A velhice se assemelha
A uma árvore ressequida
Caída, depois de velha,
Sem folhas lhe dando vida!
A velhice é comparada
A um motor muito usado
Com muita coisa falhada,
Diversas vezes parado!…
A velhice vai vivendo
Por certas Graças Divinas,
E o que lhe vai contendo,
São as suas medicinas!…
A velhice nos mal trata,
Tudo quanto precisamos,
Vai faltando e esta falta,
P’rá vida necessitamos!…
Com insegurança vai
Anda dum modo ruim.
E quando o velhinho cai,
É o princípio do fim!…
Ao velhinho nada calha,
Por vezes já não atina,
Cura um orgão, o outro falha,
Vive só da medicina!…
Mesmo sendo bem tratados,
Com tudo bom que se tem
são sempre uns paus mandados,
Pelos que nos tratam bem!…
Em velho, bengala usamos,
Ou outras ajudas temos,
E, o que em novo ensinamos,
Em velho nós aprendemos!…
Velhos, espinha caída,
Mas o seu cérebro contem
Uma experiência de vida,
Cujos novinhos não tem!
Ao velho, a fé lhe acode,
Sonha o que não é capaz,
Aprecia, mas não pode,
Só pensa, mas nada faz!…
A velhice é ajudada,
Até ao resto da vida,
Sempre de espinha curvada
E de cabeça caída!…
Por vezes o velho sente
Vontade, mas não se atreve,
Vendo a moça em sua frente,
Não sabe p’ró que ela serve!…
Tentei mostrar o espelho,
Do que a ideia me salta,
Do que quanto se é velho,
Tudo o que é bom nos falta!…
Termino, podem bem crer,
Sem dizer toda a questão.
Com muito mais p’ra dizer
Vai noutra ocasião!…
Tudo que p’raqui se disse,
Já brincamos com a velhice!…





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