Fátima, 12 ago (Lusa) – A lua escondeu o sol e encantou alguns dos peregrinos que hoje estavam no Santuário de Fátima para a tradicional Peregrinação dos Emigrantes, mas acabaram a tarde de olhos postos no céu a testemunhar um histórico eclipse solar.
A escadaria da Basílica de Nossa Senhora do Rosário foi o “palco” escolhido por uma família de nove pessoas, natural de Braga, mas que se encontra emigrada no Mónaco.
Sempre que regressam de férias a Portugal, a passagem por Fátima é obrigatória e, este ano, por coincidência, “é dia de um fenómeno raro”.
“Conseguimos comprar óculos para todos e quem sabe não assistimos hoje a um milagre”, atirou Laura Costa, enquanto olhava para o céu.
A curiosidade e a ansiedade entre os mais novos era grande e, à medida que o tempo ia passando, iam partilhando que “a bola amarela” ia ficando cada vez “mais pequenina”.
“Isto é muito bonito! Também quero ver a chuva de estrelas!”, referiu Mia Alves Martins, de nove anos, momentos antes de ficar visível apenas “uma pequena linha laranja”, numa altura em que a temperatura baixou ligeiramente.
Já entre os mais velhos, o eclipse lunar trouxe à conversa o “Milagre do Sol”, que aconteceu a 13 de outubro de 1917, em Fátima, perante milhares de pessoas.
Na altura, as testemunhas relataram que o astro começou a girar como uma roda de fogo, mudando de cor, e pareceu cair em ziguezague em direção à Terra, espalhando um calor que secou instantaneamente o chão e as roupas molhadas, num dia que tinha sido de chuva.
Esta tarde assistiu-se, pela primeira vez desde 1912 a um eclipse do sol, que total (100%) foi apenas no Parque Natural de Montesinho, no nordeste transmontano, sendo parcial (entre 92% e 99%) na maior parte do continente.
O próximo será só em 2144 e “nessa altura já não estaremos cá”.
“Tivemos a oportunidade estar aqui hoje, num local maravilhoso, onde se respira paz. Não foi planeado, mas quis o destino que tivesse sido aqui: só pode ter sido um sinal”, acrescentou Carla Martins.
Da zona de Lisboa veio também, ao Santuário de Fátima, um grupo de oito mulheres para “ter o privilégio de levar o andor” da Nossa Senhora de Fátima, porque “servir a Nossa Senhora é uma missão”.
Nem todas trouxeram óculos certificados para assistir ao eclipse lunar, mas a Ana Luzia, de Pinhal Novo, não quis desperdiçar a oportunidade de acrescentar este fenómeno à fé que carrega.
“É a fé que nos salva e foi uma sorte o eclipse calhar no dia desta peregrinação”, concluiu.






0 Comments