Governo dos Açores lança concurso para cartografia topográfica vetorial de elevado detalhe

by | Apr 6, 2026 | Outras Notícias

Ponta Delgada, Açores, 06 abr 2026 (Lusa) – Os Açores vão lançar este ano um concurso para aquisição de serviços de cartografia topográfica vetorial de elevado detalhe, num investimento de 2,2 milhões de euros, revelou hoje o secretário regional do Ambiente e Ação Climática.

“Com este procedimento para a aquisição de serviços de cartografia topográfica vetorial, que será lançado ainda em 2026, representando um investimento de 2,2 milhões de euros, a região passa a dispor de informação de elevado detalhe de toda a sua superfície, nomeadamente modelos digitais do terreno e de superfície de elevada resolução, algo inédito até então, assegurando uma evolução muito significativa, com reflexos relevantes ao nível do conhecimento, planeamento e gestão do território”, afirmou o titular da pasta do Ambiente nos Açores, Alonso Miguel, citado numa nota de imprensa.

O governante falava a propósito de um curso de formação em Produção e Análise de Superfícies LiDAR (Light Detection and Ranging), realizado na ilha de São Miguel, para capacitar os profissionais da administração pública regional no tratamento e análise de dados LiDAR e de fotogrametria.

Alonso Miguel lembrou que “o Governo Regional [PSD/CDS/PPM] promoveu a realização, em 2024, de um levantamento aerofotogramétrico, com varrimento LiDAR, que será tornado público brevemente”.

Por outro lado, disse que o executivo está a ultimar um procedimento concursal para a produção de cartografia topográfica vetorial, “à escala de 1:2.000 para as áreas edificadas e de 1:10.000 para as áreas não edificadas”, para dotar a região de uma “base cartográfica comum e normalizada”.

Segundo o titular da pasta do Ambiente, a cartografia de pormenor é “fundamental no âmbito dos processos de planeamento territorial, nomeadamente, para a alteração de Instrumentos de Gestão Territorial, com especial enfoque na alteração e revisão dos Planos Especiais de Ordenamento do Território e dos Planos Municipais de Ordenamento do Território (PDM)”.

O Programa Regional para as Alterações Climáticas define que estes instrumentos “devem desenvolver cartografia de pormenor à escala de 1:2.000 ou superior, sempre que visem determinar o afastamento de edificações, equipamentos ou infraestruturas de zonas de risco significativo”.

Alonso Miguel salientou que a nova cartografia vai permitir atualizar, de forma detalhada, as faixas das áreas edificadas dos Açores “expostas aos riscos costeiros durante a ocorrência de eventos extremos” e a “criação de cenários no âmbito das alterações climáticas, contribuindo para a definição de medidas de mitigação e de adaptação”.

De 27 de março a 02 de abril, participaram na formação em Produção e Análise de Superfícies LiDAR , promovida no âmbito do projeto Life IP Climaz, 35 funcionários públicos, das áreas da proteção civil, do ambiente e ação climática, do ordenamento do território, dos serviços florestais e das políticas marítimas e do Laboratório Regional de Engenharia Civil.

“De nada serviria capacitar a região com equipamentos tecnológicos de ponta, se não fosse ministrada a correspondente formação, que permita aos técnicos da administração pública tirar o máximo partido da utilização eficiente destas ferramentas”, apontou o secretário regional.

O governante sublinhou que, “desde 2022, já foram investidos cerca de 1,5 milhões de euros para capacitação da região com equipamentos tecnológicos, fundamentais para o desenvolvimento e atualização de cartografia nas nove ilhas”.

Só em 2023, o executivo adquiriu “quatro estações totais, quatro recetores GNSS, nove drones multirotores, uma estação permanente GNSS, três quadrirotores para levantamento LiDAR, três ‘workstations’, três restituidores fotogramétricos, um laser scanner e nove recetores GNSS para a rede de estações permanentes”, num investimento superior a 800 mil euros, financiado a 100% no âmbito do programa REACT-EU.

“Com o salto tecnológico que a região deu será possível atualizar conteúdos cartográficos com maior frequência, sendo esta informação também pertinente para a investigação e ciência e para o tecido empresarial dos Açores”, reforçou Alonso Miguel.

 

 

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