Lowell e os naturais da Graciosa em festa, Serafim da Cunha

by | Nov 26, 2025 | Apontamento

Voltar a sonhar é o meu sonho de acreditar que há algo que é válido para mim desde muitos anos de vida, e é sim a ausência de muitos sonhos de vida que não aconteceram porque a força da criatividade tecnológica e digital levou a humanidade para a ganância do poder e do dinheiro, esquecendo-se do ser humano. Contudo, a ilha fascina os habitantes locais, bem como os que a deixaram em procura de uma vida nova e diferente. Porém, o sonho de regressar é constante porque a beleza da Ilha nunca é esquecida. 

Foi um grupo de jovens e mais velhos que em Lowell que tem mantido a filosofia dos graciosenses nesta cidade perto de Boston, MA onde todas as tradições existem e aceitam gente de todo o mundo em paralelo com Lowell. 

Temos de agradecer a um grupo voluntarioso de senhoras e senhores filhas/os e amigos que há muitos anos Rui Vasconcelos tem dirigido o convívio da noite familiar e também dos amigos. 

A Graciosa é branca e bonita, são alguns dos sinónimos da segunda mais pequena ilha dos Açores. Graciosa é geralmente titulada, não só pelos que a visitam, mas também pelos que lá viveram, nasceram, mas que tiveram de partir. Para quem parte a recordação é sempre mais existente, mais ambiciosa do que para os que ficam. A beleza do azul forte do mar, que se espreguiça por vezes calmo e sereno, e outras enfurecido na costa baixa ou escarpada da ilha, traz ao graciosense o cheiro refrescante e gostoso das lapas, do bom peixe e da caldeirada que o acompanha ou acompanhou pela vida. 

É sem dúvida esse peixe, essas lapas e essa terra fértil que mantém a alma graciosense viva indepen-dentemente da localidade em que se encontre no globo terrestre. 

Não é por coincidência que as manifestações de recordação se repetem na Europa, África, América do Norte e Sul, Canadá etc. com a mesma intensidade pelos que foram constrangidos e deixaram a ilha, procurando melhores paragens, já que nem sempre as condições socioeconómicas foram as melhores na terra que os viu nascer. 

Podemos dizer que nas primeiras décadas do século passado, para não falar das posteriores, a vida graciosense era tradicionalista por épocas. Podemos vê-la por dois prismas, o do trabalho e o das festas. A época do trabalho começava com a preparação, plantação e apanha dos frutos que a terra germinava generosamente em abundância para todos, independentemente da classe social a que pertenciam. Existia estratificação social criada pelos que tinham, ou herdavam, algo de alguém mais abastado, discriminando os que menos tinham. A discriminação social típica das ilhas Açoreanas durou muitos séculos. 

Os falsos-nobres, bem como os falsos – latifundiários governavam a vida dos pobres trabalhadores desumanamente. 

Contudo a pequenez da ilha não levou estes grandes fidalgos, ou financeiros, o que na verdade emergiu do servilismo de alguns graciosenses foram títulos nobres em recompensa dos serviços prestados a titulares de outras ilhas e do continente. Embora muitos séculos se tenham passado, o pretensiosismo de um grupo minúsculo pretende dizer que representam a classe rica e a nobreza da ilha. Gente que ainda hoje continuam sonhado com uma realidade que nunca existiu, apoiando-se em falsas fortunas e títulos, sendo hoje na sua maioria serventes públicos apadrinhados como sempre por velhos amigos, são em geral estes que se sentem inconfortáveis com a presença dos que deixaram, a ilha, e regressam para umas curtas férias. 

“A Graciosa é para os graciosenses. Esta é uma das frases mais habituais na voz dos graciosenses que vivem permanentemente na ilha. Uma ilha com pouco mais de quatro mil habitantes não pode sobreviver sem os que a procuram, indepen-dentemente de onde provenham. O dinheiro que eles trazem tem sempre impacto na economia, já que hoje e, mais do que nunca os visitantes ajudam a economia debilitada da ilha. Hoje a vida na ilha e mais preocupante por que tudo e mais caro, tal como o país se encontra. 

É difícil para os governantes manter as ilhas em condições a todos os níveis para que o povo se sinta seguro nos seus trabalhos e com escolas e hospitais para a sua família. O dr. António Reis luta já há muito tempo para que a ilha se sinta segura em todas as áreas o que será bom para todos os habitantes na ilha. Os habitantes também lamentam que a SATA não segue os voos regularmente, o que é lamentável. As restantes indústrias, mas nós não só abandonamos a terra como o mar. Para onde se caminha? A resposta deve estar na capacidade criativa dos graciosenses residentes, no desenvolvimento de novas indústrias e tecnologias e digital para o desenvolvimento. Hoje a exploração do mar é muito rica na nossa área explorativa na nossa Graciosa, o que leva os cientistas mundiais estudarem na nossa área.  Para terminas digo, também sou graciosense, nasci nas Dores e vivi na linda Vila de Santa Cruz. 

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