Eça de Queiroz, cônsul em Havana

by | Jan 14, 2026 | A Descoberta

 

Nascido na Póvoa de Varzim em 1845, José Maria Eça de Queiroz é conhecido sobretudo como romancista, com várias obras entre o melhor da Literatura Portuguesa, como ‘Os Maias’. Mas o escritor, que estudou Direito em Coimbra e chegou a ser repórter ao serviço do Diário de Notícias, teve como profissão a diplomacia. E a estreia foi em 1872 como cônsul em Havana, nas Antilhas Espanholas, ainda antes da independência de Cuba. 

Chegado a Havana, Eça deparou com uma situação que o indignou: o tratamento dado aos chineses que trabalhavam nas plantações de cana de açúcar. E que tinham embarcado em Macau, cidade sob domínio português, mesmo que oriundos de outras partes da China. A escravatura ainda existia na ilha, com a abolição total a acontecer só em 1886, mas a proibição do tráfico negreiro transatlântico levara à substituição de africanos por asiáticos nas plantações. Os chineses tinham contrato de trabalho mas eram tratados quase como escravos. 

Portugal, que recebeu várias cartas de alerta do cônsul, acabou por proibir o uso de Macau como porto de embarque de trabalhadores chineses, já Eça tinha deixado a ilha. Mas ficou na memória a preocupação do escritor com os direitos dos ‘coolies’, os trabalhadores braçais oriundos da Ásia. Hoje o escritor tem um busto em Havana. E há um filme a contar essa passagem de Eça por Cuba: ‘O nosso cônsul em Havana”.

Depois de Havana, a carreira diplomática de Eça incluiu os consulados nas cidades inglesas de Newcastle e Bristol. Enviado para França, acabou a carreira como diplomata em Paris, onde morreu em 1900. 

 

* Jornalista do DN. É doutorado em História e autor do livro ‘Encontros e Encontrões de Portugal no mundo’. 

 

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