Crónica de uma viagem a Artesia, Califórnia

by | Jan 14, 2026 | Do Diretor

 

E lá fomos noutra missão, que não a de jornalista, até Artesia, pequena cidade com pouco mais de 16 mil habitantes, no Condado de Los Angeles, sul da Califórnia. Sombras, a emblemática e temática banda de grande sucesso nos anos 60 nos Açores, foi convidada para atuar na Irmandade do Divino Espírito Santo na festa de passagem de ano, desta cidade ladeada por Cerritos e Norwalk e onde quase 10 por cento da população é portuguesa e lusodescendente. Os Sombras, para além do autor destas linhas, são constituídos por Roberto Bettencourt (guitarra e voz principal), António Figueiredo “Kiko” (viola baixo e voz, a residir em Cambridge, Ontário, Canadá), Carlos Madureira (bateria e voz). Faltou o Ilídio Gomes (guitarra e voz), a residir em Porto Martins, Terceira, que por motivos de força maior, foi-lhe impossível atravessar o Atlântico. O grupo atua normalmente 2-3 vezes por ano, mais para o convívio dos seus componentes e seguidores, assim em jeito de “desenferrujar” os instrumentos. A atuação dos Sombras foi, como sempre, do agrado geral prevendo-se outros espetáculos na Califórnia e até mesmo na terra de origem.

Tendo no terceirense Tony Rodrigues como cicerone, lá fomos visitar o local de atuação do grupo, o D.E.S., uma excelente estrutura e digna presença portuguesa em Artesia, o epicentro de praticamente todas as atividades e iniciatias sócioculturais da comunidade lusoamericana.

A Irmandade D.E.S. de Artesia foi fundada em 1927, precisamente com o objetivo de preservar as tradições portuguesas nesta cidade do sul da Califórnia, na fronteira do Orange County, tendo surgido após a fundação da Igreja Católica da Sagrada Família em 1925 pelo padre Manuel Vicente, o seu primeiro pároco. A sua principal missão é manter a Banda de Artesia DES e o Clube de Futebol de Artesia DES, duas iniciativas que têm grande aderência de jovens lusodescendentes e que asseguram assim a continuidade desta importante presença lusa em Artesia. O clube de futebol tem-se envolvido em diversos torneios com equipas da área e do norte da Califórnia, sobretudo do Vale de São Joaquim, onde reside numerosa comunidade açoriana na sua maioria das ilhas Terceira, São Jorge e Pico.

Quanto à banda, é atualmente uma das mais conceituadas filarmónicas portuguesas dos EUA composta por cerca de meia centena de músicos e atuações regulares em festas e todo o tipo de evento nas comunidades da diáspora: Califórnia, Nova Inglaterra, Canadá e Açores.

Fundada em 1972, é a segunda filarmónica portuguesa mais antiga da Califórnia e terá surgido de uma ideia de um grupo de pessoas que queria formar uma banda para apoiar musicalmente uma dança de espada no Carnaval e pela mão de António Diniz Coelho lá foi criada a Filarmónica de Artesia DES. A primeira atuação da banda aconteceu em 1973 no âmbito do festival “Espírito Santo” em Artesia.

O D.E.S. é dotado de uma ampla, moderna e funcional estrutura, com dois polivalentes salões para eventos públicos e privados, com amplo espaço para festas ao ar livre contendo um coreto para a banda e outro tipo de agrupamento musical, dotado de vários bares de apoio, cozinhas e nas traseiras do prédio, uma mini-praça de touros, ou não estivéssemos a falar de portugueses na sua maioria oriundos da ilha Terceira.

O D.E.S. de Artesia exerce ainda um impacto sóciocultural na cidade ultrapassando as barreiras étnicas, pois tem sido palco de visita de diversas entidades dos mais diversos quadrantes sociais da cidade e do estado e servido de elemento de integração na sociedade de acolhimento, o que é de louvar e que deve servir de exemplo para muitas das nossas organizações desta região.

 

Um agradecimento ao casal Tony e Elizabeth Rodrigues, residentes em Buena Park, e ainda ao Moisés Lourenço e sua esposa, em Cypress, que nos acolheram amavelmente num serviço altamente de cinco estrelas e que contribuiram para uma jornada muito agradável, não esquecendo também os casais Lino Lourenço e esposa e João Macedo e esposa e muitas outras pessoas que fizeram questão de nos saudar e conviver um pouco. 

Muito obrigado. Eternamente gratos.

 

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