Nuclear: Projeto de acordo com EUA pronto dentro de dois a três dias – Irão

by | Feb 20, 2026 | Outras Notícias

 

Teerão, 20 fev 2026 (Lusa) – O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano afirmou que um projeto de acordo nuclear com os Estados Unidos estará “pronto dentro de dois ou três dias”, numa entrevista divulgada hoje pela televisão norte-americana MSNBC.

“O próximo passo para mim é apresentar uma proposta de acordo potencial aos meus homólogos americanos”, o emissário Steve Witkoff e o genro do Presidente norte-americano, Jared Kushner, disse Abbas Araghchi à MSNBC.

“Penso que dentro de dois ou três dias estará pronto”, acrescentou Araghchi, que conduziu na terça-feira as negociações do Irão em Genebra, com a mediação de Omã.

Na mesma entrevista, Abbas Araghchi disse que Washington não pediu a Teerão que renunciasse do enriquecimento de urânio durante as negociações realizadas na terça-feira na cidade suíça.

“Não propusemos nenhuma suspensão e os Estados Unidos não exigiram o enriquecimento zero”, afirmou.

Na quinta-feira, o Presidente norte-americano, Donald Trump, disse que seriam dados 10 dias para decidir se é possível alcançar um acordo com o Irão sobre o programa nuclear. Se não foi possível chegar a acordo, “coisas más” poderão acontecer, avisou.

“Talvez tenhamos de ir mais longe, ou talvez não, talvez cheguemos a um acordo. Provavelmente saberão nos próximos 10 dias”, afirmou Trump em Washington, antes da primeira reunião do Conselho de Paz.

Na quarta-feira, Araghchi indicou, numa conversa telefónica com o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), Rafael Grossi, que o Governo iraniano estava a “elaborar um roteiro” para as próximas negociações com Washington, durante

Trump afirmou repetidamente que o Irão devia abandonar por completo o enriquecimento de urânio, exigência que Teerão considera inegociável.

Nos termos de um acordo agora caducado, celebrado com as grandes potências em 2015, o Irão estava autorizado a enriquecer urânio até 3,67%.

Em 2018 e na sequência da retirada unilateral deste acordo, decidia por Donald Trump, Teerão aumentou o enriquecimento para 60%, de acordo com a AIEA.

Enriquecido entre 3 e 5%, o urânio é utilizado para alimentar centrais nucleares para a produção de eletricidade.

Até 20%, é usado para produzir isótopos médicos, usados principalmente no diagnóstico de certos tipos de cancro.

A partir desse limite, o urânio enriquecido pode ter aplicações militares.

Para fabricar uma bomba, o enriquecimento deve ser levado a 90%.

Os Estados Unidos e outros países ocidentais acusam a República Islâmica do Irão de pretender dotar-se de armas atómicas, o que Teerão nega, afirmando que o programa nuclear se destina a fins civis.

O chefe da Organização de Energia Atómica iraniano, Mohammad Eslami, afirmou na quinta-feira que nenhum país pode privar o Irão do direito à energia nuclear.

Na terça-feira, decorreu, em Genebra, uma segunda ronda de conversações entre Teerão e Washington, sob a mediação de Omã.

As partes concordaram em prosseguir as discussões, embora sublinhando estarem longe de aproximar posições.

As discussões foram retomadas em 06 de fevereiro em Omã, as primeiras desde a guerra de junho, desencadeada por um ataque israelita contra o Irão, apoiado pelos Estados Unidos, que bombardearam instalações nucleares iranianas.

Além da renúncia ao enriquecimento de urânio, Washington exige que Teerão abandone o programa iraniano de mísseis balísticos e deixe de apoiar grupos armados hostis a Israel.

Mas as autoridades iranianas afirmaram que só querem discutir o programa nuclear.

Nos últimos dias, os Estados Unidos enviaram para o Médio Oriente um destacamento militar que pode ser usado numa campanha de ataques contra o Irão.

Na quinta-feira, o Irão disse ao secretário-geral da ONU, António Guterres, que vai responder a qualquer agressão militar e considerar bases e ativos de “forças hostis” na região como alvos legítimos.

 

 

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