Cristiano Ronaldo jantou com Trump na Casa Branca

by | Nov 26, 2025 | Expressamendes

Cristiano Ronaldo, 40 anos de idade, capitão da seleção portuguesa de futebol e jogador do Al-Nassr da Arábia Saudita (e o primeiro futebolista a tornar-se multimilionário com fortuna estimada em 1,4 mil milhões de dólares, segundo contas da Bloomberg), esteve dia 18 de novembro na Casa Branca num banquete de boas-vindas oferecido pelo presidente Donald Trump à delegação saudita que acompanhou o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman na sua primeira visita a Washington desde o assassinato em 2018 de Jamal Khashoggi, jornalista do Washington Post e dissidente saudita, que foi esquartejado por agentes sauditas no consulado do seu país em Istambul (para caber dentro de uma mala), aonde havia ido para obter a documentação necessária para se casar com a sua noiva.

A CIA concluiu que o príncipe provavelmente aprovou o assassínio dada a sua omnipotência sobre todo o aparelho de segurança do reino, mas Trump defende que ele “não sabia de nada” e recebeu bin Salman na Casa Branca com salvas de canhões, desfile de cavalos negros e um sobrevoo de seis caças.

Trump e Mohammed bin Salman começaram por ter um almoço de trabalho na Casa Branca durante o qual o herdeiro do reino do Médio Oriente terá obtido garantias quanto à proteção militar norte-americana e às aquisições de 24 caças americanos F35 (os mais avançados tecnologicamente) e 300 tanques Abraams, e em contrapartida terá feito a promessa de aumento dos investimentos sauditas nos Estados Unidos para um bilião de dólares.

Claro que Cristiano não tem nada a ver com isto, mas acontece que Mohammed bin Salman, vulgarmente conhecido pela sigla MBS, é o “bossa” dele, uma vez que preside ao Fundo Soberano da Arábia Saudita (PIF), que é dono dos quatro maiores clubes sauditas – Al Hilal, Al Itthad, Al Ahli e Al Nassr, este último o clube de Cristiano desde 2022.

Consta que a Arábia Saudita estará a usar o futebol para limpar a sua imagem e a contratação de um craque como Cristiano fará parte desse processo. Em junho deste ano, o português renovou o contrato milionário com o Al Nassr até 2027, que está avaliado em 677 milhões de dólares e incluiu um bónus de assinatura de 24,5 milhões de dólares, um salário base de cerca de 245 milhões de dólares por ano e muitos outros benefícios. Mas além de marcar golos pelo Al Nassr (já vai em 15 na época 2025-26), Cristiano tem de assumir um papel de promoção do país e o banquete à luz de velas no Salão Leste da Casa Branca terá feito parte dessas atribuições.

Cristiano não se saiu mal entre a realeza saudita e magnatas. Entre outros, Elon Musk, o trilionário dono da Tesla (e Cristiano, que raramente conduz, tem 40 carros de luxo) adorou falar com ele.

Também presente, Gianni Infantini, presidente da FIFA que promove o campeonato mundial de futebol. O próximo, a ter lugar em 2026, é organizado pelos Estados Unidos, Canadá e México, e, salvo algum problema físico, Cristiano jogará uma vez que Portugal já se qualificou, mas já não deverá alinhar no campeonato seguinte, 2030, organizado pela Arábia Saudita.

Presume-se que os Mundiais tenham sido a razão do convite a Cristiano e a aproximação a Trump começou em junho, na vila canadiana de Kananaskis e à margem da cimeira do G7, quando António Costa, presidente do Conselho Europeu, entregou a Trump uma camisola da seleção portuguesa autografada por Cristiano Ronaldo e na qual o jogador escreveu a frase “Para o presidente Donald Trump, Playing for Peace”.

Mais recentemente, numa entrevista dada em Riad ao jornalista britânico Piers Morgan, e divulgada a 6 de novembro por um canal britânico de TV, Cristiano manifestou interesse em conhecer Trump: “É uma das pessoas que quero conhecer, gostava de ter uma boa conversa com ele. É alguém de quem gosto mesmo porque é uma das pessoas que consegue fazer as coisas acontecer”.

Donald Trump já sabia da existência de Cristiano. Em 27 de junho de 2018, ainda no seu primeiro mandato, recebeu na Casa Branca o presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, e, lembrando a popularidade de Cristiano, Trump provocou o visitante dizendo-lhe que, devido à sua popularidade, ele poderia vencer uma eleição presidencial em Portugal.

Marcelo desenrascou-se dizendo: “Há uma coisa que lhe devo dizer, Portugal não é como nos EUA, é um pouco diferente”.

Pouco se sabe da visita de Cristiano à Casa Branca, mas embora tenha coincidido com a visita de estado da delegação da Arábia Saudita encabeçada pelo príncipe herdeiro ao trono, Cristiano viajou para Washington de jato privado, sem estar inserido na delegação oficial saudita e teve honras de dedicatória especial do presidente Trump.

Quando usou da palavra antes da refeição, Donald Trump aludiu ao futebolista português pelo facto do seu filho mais novo, Barron, “ser um grande fã de Ronaldo”. Com a ida de Cristiano à Casa Branca, Barron “pôde conhecê-lo” e regozijou-se por isso.

“Acho que ele agora respeita um bocadinho mais o pai só pelo facto de lhe ter apresentado Ronaldo”, brincou Trump, citado pelo jornal The Athletic. Tanto quanto se sabe, terá sido a única referência ao futebolista português durante o banquete, mas já não foi pouco.

Recorde-se que Cristiano não vinha aos Estados Unidos desde agosto de 2014, quando alinhou num encontro particular pelo Real Madrid frente ao seu anterior clube, Manchester United, e desde então não visitou o país devido aos seus problemas com a ex-modelo norte-americana Katheryn Mayorga.

A americana acusou o jogador de a violar durante um encontro entre ambos, em junho de 2009 num hotel de Las Vegas e afirmou que, em 2010, ele lhe terá pago $375.000 para que não falasse sobre o que aconteceu. Em 2019, a defesa de Mayorga pediu a reabertura do processo por danos civis e exigiu uma indemnização de 25 milhões de dólares, mas em 2023 a justiça do estado de Nevada rejeitou o recurso e arquivou o caso por falta de provas.

Tudo isto acaba por ter a sua piada, uma vez que, depois do episódio da violação em Las Vegas, a primeira vez que Cristiano visitou os Estados Unidos foi para ser recebido na Casa Branca e jantar com o presidente.

 

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Carlos Lopes e Neemias Queta na Casa Branca

Além de Cristiano Ronaldo, dois outros desportistas portugueses foram recebidos oficialmente na Casa Branca: o basquetebolista Neemias Queta e o atleta Carlos Lopes.

Neemias Queta, português filho de guineenses e nascido em Lisboa, foi recebido na Casa Branca com os Boston Celtics, equipa que ele integra, no dia 21 de novembro de 2024.

A tradição de receber campeões da National Basketball Association na residência presidencial remonta a 1963, quando os Celtics liderados por Bill Russell visitaram o presidente John F. Kennedy. Em 2024, Joe Biden deu continuidade a essa herança ao acolher a equipa mais vitoriosa da história da NBA, agora com 18 títulos no seu palmarés.

Neemias Queta, que desempenhou um papel importante na rotação dos Celtics durante a temporada, recebeu destaque especial como o primeiro português a integrar esta tradição.

Neemias Queta é o primeiro, e único, português a jogar na NBA, sendo também o primeiro português a sagrar-se campeão da principal liga de basquetebol profissional.

Quanto a Carlos Lopes, foi recebido na Casa Branca por Ronald Reagan pela sua vitória na maratona dos Jogos Olímpicos de Los Angeles de 1984 e estava acompanhado por João Rocha, presidente do clube que representava, o Sporting Clube de Portugal.

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