Carlitos DoSouto, ator cabo-verdiano da ilha do Fogo em carreira de sucesso em Hollywood

by | Apr 1, 2026 | Cultura, Notícias das comunidades

 

Cresceu em New Bedford e o seu mais recente filme, “Radio Sky”, distinguido como Melhor Longa-Metragem no Pan African Film Festival, será exibido no Boston International Film Festival dia 11 de abril.

 

Carlitos DoSouto é cineasta, argumentista e ator, movido pela imaginação, disciplina e inovação. Obteve o seu bacharelato em Artes Cénicas pela Loyola Marymount University, estudou cinema na New York Film Academy e aprimorou as suas capacidades de representação e escrita em estúdios respeitados por toda a Los Angeles.

É o argumentista, realizador, produtor e ator por detrás de “Radio Sky”, um projeto que financiou de forma independente e conduziu com total visão criativa. Carlitos participou em mais de uma dezena de produções teatrais — entre as quais “Romeu e Julieta”, “Hamlet”, “Antígona” e “Slow Dance on the Killing Ground” — e participou em vários filmes independentes, bem como na série televisiva “Boss”. O seu trabalho combina uma narrativa inventiva com ambição cinematográfica, explorando frequentemente histórias ousadas e originais.

Para além do cinema, Carlitos detém várias patentes nos Estados Unidos e lançou produtos no mercado sob a sua própria marca, a Beardoptima. Cultiva a disciplina através das artes marciais, aprecia dançar tango e kizomba, e fortaleceu as suas capacidades de comunicação e liderança como membro dos Toastmasters.

Na passada semana, Portuguese Times contactou o ator natural de Cabo Verde (ilha do Fogo), a residir atualmente em Beverly Hillls, Los Angeles, tendo crescido em New Bedford, cidade de residência dos seus pais.

“Nasci na ilha do Fogo e cresci em New Bedford, tendo ainda residido em Boston e visito a cidade baleeira duas vezes por ano para rever a família e amigos que tenho aí”, começou por dizer ao PT Carlitos DoSouto, que desde os tempos de infância sempre sonhou um dia ser ator.

“Desde criança que sonhava entrar no mundo das artes, particularmente no teatro e desde os tempos do liceu em New Bedford, tive aulas de representação tendo integrado diversas peças de teatro e posteriormente frequentou o Bristol Community College, onde também entrou em diversas peças de teatro e já em Los Angeles, a Loyola Merrymount University, por volta dos 20 anos de idade, onde resido atualmente”, confidencia-nos adiantando que a fase inicial da sua carreira não foi nada fácil, mas com vontade, persistência e sacrifício e ainda alguma sorte e sentido de oportunidade lá conseguiu chegar onde está atualmente.

A polivalência é para Carlitos DoSouto uma mais valia neste mundo difícil do teatro e do cinema em Hollywood.

“Gosto de fazer tudo: sou cineasta, argumentista, ator e a verdade é que isso exige uma tremenda disciplina mas faço tudo com grande paixão, porque é realmente aquilo que gosto de fazer e o facto de ser polivalente torna tudo muito mais fácil vingar no mundo exigente do teatro e do cinema em Hollywood”, reconhece o nosso entrevistado.

Um dos seus primeiros papéis no cinema lançou-o para voos mais altos:

“O meu primeiro papel no cinema foi usar a minha voz no filme “Pirates of the Caribean”, dando voz a um personagem que tinha de falar português e a partir daí integrei o sindicato, o que foi muito importante para a minha carreira e depois tive oportunidade de participar na série televisiva “Boss” e muitos outros projetos independentes”, esclarece DoSouto.

Até que surgiu este mais recente projeto criado por si: “Radio Sky”, um “thriller” de ficção científica independente. A longa-metragem foi recentemente premiada como Melhor Longa-Metragem no Pan African Film Festival e será exibida no Boston International Filme Festival, a 11 de abril.

“Radio Sky é um projeto que nasceu de uma necessidade criativa da minha parte, a de contar uma história de escopo vasto mas profundamente íntima: duas almas isoladas, ligadas apenas por códigos que lutam para sobreviver e reencontrar a esperança, na verdade um filme sobre uma conexão humana, a redenção e a resiliência do espírito criativo. Escrevi, realizei e entrei como ator, onde integram ainda o elenco Dennis Haysbert, Desiree Ross, Circus-Szalewski, numa produção da Dream Artist Pictures”, afirma Carlitos, que encontra nos atores Al Pacino e Robert de Niro as suas referências e preferências.

À pergunta se um dia produzisse ou realizasse um filme sobre as suas raízes cabo-verdianas filmando na terra de origem, Carlitos é pragmático: “Por agora acho que o mais importante é cimentar a minha posição e carreira aqui nos EUA, no chamado “main stream” e depois, numa fase posterior, já numa posição de mais destaque e bem estabelecido então aí poderei fazer algo sobre as minhas raízes”, esclarece, adiantando estar satisfeito pela forma como as coisas estão a decorrer. O futuro é risonho para Carlitos: “Tenho alguns projetos em manga, pelo que continuo a desenvolver argumentos originais, entre os quais dois os filmes “Gun Tower” e “Squirrel Cages”, conclui o nosso entrevistado, que tem no horizonte uma visita à terra onde nasceu: ilha do Fogo, Cabo Verde.

 

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