EUA atacam a Venezuela e capturam o presidente Maduro

by | Jan 7, 2026 | Notícias das comunidades

 

Na madrugada de sábado (3), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usou a sua própria rede social para anunciar que os Estados Unidos tinham atacado a Venezuela e capturado o seu presidente Nicolás Maduro. Trump disse que Maduro foi retirado do país e trazido para New York a fim de ser julgado por narcoterrorismo e corrupção.

Maduro está no poder desde 2013 e conquistou um terceiro mandato no ano passado após uma eleição contestada. O presidente, de 63 anos, ex-motorista de autocarro, liderou um colapso económico prolongado na outrora relativamente rica nação sul-americana, provocando um êxodo de cerca de 7,7 milhões de migrantes, muitos dos quais celebraram agora a detenção de Maduro.

O país da OPEC foi governado por socialistas por um quarto de século, quando o falecido Hugo Chávez venceu a eleição presidencial de 1998. Quase 82% dos venezuelanos vivem na pobreza, com 53% em pobreza extrema, incapazes de comprar até mesmo alimentos básicos, disse à Reuters um relator especial da ONU em fevereiro.

Não se sabe se Trump agiu com a aquiescência do Congresso, como manda a Constituição norte-americana. Os Estados Unidos não faziam uma intervenção tão direta na América Latina desde a invasão do Panamá em 1989 para depor o líder militar Manuel Noriega, também para ser julgado por tráfico de droga.

O ataque durou cerca de uma hora e visou, sobretudo, instalações militares em Caracas, nomeadamente La Carlota e Forte Tiuna, que são as bases mais importantes das Forças Armadas venezuelanas.

A operação foi levada a cabo pela Delta Force, unidade de elite do Exército dos Estados Unidos que há 35 anos também esteve na captura do presidente Manuel Noriega, após a invasão do Panamá ordenada pelo presidente George H. W. Bush contra outro presidente suspeito de narcotráfico.

Especializada em contraterrorismo e resgate de reféns, a Força Delta foi criada em 1977 depois de vários incidentes terroristas terem levado os EUA a optar por desenvolver uma unidade de contraterrorismo a tempo inteiro.

Com sede em Fort Bragg, na Carolina do Norte, a Delta Force opera sob o Comando de Operações Especiais do Exército dos EUA e responde ao Comando Conjunto de Operações Especiais (JSOC).

Apesar da maior parte das suas missões serem confidenciais, ao longo dos anos algumas acabaram por se tornar de conhecimento público. Uma das primeiras terá sido a tentativa de resgatar, em abril de 1980, a meia centena de reféns da embaixada dos EUA em Teerão onde se encontravam desde novembro de 1979, e que não correu bem. Os reféns só seriam libertados em janeiro de 1981, minutos apenas após a tomada de posse do presidente Ronald Reagan.

Ao longo dos tempos, foram muitas outras as operações nas quais a Força Delta esteve envolvida, desde a Somália ao Iraque (onde em 2003 estiveram na captura de Saddam Hussein), do Afeganistão ao ataque ao complexo na região de Idlib, na Síria, onde estava refugiado o líder do Estado Islâmico, Abu Bakr al-Baghdadi, que acabou por se fazer explodir antes de ser capturado.

Há uma significativa comunidade portuguesa na Venezuela, estimada em cerca de meio milhão de pessoas e sendo a segunda maior da América Latina (depois do Brasil), com forte presença madeirense, concentrada em Caracas e outras cidades como Valência, Maracaibo e Puerto Ordaz.

Embora a predominância seja de imigrantes da Ilha da Madeira, também há muitos de Aveiro e Porto, e estão fortemente integrados na economia venezuelana, com grande presença no setor de distribuição alimentar e retalho (supermercados, etc.).

A afluência de emigrantes portugueses para a Venezuela iniciou-se na década de 40, prolongando-se até meados dos anos 80. De 1950 a 1969 chegaram ao território venezuelano 73.554 portugueses, dos quais 38.737 da Madeira, 17.286 do distrito de Aveiro, 7.214 do distrito do Porto e os restantes noutros pontos do país.

Num primeiro momento estes emigrantes dedicavam-se, sobretudo, à agricultura. Contudo, a partir de 1948 a grande maioria dedicou-se ao comércio, essencialmente de alimentos, e rapidamente começou a diversificar-se para a pequena e média indústria, sobretudo no setor das manufaturas.

Cerca de 220.000 pessoas estavam registadas nos serviços consulares portugueses na Venezuela em novembro do ano passado, mas este número não inclui os lusodescendentes, pelo que as autoridades calculam que a dimensão da comunidade “seja bastante superior”.

Atualmente residem na Venezuela 53.478 pessoas nascidas em Portugal, a esmagadora maioria oriunda da Madeira e, devido à insegurança e instabilidade que se vive atualmente no país, muitos luso-venezuelanos têm regressado a Portugal.

O Governo português anunciou não haver indicações de que cidadãos portugueses tenham sido afetados pelos ataques.

Entretanto, na Flórida, centenas de venezuelanos celebraram a ação militar manifestando-se frente ao El Arepazo, um centro cultural venezuelano em Doral, perto de Miami, mas nem toda a gente nos EUA concorda com a operação e tiveram lugar dia 3 de janeiro mais de 70 manifestações de protesto, uma das quais em Providence, Rhode Island, frente ao tribunal federal.

“Para nós, isto foi uma gota de água”, disse Haimbodi. “Não se pode agir como se o mundo estivesse perdido ou como se o quintal estivesse perdido, depois do que os Estados Unidos fizeram nos últimos 250 anos”.

As autoridades locais eleitas da região também divulgaram declarações sobre a operação e o senador Jack Reed, membro sénior da Comissão dos Serviços Armados do Senado, condenou o ataque considerando que “o presidente Trump declarou guerra a uma nação estrangeira sem autorização, sem notificação e sem qualquer explicação ao povo norte-americano”.

O congressista Seth Magaziner classificou o ataque militar como um abuso de poder e adiantou que “o povo americano não quer ser arrastado para outra guerra, nem quer ocupar outro país apenas para enriquecer os executivos petrolíferos”.

“Maduro é um mau rapaz. Mas há muitos países governados por tipos maus, e aprendemos no Iraque o que pode acontecer quando um presidente americano inicia uma guerra de forma imprudente, sem um plano para garantir a paz. Não podemos cometer esse erro novamente”, acrescentou Magaziner.

Em Massachusetts, o congressista Bill Keating também condenou veementemente a notícia divulgada por Trump de que os Estados Unidos vão “gerir” a Venezuela e a sua produção de petróleo, “o que coloca vidas americanas em perigo, desestabiliza a região e arrisca outra guerra sem fim”.

A senadora Elizabeth Warren questionou qual será o próximo passo de Trump considerando que “a ação militar unilateral do presidente Trump para atacar outro país e prender Maduro – por mais terrível ditador que seja – é inconstitucional e ameaça arrastar os EUA para mais conflitos na região”.

A congressista lusodescendente Lori Trahan disse que, embora Maduro seja um ditador brutal, isso não justifica que a administração Trump ignore o Congresso.

“O Congresso deve ser informado imediatamente sobre a justificação legal para este ataque, o custo para os contribuintes norte-americanos e a estratégia e o caminho a seguir do governo na Venezuela e em toda a região”, acrescentou Lori.

Mas nem todos discordaram.

“A ação executada na Venezuela representa uma liderança histórica dos EUA na guerra contra o narcoterrorismo transnacional”, disse Amy Carnevale, a presidente do Partido Republicano de Massachusetts. “Graças à liderança decisiva do presidente Trump, Nicolás Maduro será finalmente responsabilizado pelos seus crimes hediondos. O mundo está mais seguro graças à liderança americana”.

 

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