O ministro da Educação afirmou segunda-feira que “a grande maioria” das escolas atingidas pelo mau tempo já reabriu e que as outras reabrem até terça-feira, à exceção de uma em Leiria cujas obras vão demorar duas ou três semanas. Fernando Alexandre sublinhou que “a quase totalidade” dos alunos já teve aulas na semana passada.
“As escolas que ainda não abriram praticamente iam todas reabrir hoje (segunda-feira), algumas amanhã [terça-feira], há uma escola em Leiria que é uma situação mais complexa, que é uma escola grande e que a intervenção vai demorar duas, três semanas, mas a empresa já está lá a trabalhar”, referiu.
Referiu ainda o caso do Agrupamento Vieira de Leiria, na Marinha Grande, cuja cobertura foi “totalmente arrancada” mas “à partida” estará reposta na terça-feira.
O ministro disse que os municípios têm procurado locais alternativos, como bibliotecas, para que as aulas possam funcionar.
Em causa escolas sobretudo em Leiria, Pombal e Marinha Grande, mas também de outros concelhos vizinhos, que sofreram danos consideráveis essencialmente com a depressão Kristin, mas algumas também foram atingidas pelas cheias do último fim de semana.
“Temos também feito um seguimento escola a escola com o abastecimento elétrico, que é um dos casos mais problemáticos”, disse ainda Fernando Alexandre, garantindo que, nos casos de Leira, Pombal e Marinha Grande, hoje está já garantido o acesso à energia em todas as escolas, “seja com a energia da rede, seja através de geradores”. O governante admitiu que, para já, não há um problema de recuperação de aprendizagens, porque “não há muitos dias perdidos”, até porque muitas das escolas estavam em pausas letivas. “Neste contexto, aquilo que é fundamental é garantir que os alunos voltam à escola, e isso está a ser feito. E depois, obviamente, a partir do momento em que retomamos a normalidade, se verá a necessidade de haver aulas suplementares, de haver reposição de aulas e tudo isso para garantir que, obviamente, os alunos, sobretudo aqueles que vão ser avaliados no ensino secundário, não são prejudicados por esta situação”, acrescentou. O governante afastou a hipótese de ensino online, até porque não haveria condições para isso.
Conselheiro apela a emigrantes para que se desloquem a Portugal averiguar danos
O vice-presidente do Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP) apelou aos emigrantes portugueses com habitações nas regiões afetadas pelo mau tempo que se desloquem às suas casas para identificarem os danos e iniciarem os processos de reconstrução.
Paulo Marques, com origens em Espite, no concelho de Ourém, uma das zonas mais atingidas pelas tempestades que afetam Portugal, disse à Lusa que visitou as zonas afetadas e que teve a oportunidade de ver o drama que estas populações estão a viver.
Esta região, adiantou, é berço de muitos portugueses que, como ele, emigraram, sobretudo para a Europa, nomeadamente França, Suíça e Luxemburgo.
“Uma cena dramática. Não pensava ver o que vi”, desabafou, afirmando que manteve ainda contactos com vários elementos das autarquias e freguesias locais, com quem se inteirou da dimensão dos danos.
As comunicações têm-se revelado uma grande dificuldade e uma das razões para Paulo Marques considerar que os portugueses que vivem no estrangeiro, e têm casas nas zonas afetadas, se devem deslocar ao país de origem, pois só assim poderão conhecer a dimensão da destruição.
Enquanto presidente da Associação de Autarcas de Origem Portuguesa (CIVICA) em França, Paulo Marques sabe que milhares de autarcas portugueses neste país já informaram os seus munícipes de origem, no sentido de verificarem se a zona de onde são oriundos, onde têm habitações, está sinistrada.
Contudo, muitos portugueses que moram no estrangeiro não têm acesso a qualquer comunicação com Portugal, nomeadamente nas zonas mais afetadas.
Paulo Marques disse que já existem portugueses emigrados a chegar a Portugal com o objetivo de identificarem os danos das suas habitações e terrenos e alguns já começaram mesmo os trabalhos de reconstrução.
“A deslocação é essencial para verificarem os seus bens”, para “poderem pôr em segurança as suas habitações face às intempéries que sucedem atualmente”, mas também para iniciar os procedimentos de identificação dos danos, processos de seguros, preenchimento de documentos com vista a eventuais apoios.
E sublinhou: “São os nossos pais, são os nossos avós e de facto temos que ter também essa atenção de que, com uma pensão mínima muito, muito fraca, não vão ter meios para poder responder a uma reabilitação das suas casas”.
Sobre os apoios que possam vir a ser atribuídos pelo Estado português para a reconstrução das casas destruídas pela intempérie, o vice-presidente do CCP disse que é provável que também incluam as habitações dos emigrantes.
No ano passado, as casas dos emigrantes portugueses atingidas pelos fogos foram inicialmente excluídas dos apoios públicos, por não serem primeira habitação.
Contudo, e após vários protestos, nomeadamente do CCP, o Governo incluiu os emigrantes portugueses afetados nos incêndios do último verão para efeitos de indemnização por perdas em terrenos agrícolas, equipamentos ou outras construções.






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