no Brasil, um grupo de “expedicionários” portugueses e luso-brasileiros andou nos últimos dias por Lisboa, Queluz, Santiago do Cacém e Cantanhede. E porquê estas quatro cidades? Por ser onde nasceram vários “heróis portugueses do Brasil”, que foi como batizou Carrelhas o lisboeta José Silva Paes, o queluzense D. Pedro I, o santiaguense Martim Soares Moreno e o cantanhedense Pedro Teixeira. Um alargou as fronteiras do sul do Brasil, outro foi o imperador que garantiu a independência, outro ainda defendeu o Nordeste contra os franceses e os holandeses e por fim destaca-se o homem que subiu (e desceu) o Amazonas e reivindicou a posse para a Coroa de Portugal do imenso território que é a Amazónia.
Foi, aliás, para celebrar o feito de Pedro Teixeira, que Carrelhas organizou em 2014 a primeira das suas expedições, a descida do imenso rio, da fronteira com o Peru e a Colômbia até a cidade de Belém do Pará. Seguiram-se mais três, todas também no Brasil, e agora esta expedição de 2026 em Portugal, que começou numa sessão na Sociedade de Geografia de Lisboa, e depois percorreu o país, com acolhimento pelas câmaras municipais e atividades com alunos das escolas públicas para divulgar estes quatro heróis, sendo D. Pedro I (o nosso rei D. Pedro IV) o mais famoso dos quatro.
Carrelhas, que aos 89 anos mantém o entusiasmo pela aventura e pela história, contou-me um dia numa entrevista de vida que descer o Amazonas foi o mais fantástico que fez na vida. Também por isso, sabendo da proeza que é enfrentar aquele rio, o grande valor que dá a Pedro Teixeira: em 1639, acompanhado de 70 soldados portugueses e cerca de 1200 índios, todos em canoas, o cantanhadense fez a viagem que permitiu reivindicar para a Coroa Portuguesa, em nome de Filipe III (Filipe IV de Espanha), o território da maior floresta tropical do mundo, que faz do Brasil um gigante geográfico. No ano seguinte, Portugal, com a revolta encabeçada por D. João IV, separou-se de vez de Espanha, e finalmente em 1750, com o Tratado de Madrid, as fronteiras brasileiras ficaram definidas, sendo pouco diferentes das da atualidade.
Há hoje uma estátua de Pedro Teixeira em Cantanhede, homenagem muito merecida à coragem do conquistador da Amazónia.
* Jornalista do DN. É doutorado em História e autor do livro ‘Encontros e Encontrões de Portugal no mundo’.



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