Crimes que deram que falar: Lori Soares foi morta pelo marido

by | Nov 26, 2025 | Crimes

Lori Kay Soares Hacking, 27 anos, grávida, foi vista pela última vez em público na noite de 18 de julho de 2004, quando ela e o marido, Mark Hacking, pararam a fazer compras numa pequena mercearia em Salt Lake City, no Utah, onde viviam.

No dia 19 de julho de 2004, às 10h07, Mark Hacking telefonou à polícia a participar o desaparecimento da mulher. Segundo o marido, Lori saira de casa às 5h30 da madrugada para correr no parque Memory Grove e tencionava voltar às 6h00 porque tinha de estar no emprego às 7h00, mas não regressara da sua corrida matinal. Às 10h46, Mark voltou a telefonar informando que tinha encontrado o carro de Lori estacionado perto das portas do parque onde ela tinha ido correr.

A polícia iniciou buscas no parque, vários voluntários ofereceram ajuda e, falando à televisão, Mark mostrou-se grato.

Para aqueles que conheciam o casal, não havia razão para acreditar que Mark tivesse qualquer coisa a ver com o desaparecimento da mulher. Tinham casado em 1999 e pareciam ter um casamento feliz. Pouco antes de desaparecer, Lori informou a família de que estava grávida de cinco semanas e tinha-se demitido da Wells Fargo, onde trabalhava como assistente de corretora de bolsa pois planeavam mudar-se para que Mark pudesse frequentar a Faculdade de Medicina da Universidade da Carolina do Norte, em Chapel Hill.

No entanto, os detetives descobriram que, entre os seus dois telefonemas, quando disse que estava a tentar encontrar a mulher, Mark estivera a comprar um colchão novo e tornou-se suspeito.

A polícia encontrou a mala, a carteira e as chaves do carro de Lori no apartamento do casal, bem como uma faca de caça com sangue. Além disso, o banco do condutor do carro de Lori tinha sido ajustado para alguém mais alto do que ela e havia sangue no banco de trás do veículo.

Na madrugada de 20 de julho, a polícia recebeu uma denúncia de que Mark estaria a correr à porta de um hotel usando apenas sandálias. Foi então internado numa clínica psiquiátrica.

No dia 21 de julho, as famílias de Mark e Lori descobriram que Mark não tinha sido aceite na faculdade de medicina e também tinha mentido sobre ter-se licenciado na Universidade de Utah em 2004. Na verdade, tinha abandonado o curso em 2002, embora tivesse fingido ir às aulas. Também viajou pelo país para simular entrevistas em diferentes faculdades de medicina.

Os familiares ficaram chocados, em especial os pais dele. A educação era muito valorizada na família de Mark, o pai era pediatra e a mãe enfermeira. Os seus irmãos tinham carreiras na área científica. Ninguém esperava que Mark mentisse sobre o seu percurso académico.

No entanto, o engano de Mark começou a desmoronar-se alguns dias antes do desaparecimento de Lori. Dia 16 de julho, Lori telefonou para a faculdade de medicina de Mark e foi informada de que ele não se tinha matriculado. Nesse dia, os colegas na Wells Fargo viram-na a chorar antes de sair do trabalho mais cedo, mas na sua festa de despedida dessa noite, à qual compareceu com Mark, pareceu novamente satisfeita.

Mais tarde, Mark dissipou as preocupações de Lori dizendo-lhe que tinha sido um problema no computador não estar incluído na lista de alunos. Lori deixou então uma mensagem a um administrador da escola afirmando que o marido tinha “resolvido tudo”.

Na noite em que Hacking alvejou Lori, conversaram durante mais de uma hora, durante a qual ele lhe confessou todas as mentiras, causando-lhe extrema dor emocional. Depois da conversa, Lori preparou-se para dormir e Hacking continuou a fazer as malas para a mudança para a Carolina do Norte. Quando arrumava as malas, encontrou uma espingarda de calibre 22, voltou ao quarto onde a mulher dormia e atingiu-a com um tiro no ouvido. Meteu o corpo no carro dela e foi deixá-lo numa lixeira.

Dia 24 de julho, na clínica psiquiátrica, Mark confessou aos irmãos tudo o que tinha feito e os irmãos telefonaram ao advogado Gil Athay, que por sua vez telefonou para a polícia de Salt Lake City.

A 15 de abril de 2005, Mark declarou-se culpado de homicídio em primeiro grau. A polícia procurou o corpo de Lori num aterro sanitário municipal durante dois meses e quando foram encontrados os restos mortais já estavam demasiado decompostos para confirmar a sua gravidez, como tal Mark não foi condenado à pena de morte.

A 6 de junho de 2005, Hacking foi condenado a uma pena de seis anos a prisão perpétua, a pena máxima possível ao abrigo da lei do Utah na altura. No Utah, as penas de prisão são indeterminadas, com um prazo mínimo e máximo. O infrator deve cumprir toda a pena, a menos que o Conselho de Indultos do Utah o liberte antes.

Em julho de 2005, o Conselho de Indultos do Utah declarou que Mark Hacking não seria considerado para liberdade condicional até pelo menos 2035, o que significa que Hacking terá de cumprir um mínimo de 30 anos de prisão.

Atualmente, está no Centro Correcional Central de Utah, em Gunnison, é o recluso nº 167.809.

Os restos mortais de Lori foram sepultados no cemitério Orem City num túmulo que tem o seu nome de solteira, Soares, e não o seu nome de casada. Em sua homenagem, a sua família criou a Bolsa de Estudos Memorial Lori Kay Soares na Escola de Negócios David Eccles da Universidade de Utah, a mesma escola que Lori frequentou. A bolsa auxilia as mulheres em situações de desvantagem e as que enfrentam desafios pessoais.

Quanto à pedra tumular, tem o nome de Lori Kay Soares, a data de nascimento (31 de dezembro de 1976) e de falecimento (19 de julho de 2004). E o nome de casada de Lori foi substituído pela palavra portuguesa “filhinha”.

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