João Manuel de Figueiredo, nascido no Porto, era um comerciante instalado em Buenos Aires desde 1814. Em 1820, de regresso ao Rio de Janeiro, então capital do Império Português, recebeu de D. João VI o cargo de cônsul em Buenos Aires, cidade que liderava a revolta contra Espanha das chamadas Províncias Unidas do Rio da Prata, a atual Argentina.
Razões várias retardaram a viagem de Figueiredo, mas quando finalmente voltou a Buenos Aires, já como diplomata, ganhou um lugar na História ao apresentar a 28 de julho de 1821 credenciais junto das autoridades argentinas, o que significou o reconhecimento da independência do novo país.
Portugal tornou-se assim o primeiro país a reconhecer a Argentina, facto sempre recordado pelos embaixadores argentinos em Lisboa na celebração do dia nacional. Em 2021, por ocasião dos 200 anos da entrega de credenciais de Figueiredo, o momento histórico foi recordado em diversos atos oficiais, com relato dos dias intensos passados pelo novo cônsul nesse regresso a Buenos Aires: entrega das credenciais ao ministro das Relações Exteriores, Bernardino Rivadavia, que se tornaria o primeiro presidente das Províncias Unidas do Rio da Prata; presença no funeral do general Manuel Belgrano, herói, tal como o general José de San Martin, da independência argentina; participação na abertura da Universidade de Buenos Aires. A 11 de agosto, Figueiredo foi mesmo o protagonista de um segundo momento da história diplomática de Portugal, ao comunicar aos representantes do Chile o reconhecimento da independência por D. João VI, entretanto de volta a Lisboa.
Figueiredo morreu de forma inesperada a 21 de agosto de 1821, na sua casa em Buenos Aires. Foi sepultado no convento de Santo Domingo, onde jaz igualmente o general Belgrano.
As invasões francesas da Península Ibérica a partir de 1807 tinham obrigado o monarca português a atravessar o Atlântico para não ser capturado. Pior sorte teve o rei espanhol, Fernando VII, pois foi aprisionado e substituído no trono por um irmão de Napoleão Bonaparte. Depois de ser o centro do Império Português durante 13 anos, o Brasil caminhou imparável para a independência, proclamada em 1822. Ainda antes disso, as várias colónias espanholas nas Américas, do México à Argentina, tinham já assumido a rutura com Fernando VII, entretanto reposto no trono em Madrid.





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