Comunidade Portuária da Figueira da Foz tenta convencer carregadores a regressarem

by | Apr 6, 2026 | Outras Notícias

 

Figueira da Foz, Coimbra, 06 abr 2026 (Lusa) – O vice-presidente da Comunidade Portuária do Porto da Figueira da Foz disse hoje que cerca de 30% dos carregadores (importadores e exportadores) ainda não regressaram àquela infraestrutura portuária, que esteve dois meses e meio fechada.

Apesar de o porto estar a funcionar normalmente desde 23 de março, com o recomeço de dragagens permanentes, Paulo Mariano salientou à agência Lusa que a comunidade portuária está a “tentar convencer os carregadores a voltarem ao porto da Figueira da Foz”, no litoral do distrito de Coimbra.

“Alguns já voltaram, outros ainda não. Estamos a falar para aí de 30% a 35% de carregadores que ainda não regressaram”, estimou o dirigente, frisando que os importadores e exportadores tiveram de procurar outros portos, caso contrário fechavam as portas.

Segundo Paulo Mariano, os carregadores deslocalizaram-se para os portos de Leixões, Setúbal e Lisboa, mas principalmente para Aveiro, com custos logísticos para importar e exportar as suas mercadorias na ordem dos 30 milhões de euros.

O encerramento de cerca de dois meses e meio do Porto da Figueira da Foz, devido ao assoreamento da barra que impedia a entrada de grandes navios, provocou um impacto negativo “brutal” na região Centro, acrescentou.

“Não foram só as indústrias da celulose que vieram para a Figueira da Foz por ter um porto, foram também muitas empresas estrangeiras. E de repente ficaram sem o porto. Isto foi de uma grande gravidade e até em termos ambientais foi catastrófico”, enfatizou o vice-presidente da Comunidade Portuária.

Nesse período, exemplificou, “passou a haver comboios de camiões em direção aos outros portos alternativos, que, ao invés de percorrerem 15 quilómetros, passaram a fazer 80, 100 e 150”.

De acordo com Paulo Mariano, a Comunidade Portuária responsabiliza a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) pelo encerramento do porto da Figueira da Foz, por efetuar uma dragagem errada.

“Gastaram 28 milhões de euros dos contribuintes para fazerem uma dragagem brutal na praia da Figueira da Foz (Claridade) para levarem a areia para a zona sul, onde faz falta, mas dragaram no sítio errado e depois depositaram no sítio errado, tendo a maioria da areia, com o temporal, se depositado toda na barra”.

Para o vice-presidente da comunidade portuária, o que a APA fez na Figueira da Foz “foi desequilibrar toda a economia da região Centro”.

No final de janeiro, a APA já tinha referido que associar o assoreamento da barra do porto às dragagens da obra de transposição de três milhões de metros cúbicos de areias era pura especulação.

“Qualquer associação entre um possível assoreamento da barra e as dragagens efetuadas a norte do respetivo molhe é, além de injustificada, puramente especulativa”, observou na altura, em comunicado enviado à agência Lusa.

Em fevereiro, a administração do Porto da Figueira da Foz reconheceu que, “desde dezembro, se verificou um assoreamento excecional e inesperado na barra do porto, situação agravada por sucessivas tempestades marítimas recentes, com forte agitação e ondulação, que, por razões de segurança, impediram a movimentação de navios”.

A comunidade portuária vai reunir esta terça-feira com a administração do Porto da Figueira da Foz para saber que intervenções estão previstas para os próximos meses, de modo que “no próximo inverno marítimo, que é dentro de seis meses, não aconteça a tragédia que aconteceu ao porto e à economia da região centro”.

 

 

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