Crimes que deram que falar: Quem matou Chandra Levy?

by | Jan 7, 2026 | Crimes

 

Na primavera de 2001, Chandra Levy preparava-se para regressar a casa em Modesto, na Califórnia. A estudante de 24 anos, prestes a formar-se, tinha acabado de completar um estágio no Departamento Federal de Prisões em Washington, DC, e estava ansiosa por subir ao palco na sua cerimónia de graduação.

Nascida e criada em Modesto, Chandra era conhecida pela sua inteligência, determinação e curiosidade. Estava a frequentar o mestrado em administração pública na Universidade do Sul da Califórnia e tinha conseguido um estágio concorrido em Washington, DC.

O estágio terminou em abril de 2001 e Chandra tencionava regressar a casa no dia 5 de maio. Porém, nunca chegou. Assim que os pais de Levy participaram o seu desaparecimento, a polícia começou a procurar pistas. No seu apartamento, encontraram a sua mala, cartões de crédito e cheques não descontados, nada que sugerisse que tivesse planeado sair voluntariamente.

Depois veio uma bomba: surgiram informações de que Chandra tinha um envolvimento romântico com Gary Condit, congressista casado da Califórnia. Inicialmente, Condit recusou comentar. Esquivou-se às perguntas dos repórteres, evitou entrevistas e ofereceu pouca ajuda aos investigadores. Mas sob pressão, acabou por admitir, durante terceiro interrogatório policial, que ele e Chandra Levy mantinham um caso. Condit nunca foi considerado suspeito, mas o escândalo destruiu a sua carreira e saiu da política depois de ter perdido as eleições primárias para se recandidatar ao Congresso em 2003.

A cobertura mediática explodiu. Noite após noite, o desaparecimento da jovem era notícia nos canais nacionais de televisão, mas veio o 11 de setembro de 2001, o ataque terrorista passou a preocupar os americanos e Chandra Levy saiu dos holofotes.

Mas os restos mortais da jovem foram encontrados numa área isolada do Parque Rock Creek, em Washington, DC, no dia 22 de maio de 2002, mais de um ano após o seu desaparecimento. 

Um homem que passeava o seu cão no Rock Creek Park, uma extensa floresta urbana, encontrou restos mortais humanos e os registos dentários confirmaram que eram de Chandra.

O corpo foi encontrado numa ravina íngreme e remota, longe de qualquer trilho. A polícia recuperou os seus ténis, roupa e uma meia-calça preta atada, que alguns acreditam ter sido usada para a conter ou possivelmente estrangulá-la. Devido ao adiantado estado de decomposição do corpo, o médico legista não conseguiu determinar a causa exata da morte, mas as autoridades adiantaram que Chandra foi vítima de homicídio.

Entretanto, a descoberta do corpo renovou as atenções sobre o caso e, em 2009, a polícia acusou Ingmar Guandique da morte de Chandra. Guandique era um imigrante indocumentado de El Salvador que estava preso pelo homicídio de outras duas mulheres no Parque Rock Creek, o mesmo onde Chandra Levy foi morta.

Em 2010, Guandique foi condenado pelo homicídio de Chandra e condenado a 60 anos de prisão. Mas a sua condenação baseou-se fortemente no testemunho de um informador da prisão, um homem que mais tarde admitiu ter mentido e, em 2016, o processo contra Guandique desmoronou. Os procuradores anunciaram que não podiam provar a sua culpa, as acusações foram retiradas e Guandique foi deportado em 2017.

O caso Chandra Levy voltou à estaca zero e, 25 anos após a sua morte, continua sem se saber quem a matou.

 

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