Magalhães como inspirador da NASA

by | Apr 15, 2026 | A Descoberta

 

Agora que a Missão Artémis II à Lua nos pôs a sonhar de novo com a exploração espacial, e devolveu à NASA o protagonismo que todos lhe reconhecem (três astronautas americanos a bordo, mais um canadiano), lembrei-me de uma conversa em 2019, em Lisboa, com James Garvin, que foi cientista-chefe da agência espacial americana. Celebrava-se então meio século da ida de Neil Armstrong à Lua e 500 anos da viagem de Fernão de Magalhães, e Garvin não hesitava em comparar os Descobrimentos com a aventura espacial. 

Dizia o cientista americano que os navegadores portugueses, pelo seu pioneirismo, pela coragem de enfrentar o desconhecido, eram um pouco como os astronautas. E destacava sobretudo Magalhães, o português que ao serviço de Espanha descobriu a passagem do Atlântico para o Pacífico, oceano por si batizado e que cuja vastidão foi o primeiro a navegar: “Magalhães era o que na minha área chamaríamos um grande engenheiro de missão aeroespacial. Ele encontrou uma forma de ir a sítios difíceis. Hoje temos esses homens e mulheres a liderar as nossas missões a Marte, de volta à Lua”.

Garvin visitou Portugal em criança, e depois, ao estudar na Brown, em Providence, conheceu muitos portugueses. A curiosidade pelos Açores terá surgido aí, das conversas com os luso-americanos com raízes nas ilhas, mas a seguir a própria investigação científica levou-o até ao Faial. O vulcão dos Capelinhos é um maná de informação, disse-me. E passados três anos da conversa em Lisboa, reencontrei nos Açores, na GlexSummit, (parceria do português Manuel Vaz e do Explorers Club de Nova Iorque), o cientista-chefe da NASA e entrevistei-o de novo, depois de uma ida exatamente aos Capelinhos. Continuava um apaixonado pela História de Portugal e deslumbrado com os Açores, além de empenhadíssimo nas suas investigações. 

Foi Manuel Vaz, da Exploring, quem me apresentou em 2021 numa ida a Nova Iorque Laurence Bergreen, autor de um best-seller sobre Magalhães. Antes de se tornar biógrafo do navegador português, escreveu uma história da NASA. E sempre que falava com alguém para a pesquisa, contou-me Bergreen, diziam que se inspiravam em Magalhães. Foi assim que nasceu a decisão de escrever o livro sobre o português que dá nome a duas galáxias anãs, as Nuvens de Magalhães. 

* Jornalista do DN. É doutorado em História e autor do livro ‘Encontros e Encontrões de Portugal no mundo’.

 

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