João Gago da Câmara, jornalista e locutor na RTP Açores, redator/repórter no Correio dos Açores, fundador do Correio do Norte, tendo colaborado com rádios Clube de Angra, Nova Cidade, Pico, Graciosa, Asas do Atlântico, Voz do Emigrante e publicado nos Açores, crónicas no Diário dos Açores e no Diário Insular, no Portuguese Times e no Portuguese Tribune, nos Estados Unidos e ainda no Milenio Stadium e no Voz de Portugal, no Canadá, acaba de publicar novo livro. Trata-se de “O Chamamento”, um estudo sobre uma família terceirense da freguesia do Raminho cujos filhos emigram para a Califórnia e Wyoming, exceto um que se torna a figura principal do fascinante romance passado no princípio do século 20. Amores, aventuras, dramas e riquezas, alegrias fascinantes e tristezas de morrer. João G. Câmara havia já publicado anteriormente dois livros, um de crónicas, “Fragmentos entre dois Continentes” e “Dos Vulcões ao Desterro”, em formato reportagem realizada no estado de Santa Catarina, abordando a emigração para o sul do Brasil.
Este seu novo livro “Chamamento” foi considerado pelo dr. Carlos Melo Bento, conceituado historiador açoriano, como “a obra do ano”.
- Entrevista: Francisco Resendes
– Como e quando surgiu a ideia de lançar este livro e do que nos fala?
“Escrevi muito na minha vida de jornalista da imprensa escrita, mas notícias, reportagens e, muitas vezes, sempre que se proporcionava, artigos de opinião e crónicas. Foram precisamente as crónicas que me levaram a escrever um livro, uma compilação de escritos, que intitulei de Fragmentos entre dois continentes. Fui buscá-las a jornais para onde escrevi, inclusivamente ao Portuguese Times, entre outros, e publiquei-as em livro.
Quase simultaneamente, publiquei um segundo livro que nasceu de três viagens que fiz a Santa Catarina, no litoral sul do país irmão, onde pesquisei sobre a imigração açoriana para aquele território, a partir de 1748, reinado de D. João V. Chamei-lhe Dos Vulcões ao Desterro, ou seja, dos Açores a vila de Nossa Senhora do Desterro, a hoje fascinante cidade de Florianópolis.
Tanto num, como no outro livro, sonhava com o romance, com a ficção, com a criação de histórias, preferencialmente inspiradas em factos verídicos, e foi o que agora aconteceu com O Chamamento, o meu primeiro romance, uma obra baseada em factos verídicos, que, felizmente, já esgotou nas livrarias de São Miguel e da Terceira, estando os escaparates quase a receber mais exemplares.
Depois, a crítica tem sido ótima. Carlos Melo Bento, o inteletual e jurista, há poucos dias, considerou O Chamamento a melhor obra literária de 2025, o que, humildemente, muito me honra e me apraz registar”.
– Fale-nos do trabalho de investigação, estudo e preparação do tema.
“O Chamamento nasce de conversas de terraço nos verões terceirenses. Uma senhora contava-me histórias incríveis sobre uma família da freguesia do Raminho que partiu quase toda para a Califórnia, e refiro quase toda porque um dos irmãos escolheu o Wyoming para fixação definitiva. Estávamos no final do século XIX, tempos finais do faroeste, ainda com contendas sobre a posse de terras entre brancos e índios. Foi aí onde esse açoriano se meteu, e depois o seu irmão mais novo que se lhe juntou. E esse, o mais novo de todos os irmãos, António, acaba por ser a personagem principal do livro. Seguir António, em O Chamamento, é seguir venturas e desventuras de um jovem de 18 anos, arrependimentos, afoitezas, como foi a longa viagem de vapor e mais tarde o trabalho de pastoreio de ovelhas nas longas planícies dos búfalos, lobos e índios, próximas das montanhas rochosas, mas sempre com a ilha no coração. Essa senhora que, no terraço do Raminho, me contou tantas histórias dessa família de imigrantes, foi precisamente a filha de António”.
– Qual tem sido a reação dos seus leitores?
“Não me posso queixar. O Chamamento tem chamado muito leitor aos escaparates das livrarias açorianas e espero que o mesmo aconteça proximamente nas livrarias continentais, FNAC, Wook, Bertrand e outras”.
– Tenciona apresentar o livro nos vários núcleos de imigrantes pelos EUA?
“Sim, essa é a minha intenção, principalmente na Califórnia, onde parte da história se desenrola. A Nova Inglaterra, onde fui emigrante, está também na minha ideia para um lançamento de O Chamamento”.
– Dos seus vários livros já publicados qual o que exigiu mais de si?
“Este, O Chamamento. Um romance, quando escrito com entrega absoluta e na procura incessante do perfeccionismo, exige muito do seu escritor. Mergulhei neste livro como um mergulhador mergulha nas profundezas, ao ponto de quase me tornar outro personagem do romance, o que observa atentamente os outros, com muito espírito crítico. Apaixonei-me pela namorada de António, enfrentei os índios com Manuel, chorei as mortes das filhas de Maria Rosa, exultei com o apito do vapor à saída do cais de Angra e à sua chegada a Nova Iorque. Fui emigrante em finais do século XIX e princípios do século XX. O Chamamento é hoje uma tatuagem que levo até ao fim dos meus dias”.
– Como definir o seu estilo e quais as suas influências literárias?
“Identifico-me com estilo narrativo. Contar histórias penso que é o meu forte, se bem que poetize de vez em quando como forma de abrilhantar bocados de textos e que busque também o necessário drama que sempre faz tanta falta.
Quanto a influências literárias, adoro Rita Ferro, por acaso a prefaciadora de O Chamamento, e, como não podia deixar de ser, Lobo Antunes. Sou ainda devoto de Ken Follet”.
– Qual o seu autor preferido?
“Inquestionavelmente, Rita Ferro”.
– Tem algum projeto na manga, após este livro?
“Sim, tenho, mas – perdoem-me – ainda não o poderei revelar”.
– Como adquirir o livro aqui nos EUA?
“O livro penso que já poderá ser adquirido online através do site da editora Cordel de Prata – www.cordeldeprata.pt, ou da FNAC, Wook e/ou Bertrand.
A editora penso que estará a estudar uma forma de o poder vir a comercializar fisicamente nos Estados Unidos da América. Poderei avançar também que brevemente O Chamamento poderá vir a ser traduzido para inglês”.






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