NRP-Sagres esteve em New Bedford pela oitava vez e deixou saudades

by | Jul 29, 2026 | Eventos Comunitários

 

“Não há nenhum porto em que a Sagres atraque onde não haja uma comunidade portuguesa, pelo que fazia todo o sentido vir a New Bedford” – José Eduardo de Sousa Luís, comandante Capitão de Fragata da Sagres

 

O NRP-Sagres esteve atracado durante cinco dias no Marine Commerce Terminal em New Bedford, no âmbito de uma viagem que teve início a 30 de abril, largando da Base Naval de Lisboa, e com três objetivos: apoio à candidatura de Portugal a Membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU, participar nas celebrações do 250º aniversário dos Estados Unidos da América e visita à diáspora portuguesa.

À chegada a New Bedford lá estavam várias entidades políticas luso-americanas, o cônsul de Portugal em New Bedford, Tiago Sousa, elementos da FLAD (Carlos Costa Neves, Miguel Vaz, Raquel Abecassis e Leonor Durão Barroso), líderes e membros do associativismo, designadamente Prince Henry Society, Azorean Maritime Heritage Society e Clube Madeirense do Santíssimo Sacramento. O folclore esteve em destaque através dos ranchos do Cranston Portuguese Club e do Clube Madeirense do SS. Sacramento. A Banda de Santa Cecília, dirigida por Peter Câmara, executou algumas marchas militares, perante um público efusivo e vibrante com a chegada daquele símbolo português à cidade baleeira. Foi a oitava vez que a Sagres visitou New Bedford. A última aconteceu em 2015.

Na viagem entre Boston e New Bedford, a Sagres trazia dois convidados especiais: José Manuel Durão Barroso, antigo primeiro-ministro português e antigo presidente da Comissão Europeia, atualmente presidente da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD), Craig Melo, Prémio Nobel da Medicina em 2006 e uma jovem portuguesa integrada no programa “Marinheiros da Diáspora”.

Ao final do dia, e com o patrocínio da FLAD, assistimos a um excelente concerto de António Zambujo, acompanhado por três músicos.

Na segunda-feira, o comandante da Sagres foi recebido pelo mayor de New Bedford e visitou o New Bedford City Hall e ainda ao Clube Madeirense do SS. Sacramento tendo visitado inclusivamente o Museu da Herança Madeirense, sob a responsabilidade de Steve Duarte.

José Eduardo de Sousa Luís, comandante Capitão de Fragata da Sagres, proferiu, na tarde da terça-feira, 21 de julho, uma conferência no New Bedford Whaling Museum intitulada: NRP Sagres, History, Symbols and Mission”, perante um auditório que registou lotação esgotada, tendo como mestre de cerimónias Amanda McMullen, CEO e presidente do NBWM, que logo após a palestra acompanhou o comandante na visita aos diversos galerias do museu.

Antes, no mesmo dia, pelas 10h00, o comandante participou na cerimónia de deposição de uma coroa de flores junto ao Monumento ao Infante D. Henrique na Pope Island, com a presença de dignitários locais e elementos da Prince Henry Society, logo seguido de uma visita, pelas 14h30, à biblioteca pública portuguesa Casa da Saudade e oferta de livros.

Na quarta-feira, pelas 18h00, o investigador madeirense Duarte Barcelos Mendonça proferiu uma palestra subordinada ao tema “O Vinho da Madeira e os EUA”, com muitos dos presentes membros do Clube Sport Madeirense do SS. Sacramento, ao que se seguiu o brinde com vinho da Madeira, com Steve Duarte e John Alves a encarnarem as figuras dos antigos presidentes dos EUA, John Hancock e John Adams, respetivamente.

Na manhã do passado domingo falámos com o comandante Capitão de Fragata da Sagres, José Eduardo de Sousa Luís, 47 anos de idade, que nos descreveu sobre a viagem transatlântica.

“Esta viagem começou no dia 30 de abril, que foi o dia em que largámos de Lisboa e fizemos uma rota batida até Nova Iorque, onde atracámos na última semana de maio para fazer um conjunto de eventos de apoio à candidatura de Portugal a membro não-permanente do Conselho de Segurança da ONU. Felizmente, Portugal ganhou logo à primeira ronda, coisa que nunca tinha acontecido. Depois de termos feito estes eventos de apoio, saímos de Nova Iorque e atracámos nas Bermudas, onde cerca de um quarto da população é portuguesa ou lusodescendente. Fizemos o Dia de Portugal no porto de Hamilton, atracámos no dia 10 de junho, e recebemos a importante comunidade portuguesa desse arqui pélago. De seguida, voltámos aos Estados Unidos atracando no porto de Norfolk, onde começámos as celebrações dos 250 anos da independência dos Estados Unidos, num conjunto de eventos de encontro de grandes veleiros denominado Sail 250.

Seguiu-se o porto de Baltimore, também nesse encontro de veleiros. Depois atracámos novamente em Nova Iorque, para o 4 de Julho, com uma grande parada, a International Naval Review, e depois com os belos fogos de artifício do 4 de Julho, onde estávamos muito bem localizados. Depois disso, fomos atracar a Boston no último encontro de veleiros do Sail 250, e não fazia sentido regressar a Portugal sem virmos aqui a New Bedford, que é a cidade que tem uma das mais importantes comunidades portuguesas nos Estados Unidos. Portanto, viemos aqui de propósito para receber a comunidade portuguesa”, começou por dizer ao Portuguese Times, o comandante do NRP-Sagres, Sousa Luís, que adianta sobre a missão do veleiro.

“O navio tem como missão três grandes áreas. A primeira área é ser o navio-escola que é conhecido nacional e internacionalmente. É aqui que os cadetes põem em prática os conhecimentos que adquirem ao longo do ano letivo na Escola Naval. Nós estamos a fazer neste momento a viagem de instrução dos cadetes do primeiro ano. Desde a saída de Lisboa até Boston, tivemos os cadetes do segundo ano. Em Boston fizemos a troca, e estes do primeiro ano estão a começar agora o seu segundo porto.

A segunda área de missão do navio é ser conhecido como embaixador itinerante de Portugal. Sempre que atracámos num porto estrangeiro, promovemos a nossa cultura, o nosso passado marítimo e também prestamos apoio à diplomacia (Ministério dos Negócios Estrangeiros, consulados, embaixadas, e diplomacia económica e cultural).

A terceira área de missão é o acolhimento à diáspora. Este é um navio de Estado; onde quer que esteja atracado, é território nacional. Portugal sempre foi um país de emigrantes. Não há nenhum porto em que a Sagres atraque onde não haja uma comunidade portuguesa. Recebemos essa comunidade para reforçar a ligação a Portugal e matar as saudades do país. Importa dizer que é a oitava vez que o navio está aqui em New Bedford. A última foi em 2015. Os portos mais frequentados pelo navio nos EUA são Boston e Nova Iorque (onde já fomos 11 vezes), seguidos de New Bedford e Newport, onde já fomos 8 vezes”.

Na viagem de Boston até New Bedford, a Sagres foi anfitriã de conhecidas entidades.

“Tivemos três convidados nesta navegação entre Boston e New Bedford. O dr. Durão Barroso foi convidado como presidente da FLAD, que patrocinou o evento de António Zambujo e a conferência de Duarte Mendonça na passada quarta-feira, que publicou um livro sobre a ligação do Vinho da Madeira aos Estados Unidos.

O segundo passageiro foi o dr. Craig Mello, um Prémio Nobel que é lusodescendente com muito orgulho — o avô paterno dele era português, dos Açores. Antes de navegar, ele fez aqui uma conferência com a PAPS (Portuguese American Postgraduate Society), promovendo o debate científico.

O terceiro passageiro foi uma jovem, a Catarina, que embarcou num projeto que chamamos de Marinheiros da Diáspora. No fundo, serve para estreitar as ligações com Portugal, uma vez que ela tem a idade dos nossos cadetes”, esclarece o comandante José Eduardo de Sousa Luís, adiantando que a Sagres, no regresso, tem escalas nos Açores.

“Sim. No regresso, vamos primeiro parar na Praia da Vitória, onde vamos assistir às Festas da Praia. Vamos atracar no último dia com o fogo de artifício. Aí vamos fazer uma cerimónia de celebração da Batalha da Praia da Vitória. Depois vamos a Ponta Delgada, que é a Capital Nacional da Cultura, e a Sagres vai associar-se a essas celebrações”.

Na visita a Boston, o NRP-Sagres foi portador de cartas para estudantes locais.

“Em Boston, levámos duas caixas com cartas escritas por estudantes de uma escola de Alcochete para alunos da mesma idade nos Estados Unidos, através do projeto America Love.

Também numa parceria com o Governo Regional dos Açores, temos a Mesa Açores com produtos regionais, incluindo queijos de diversas ilhas. Portanto, trazemos um bocadinho da cultura açoriana e madeirense (vinho da Madeira) para esta comunidade, que é maioritariamente dessas regiões”, sublinha o comandante da Sagres.

À pergunta se New Bedford estava inicialmente no programa da viagem transatlântica da Sagres, o comandante Capitão de Fragata esclarece:

“Inicialmente a missão surgiu para celebrar os 250 anos dos EUA, indo a Baltimore, Nova Iorque e Boston. Com os eventos de apoio à ONU em Boston, fazia todo o sentido vir a New Bedford. A comunidade enviou cartas — o Museu da Baleia, o professor Onésimo Almeida, a Azorean Maritime Heritage Society — e juntou-se o útil ao agradável. De facto, a ajuda dessas cartas reforçou a nossa vinda na oitava vez da história do navio”, refere o comandante, que adianta: “É a minha primeira vez em New Bedford e a minha terceira comissão a bordo deste navio (fui oficial navegador entre 2009 e 2011, e oficial imediato entre 2006 e 2008), mas assumi as funções de comandante em setembro de 2024 e é para mim um misto de orgulho enorme e grande sentido de responsabilidade. O navio é um dos símbolos de Portugal. Tenho 47 anos, sou o 23º comandante português deste navio, penso estar na média de idades. Espero que eu e a minha guarnição estejamos à altura das expetativas da comunidade portuguesa”, concluiu José Eduardo de Sousa Luís, comandante do NRP-Sagres, que se mostrou muito satisfeito pela receção por parte da comunidade portuguesa. Foram largas centenas de pessoas que visitaram a Sagres durante os dias em que esteve atracado no Marine Commerce Terminal em New Bedford.

 

“É a minha primeira vez em New Bedford e a minha terceira comissão a bordo do NRP-Sagres” – Comandante José Eduardo de Sousa Luís

 

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