Notícias, Portugal

by | Jun 17, 2026 | Outras Notícias

 

Da mercearia dos pais açorianos à direção financeira do Banco do Canadá

Otava, Canadá, 13 jun 2026 (Lusa) – A diretora financeira do Banco do Canadá, Coralia Bulhões, reconhece que os valores transmitidos pelos pais, emigrantes açorianos, sustentaram o percurso que a levou da mercearia familiar, em Gatineau, até um dos mais altos cargos do banco central canadiano.

Nascida no Canadá e filha de emigrantes de São Miguel, nos Açores, Coralia Bulhões recorda uma infância marcada pelo trabalho familiar e pelo exemplo dos pais, que chegaram ao país com poucos recursos em busca de melhores oportunidades.

“Os meus pais vieram para o Canadá com muito pouco e sempre nos ensinaram que, para alcançar alguma coisa na vida, é preciso trabalhar, fazer sacrifícios e dar o melhor de nós próprios. Esses valores acompanharam-me em todas as etapas da minha carreira”, afirmou numa entrevista à Lusa.

Coralia recordou que começou a trabalhar ainda jovem na Mercearia Victória, negócio explorado pela família nas décadas de 1980 e 1990, onde atendia clientes e ajudava nas tarefas do dia-a-dia.

“Foi ali que aprendi o valor do serviço, da responsabilidade e do esforço. Desde pequena percebi que o sucesso de uma organização depende do contributo de cada pessoa e essa mentalidade continua comigo até hoje”, explicou.

Licenciada em Contabilidade pela Universidade do Quebeque em Outaouais e contabilista profissional certificada (CPA) desde 1997, Coralia Bulhões construiu a sua carreira inicialmente na Federação Canadiana de Municípios.

Durante cerca de duas décadas, assumiu responsabilidades crescentes naquela organização, passando de diretora financeira a diretora de operações.

Em março de 2020 foi nomeada diretora financeira e diretora-geral de Serviços Financeiros do Banco do Canadá, precisamente no início da pandemia da covid-19.

A gestora assegurou que não procurava deixar a Federação Canadiana de Municípios quando foi contactada para integrar o banco central canadiano.

“Quando me perguntaram porque deveria ser escolhida, respondi de forma honesta e autêntica. Mais tarde disseram-me que foi precisamente essa autenticidade, aliada à vontade de ajudar e de servir a organização, que fez a diferença”, contou.

Para Coralia Bulhões, a crescente presença de lusocanadianos em posições de liderança reflete o trabalho desenvolvido por várias gerações de imigrantes portugueses no Canadá.

“Vejo cada vez mais portugueses e lusodescendentes em cargos importantes no setor público, nas finanças e nos negócios. Isso dá-me orgulho e demonstra que a nossa comunidade continua a progredir sem perder os valores que a caracterizam”, afirmou.

A responsável considera igualmente importante que os profissionais mais experientes apoiem as novas gerações através de orientação e partilha de oportunidades.

“Faz parte da nossa cultura ajudar os outros. Às vezes basta abrir uma porta, fazer uma apresentação ou dar um conselho para ajudar alguém a avançar na carreira”, disse.

Atualmente responsável por cerca de uma centena de trabalhadores diretos numa instituição com aproximadamente 2.200 funcionários, Coralia Bulhões mantém uma forte ligação às suas origens açorianas, participando nas tradições do Espírito Santo e acompanhando a atividade da comunidade portuguesa da região de Gatineau.


Grupo Aeroporto do Pico defende aumento de voos para responder à procura

Ponta Delgada, Açores, 11 jun 2026 (Lusa) – O Grupo Aeroporto do Pico (GAPix) defende, no âmbito da concessão do serviço público de transporte aéreo regular no interior da região dos Açores 2027-2031, o aumento de voos nas ligações com as ilhas Terceira e São Miguel.

Em comunicado  divulgado, o grupo de cidadãos propõe que no inverno IATA (sigla em inglês da Associação Internacional de Transporte Aéreo) seja contemplada “a manutenção do voo diário entre Terceira e Pico e a implementação em OSP [Obrigações de Serviço Público] de voo diário entre Ponta Delgada e Pico”.

Já no verão IATA é sugerido “um ajuste nas ligações entre a Terceira e Pico, adicionando duas frequências semanais na época intermédia [a proposta é de nove] e três frequências no pico do verão [propostas 14], promovendo aumentos significativos na rota entre Ponta Delgada e Pico quer na época intermédia, quer na época de pico”.

Em relação à ligação aérea entre a ilha do Pico e Lisboa, atualmente com seis voos semanais, é também proposto um aumento por serem “manifestamente insuficientes para a procura existente”.

“Urge, portanto, promover o aumento do número de frequências para sete semanais (voo diário com Lisboa) e, desta forma, libertar muitos lugares em voos interilhas”, é explicado.

O GAPix justifica as sugestões com o objetivo de a região “conseguir dar mais resposta à procura efetiva em rotas em crescimento como o Pico”.

“O turismo no Pico está no bom caminho, mas é necessário ajustar as acessibilidades para bem de todos (turistas e sobretudo residentes)”, lê-se.

A ilha Pico, como qualquer outra dos Açores, “precisa de uma operação aérea interilhas ajustada às suas necessidades”, é também referido.

No comunicado, o porta-voz do grupo, Bruno Rodrigues, salienta que existe “falta de coragem política para ajustar as OSP (quer interilhas, quer territoriais) à procura” do serviço aéreo.

“O Governo dos Açores (PSD/CDS-PP/PPM) lançou hoje o concurso para a concessão do serviço público de transporte aéreo regular no interior da região, com um preço base de cerca de 250 milhões de euros, para o período entre 2027 e 2031.


 

Professores de português no estrangeiro contra novo regime que aumenta precariedade

Lisboa, 10 jun 2026 (Lusa) – Os membros da rede de Ensino de Português no Estrangeiro (EPE) contestaram as alterações ao regime jurídico, previsto pelo Governo, que dizem acentuar a precariedade e diminuir a qualidade da oferta, colocando em risco os lugares destes profissionais.

Numa carta aberta enviada, por ocasião do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, os profissionais da rede EPE (coordenadores, adjuntos, docentes e leitores) manifestam “enorme apreensão à nova proposta de revisão do regime jurídico” do ensino, com um “enquadramento remuneratório” que “aprofunda a precariedade existente”.

O novo regime “mantém profissionais num regime sem vínculo estável, limita a continuidade das funções desempenhadas e coloca em causa a permanência de centenas de trabalhadores atualmente ao serviço do Estado português no estrangeiro”, acusam.

No documento, os subscritores apelam ao Presidente da República, à Assembleia da República, ao Governo e a várias estruturas executivas e forças políticas para que “promovam um processo de diálogo efetivo com os profissionais da rede e procedam à revisão desta proposta, garantindo a estabilidade profissional, a valorização das condições de trabalho, a continuidade dos projetos educativos e a sustentabilidade” do EPE.

Os subscritores recordam que o ensino do português fora de Portugal “constitui um dos mais importantes instrumentos da política externa cultural portuguesa”, sobretudo numa “língua pluricêntrica e global como é o português”.

O “ensino da língua é um elemento essencial da diplomacia cultural de Portugal, contribuindo para o fortalecimento das comunidades portuguesas, da CPLP e da projeção internacional do país” e, “ao longo de décadas, esta rede foi construída graças ao trabalho, dedicação e elevada qualificação dos seus profissionais”, consolidando “projetos educativos” e “parcerias com escolas e universidades”, procurando estabelecer “redes de cooperação internacional” e “a presença da língua portuguesa em contextos cada vez mais exigentes e competitivos”, pode ler-se.

“Trata-se de uma medida com efeitos práticos equivalentes aos de um despedimento coletivo de profissionais altamente qualificados que têm sido responsáveis pela construção e consolidação da rede EPE”, ao fazer cessar os contratos, sujeitando os lugares a novos concursos.

Na carta, perante a “possibilidade de recrutamento através de mecanismos simplificados e com menores exigências de qualificação”, os subscritores manifestam “sérias dúvidas quanto à preservação da qualidade pedagógica e científica” do EPE.

Atualmente, persistem problemas por resolver, como “remunerações desatualizadas, subsídios de residência e apoios à instalação inexistentes e/ou desajustados às responsabilidades exercidas e ao custo de vida dos países de colocação”, pode também ler-se.

“A instabilidade agora criada coloca em causa não apenas percursos profissionais, mas também a segurança e o futuro de famílias inteiras que confiaram no compromisso do Estado português”, acrescenta.

 

0 Comments

Related Articles