Carlos Lopes, Festival de Jazz de Newport, Macau e Columbus

by | Aug 12, 2026 | Expressamendes

 

Carlos Lopes na Casa Branca

Cumprem-se hoje, 12 de agosto de 2026, 42 anos sobre a inesquecível vitória de Carlos Lopes na maratona dos Jogos Olímpicos de Los Angeles 1984, a primeira medalha de ouro olímpica conquistada por Portugal.

Foi a 12 de agosto de 1984, Lopes contava na altura 37 anos de idade e estava longe de ser considerado favorito, mas ganhou a corrida.

Fazia calor em Los Angeles mas apesar disso o ritmo da prova foi bastante rápido. Do grupo da frente faziam parte o norte-americano Alberto Salazar, o australiano Robert de Castella, os japoneses Toshihiko Seko e Takeshi So, o irlandês John Tracy e o inglês Charles Spedding. Aos 19 quilómetros, Salazar, um dos favoritos, ficou para trás. Castella resistiu até aos 34 quilómetros e os japoneses ficaram para trás aos 36 quilómetros. Na cabeça da corrida ficaram apenas Carlos Lopes, John Tracy e Charles Spedding, mas aos 38 quilómetros Lopes desferiu o ataque que o levaria à vitória e entrou no Coliseu de Los Angeles com 200 metros de avanço. Os últimos metros foram corridos com os braços erguidos e Lopes ganhou com 2h09m21s, recorde que manteve 24 anos.

Portugal jamais esquecerá o momento em que Lopes fez ouvir, pela primeira vez, o hino nacional português numa Olimpíada e proporcionou a subida da bandeira nacional no mastro maior do estádio.

Dois meses depois, a 18 de outubro de 1984, Ronald Reagan, presidente dos Estados Unidos, recebeu na Casa Branca o campeão olímpico português acompanhado por João Rocha, presidente do seu clube, o Sporting Clube de Portugal.

A ida de Lopes à Casa Branca foi ideia de João Rocha, entendeu que seria prestigioso o atleta e o seu clube serem recebidos pelo presidente dos Estados Unidos, mas como não é fácil ser recebido na Casa Branca a diplomacia portuguesa em Washington ficou estupefacta.

Recorde-se que naquele tempo João Rocha era sócio do Portuguese Times e do Portuguese Channel, que fazia parte do grupo. Da sociedade faziam também parte Joseph Fernandes (37 supermercados), Richard Aldrich e Eduardo Lima, administrador.

Aldrich (que era sócio de Rocha no Portuguese World Bank), era influente no Partido Republicano, tinha sido conselheiro municipal com vários mandatos em New York, antes de ir para o Brasil e conhecia Reagan e o vice-presidente George H.W. Bush. Como tal, terão bastado uns telefonemas de Aldrich para os portugueses serem recebidos na Casa Branca.

“Aquilo foi tudo muito rápido, o que o João Rocha deu a Reagan foi um barril de vinho do Porto, que ele agradeceu com muito carinho e que disse que iria beber”, recorda Lopes, que considera a ida à Casa Branca um dos momentos mais marcantes da sua carreira.

A receção de equipas campeãs na Casa Branca é uma tradição no desporto profissional e universitário norte-americano. No que toca à MLS, os Columbus Crew foram a última equipa a cumprir esta tradição, em 2024. O próprio proprietário do Inter Miami, David Beckham, já tinha visitado a residência oficial enquanto jogador dos LA Galaxy, em 2012, após a conquista da MLS Cup de 2011.

O Inter Miami sagrou-se campeão da MLS pela primeira vez na sua história em novembro de 2025.

Apenas dois outros desportistas portugueses já foram recebidos na Casa Branca, o basquetebolista Neemias Queta e o futebolista Cristiano Ronaldo.

Neemias Queta (lisboeta filho de pais guineenses), foi recebido em 2024, durante a administração Joe Biden, integrando a equipa dos Boston Celtics, vencedora da Liga norte-americana de basquetebol (NBA).

Cristiano Ronaldo esteve presente num jantar de gala na Casa Branca em novembro, no dia em que Trump recebeu o príncipe herdeiro saudita, Mohammed Bin Salman, da Arábia Saudita, país do Al-Nassr, clube com o qual o português tem contrato até junho de 2027.

“Sou português, mas pertenço à Arábia Saudita”, disse na altura o futebolista.

Um pormenor curioso: o saudoso José Rebelo Mota e o Manuel Bernardo, que naquele tempo era operador de imagens do Portuguese Channel, deslocaram-se a Washington para a reportagem do encontro de Lopes e Rocha com Reagan, mas a Casa Branca recusou recebê-los por não estarem acreditados como correspondentes. Contudo, no final do encontro, a Casa Branca entregou a Manuel Bernardo um vídeo e foram essas imagens que o Portuguese Channel e a RTP transmitiram.


 

Festival de Jazz de Newport faz 72 anos

O Newport Jazz Festival faz 72 anos em 2026. Fundado em 1954 por George Wein, foi o primeiro festival de música ao ar livre nos Estados Unidos dedicado inteiramente ao jazz. A primeira edição, em 1954, no Newport Casino, contou com lendas como Billie Holiday e Ella Fitzgerald.

O festival realiza-se anualmente, com exceção de 1961 (devido a tumultos no ano anterior) e 2020 (devido à pandemia de COVID-19).

Originalmente realizado em Newport, mudou-se para a cidade de New York em 1972, antes de regressar ao seu local atual no Fort Adams State Park em 1981.

Segundo os organizadores, o problema do festival hoje em dia é a falta de estrelas de jazz, embora existam bons músicos.

Com efeito já não há legendas como as que passaram por Newport, figuras como Louis Armstrong, que se apresentou em nove das onze primeiras edições do festival.

Ou a orquestra de Duke Ellington, que em 1956 foi a grande atração do festival e da qual fazia parte Paul Gonsalves, lendário saxofonista tenor de jazz filho de cabo-verdianos que vivia em New Bedford.

Nascido em Brockton e criado em New Bedford, Gonsalves estava profundamente enraizado na cena jazzística da Nova Inglaterra. Antes do seu ingresso na orquestra de Ellington, tocou com as orquestras de Sabby Lewis, Count Basie e Dizzy Gillespie.

Gonsalves esteve 24 anos com Duke Ellington e ainda hoje é mundialmente celebrado pelo seu eletrizante solo de 27 compassos em “Diminuendo and Crescendo in Blue” no Festival de Jazz de Newport de 1956, que revitalizou a carreira de Ellington.

Conhecido pelos seus solos vigorosos e influenciados pelo bebop, Gonsalves foi um mestre do som de sax tenor no estilo de Coleman Hawkins e manteve-se um pilar da banda de Ellington até ao seu falecimento em maio de 1974, poucos dias antes da morte do próprio Ellington.


 

Macau, a Las Vegas do Oriente

O jogo em Macau remonta a 1847, quando o governo português iniciou o licenciamento de “casas de jogo” num esforço para angariar receitas para os cofres públicos afetados pela ocupação inglesa de Hong Kong, que passou a dominar a navegação na região e a recolher taxas desse mesmo domínio, com prejuízos para Macau.

Entre 1851 e 1863, o então governador, capitão Francisco Guimarães, consolidou Macau como centro de jogo. Nessa época, a maioria das casas de jogo ofereciam apenas o “fan tan”, jogo tradicional chinês.

Entretanto, em 1937, o governo português decidiu conceder o monopólio do jogo à companhia Tai Heng, liderada por Fu Lou-iong e Kou Ho-neng, que ganharam muito dinheiro, mas pouco contribuiram para o desenvolvimento do turismo macaense.

Em 1961, o governo português pôs novamente o jogo a concurso e a concessão foi ganha por um grupo de empresários de Hong Kong liderado por Stanley Ho, com a promessa de investir na indústria do turismo, mas que viria a inaugurar apenas o Hotel/Casino Lisboa em 1970.

Em 2002, já depois da transferência da administração do território para a China, as autoridades chinesas decidiram pôr termo ao monopólio de 40 anos e, inesperadamente, duas empresas de Las Vegas – Sands e Wynn Resorts – obtiveram licenças para construir um número ilimitado de casino-resorts.

Hoje, Las Vegas continua o maior centro de jogo dos EUA, mas Macau é o maior centro de jogo do mundo.

Operam em Macau seis empresas americanas de jogo (MGM Resorts, Galaxy, Venetian, Melco Resorts, Wynn Resorts e SJM), com contratos de concessão até 2034.

Embora Macau seja três vezes mais pequena do que Las Vegas, a receita com o jogo é três vezes superior à de Las Vegas.

A receita bruta de jogo de Las Vegas é de 6,4 mil milhões de dólares por ano, sendo 34% desse valor gerado pelos jogos de casino. O restante vem de quartos de hotel e restaurantes.

Macau tem uma receita bruta de jogo média de 28,4 mil milhões de dólares, com a cidade a arrecadar 12 mil milhões de dólares, o dobro do total arrecadado por Las Vegas.

E os lucros de Macau continuam a crescer, com um aumento de 23,7% no ano passado, superando a projeção de um crescimento de 15% a 20%.

Macau fechou o ano passado com receitas totais de jogo de 26,3 mil milhões de euros), mais 9,1% do que no ano anterior (24,1 mil milhões de euros).

Acrescente-se que a demografia desempenha um papel importante nas grandes diferenças de lucros. Macau é o único local na Ásia com jogo legalizado à distância de cinco horas de voo de três biliões de pessoas, quase metade da população mundial, enquanto Las Vegas está à mesma distância de apenas 450 milhões de pessoas.


 

Colombo e a descoberta da América

11 de outubro é Dia de Colombo nos EUA, assinalando o descobrimento da América por Cristovão Colombo, já lá vão mais de 500 anos e ainda há quem considere que a história precisa ser corrigida.

Os escandinavos defendem que o viking Leif, filho de Eric, descobridor da Groenlândia, alcançou estas paragens no ano 1000 e não faltam outros descobridores.

De qualquer forma, quando as caravelas de Colombo alcançaram a ilha de San Salvador, a 11 de outubro de 1492, já os índios tinham descoberto estas terras.

Segundo alguns historiadores, os verdadeiros descobridores da América foram os caçadores nómadas da Sibéria que atravessaram o estreito de Bering para o Alaska e espalharam-se por todo o continente americano, há 20 mil anos. Colombo atingiu a América num acidente de percurso, pois pensava descobrir as Índias e encontrou foi índias descobertas, às quais trouxe apenas os benefícios da gripe, da cárie e da escravidão.

 

0 Comments

Related Articles