No transato dia 18 de julho, o concelho do Nordeste comemorou a carta régia de D. Manuel I, emitida há 512 anos (18 de julho de 1514), na qual foi reconhecido como concelho separado de Vila franca do Campo
As cerimónias tiveram lugar no Centro Municipal de Atividades Culturais devido à já habitual imprevisibilidade do tempo, com tanto que tem chovido, pois ainda continuamos à espera de um autêntico verão. O palco estava decorado a rigor, sob a orientação já habitual do funcionário municipal, Nuno Costa.
Após a receção dos convidados pelo presidente do município, Miguel Adolfo, a cerimónia iniciou-se com a entoação dos hinos: Nacional, Regional e do Nordeste, pela professora Margarida Carreiro e Mariana Costa acompanhadas ao piano pelo professor Eduardo Melo.
Conferenciaram a sessão, os oradores convidados: o deputado dr. Sebastião Bugalho e a Representante do Governo Regional dos Açores, drª Maria João Carreiro, Secretária Regional da Juventude, Habitação e Emprego.
Para terminar, foi entregue uma distinção honorífica ao cidadão nordestense, João de Deus, em reconhecimento dos méritos evidenciados no concelho.
Seguidamente, todos foram convidados a deslocar-se até ao local onde se encontra o monumento dedicado aos Combatentes do Ultramar, a fim de ser realizada a deposição de uma coroa de flores.
A encerrar a festa, houve confraternização, tendo a comunidade sido convidada para saborear as habituais sopas do Espírito Santo. A animação musical esteve a cargo dos grupos folclóricos de S. Jorge da Vila de Nordeste e de S. José da Salga.
A abrir a sessão, o orador convidado, dr. Sebastião Bogalho enalteceu a comemoração desta efeméride dado que 512 anos representam mais da metade da idade do nosso país e que por vezes existe a tendência para tratar as regiões autónomas como se não fossem parcelas da mesma nação: «Quando eu regressar, eu não vou dizer que vou para Portugal porque em Portugal já estou». Traçou rasgados elogios à utilização dos fundos do PRR (Plano de Recuperação e Resiliência com fundos comunitários) para a construção de 42 casas no Nordeste, uma medida importante para ajudar as populações. Salientou que muitos concelhos em Portugal, alguns com mais de 40 000 habitantes, não construíram uma única habitação com aproveitamento do PRR. Fez questão de salientar a sua “costela micaelense” e explicou que foi em Ponta Delgada que iniciou a maioridade no âmbito da política.
O presidente da Câmara do Nordeste incidiu sobre a melhoria da situação financeira da autarquia, permitindo reduzir as taxas dos impostos. Em 2019, a dívida era de 21 milhões de euros, passando para 9, no final do presente ano de 2026. Assim, já foi reduzida em 11 milhões. Referiu o controlo, o rigor e ao mesmo tempo a transparência das contas da Câmara Municipal. Mencionou também que se encontra quase pronto um pavilhão multiusos que vai beneficiar bastante o concelho.
A intervenção da dr. Maria João Carreiro, Secretária Regional da Juventude, Habitação e emprego incidiu sobre as suas ligações afetivas ao concelho do Nordeste e referiu que o desenvolvimento deste concelho passa pela colaboração das suas várias instituições desde a Escola Profissional, aos Bombeiros, à Santa Casa da Misericórdia, filarmónicas, grupos culturais e desportivos. Abordou a criação de novos empregos, os apoios à Escola Profissional e a construção das novas habitações com apoios do PRR.
É de salientar que o concelho do Nordeste é um dos mais antigos da ilha de S. Miguel. Após o povoamento inicial de S. Miguel, era uma localidade pertencente ao capitão donatário, fazendo parte de Vila Franca do campo. Não sabemos muito bem quem terá dado o alerta ao rei para as dificuldades que os moradores desta costa norte tinham em deslocar-se para tratar dos assuntos da justiça. O certo é que em 1514, D. Manuel I, o rei venturoso, emitiu uma carta reconhecendo a separação jurídica dos nordestenses. Este documento existente no Arquivo Nacional da Torre do Tombo ( Livro doc, ilhas, f.196) refere que: «o logar do limite do Nordeste, termo da Villa Franca da nossa ilha de S. Miguel não pode assim ser governado e regido em justiça pela dita villa assim como a nosso serviço e bem dos moradores delle cumpre por o dito logar estar a sete léguas da dita villa no que os moradores do dito limite recebem muita opressão em irem à dita villa […] por causa dos maus caminhos e ribeiras que há no dito logar (…) ».
Para o crescimento do concelho, há muito mais a fazer. O turismo tem vindo a crescer mas não basta a criação de uma taxa turística. Quem aqui chega tem muita dificuldade em encontrar um local para almoçar e, pior ainda, para jantar. A “piscina dos projetos” merece um acesso digno e uma proteção no mar. Para o designado “museu” (restrito a dois pequenos corredores), deveria ser encontrado um outro local mais amplo. Eis apenas algumas ideias. Bem haja o Nordeste, os nordestenses e todos os que o queiram visitar.





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