A primeira longa metragem de Sérgio Pinheiro
O luso-americano Sérgio Pinheiro acaba de realizar a sua primeira longa-metragem, intitulada “Wormtown”, depois de trabalhar como editor em duas temporadas de uma série da HBO.
“É um filme de terror, mas mais para o apocalíptico e ficção científica”, disse à Lusa o realizador de 48 anos, que emigrou com a família para Massachusetts nos anos oitenta e em 2000 rumou a Los Angeles.
Ao longo da carreira, em que estudou realização, guionismo, cinematografia e edição, Pinheiro fez desde vídeos de música a edição de animação e realização de curtas.
Com uma longa carreira dedicada à edição, incluindo o trabalho na série “Ten Year Old Tom” da HBO, Sérgio Pinheiro está agora a concretizar o objetivo de realizar.
O filme é uma produção da Good Deed Entertainment, um estúdio independente que se mudou da Califórnia para Ashland, Ohio, por causa dos incentivos e foi nessa pequena vila que Sérgio Pinheiro filmou esta longa-metragem, que é protagonizada por Caitlin McWethy, Rachel Ryu e Emily Soppe.
Além de “Wormtown”, que conta com produção de Phil Garrett, já está a trabalhar com a Good Deed Entertainment noutra longa-metragem, que será de “suspense psicológico”.
“Wormtown” vai agora concorrer em festivais, entre os quais o Motel X em Lisboa.
Pinheiro nasceu em Lisboa em 1977 e, embora viva nos Estados Unidos desde os cinco anos, fala fluentemente português. E uma vez que os pais se reformaram e regressaram a Portugal, Pinheiro tenciona visitá-los com frequência e eventualmente vir a filmar em Portugal.
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Livro açoriano “Jénifer”, de Joel Neto nomeado para prémio literário na Califórnia
FRESNO, Califórnia — A tradução inglesa do romance Jénifer, ou A Princesa da França: As Ilhas (realmente) Desconhecidas, do premiado autor açoriano Joel Neto, acaba de ser nomeada para os Prémios Literários do Norte da Califórnia 2025, na categoria de Tradução Literária em Prosa na Califórnia. Traduzido por Diniz Borges e Katharine F. Baker, e publicado em colaboração entre a Letras Lavadas Edições e a Bruma Publications, o livro representa um marco para a literatura açoriana em tradução e para a diáspora portuguesa nos Estados Unidos.
A obra foi nomeada ao lado de outros títulos de prestígio, como Chronicles of a Village, de Nguyên Thanh Hiên (traduzido do vietnamita por Quyên Nguyên-Hoàng), e The Tears and Smiles of Things, de Andriy Sodomora (traduzido do ucraniano por Roman Ivashkiv e Sabrina Jaszi). Os vencedores serão anunciados no dia 6 de setembro de 2025, sábado, às 14h00 (horário do Pacífico), na 44.ª Edição dos Prémios Literários do Norte da Califórnia, numa cerimónia pública na Biblioteca Pública de São Francisco, com sessão de autógrafos e venda de livros após o evento. A entrada é gratuita e aberta ao público.
“A selvagem e preciosa Jenifer Armelim — com dez anos e pálida — partirá o coração de qualquer leitor,” escreveu a escritora luso-americana Katherine Vaz, numa crítica à tradução inglesa. “Ela sonha ser bailarina, agricultora biológica, unicórnio ou princesa francesa; manobra tratores. Mas também mergulha em silêncios meditativos junto ao mar… O resultado é um grito novelístico de angústia… violento e terno… uma ária para um dos lugares mais belos da Terra — mas também para o seu povo de carne e osso.”
Jénifer é uma história de infância e resistência num bairro social esquecido nos Açores. A protagonista, uma menina de dez anos, vive num ambiente marcado por pobreza, negligência, violência e marginalização. Mas Jenifer é também feita de sonho, inteligência e coragem. Através dos olhos dela e da sua irmã mais velha, Mara, Joel Neto constrói um retrato poderoso da vida real nos Açores do século XXI, longe das imagens turísticas.
O título da tradução inglesa, Jénifer, or a French Princess- The (Truly) Unknown Islands, capta essa dualidade — entre a dureza do mundo exterior e a imaginação luminosa da personagem. A tradução de Borges e Baker, segundo o júri, honra essa complexidade, mantendo a intensidade poética e social do original, enquanto oferece ao leitor anglófono uma leitura fluída e impactante.
Para o tradutor e autor Diniz Borges, esta nomeação representa um momento histórico, não apenas para os tradutores e o autor, mas para a diáspora açoriana e lusófona nos Estados Unidos.
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Pico acolhe apresentação do livro “Monumentos ao Emigrante”, de Daniel Bastos
No dia 16 de agosto é apresentado na Ilha do Pico, a segunda maior ilha do Arquipélago dos Açores, o livro “Monumentos ao Emigrante – Uma Homenagem à História da Emigração Portuguesa”.
A obra, concebida pelo historiador da diáspora Daniel Bastos, em parceria com o fotógrafo Luís Carvalhido, assente no levantamento dos Monumentos de Homenagem ao Emigrante existentes em todos os distritos de Portugal continental, e regiões autónomas da Madeira e dos Açores, é apresentada às 20h00, no Salão da Silveira, concelho das Lajes do Pico, no âmbito do encerramento das cerimónias da Festa da Mãe de Deus.
A sessão de apresentação do livro, uma edição bilingue (português e inglês) com tradução de Paulo Teixeira, prefácio do filósofo e escritor açoriano Onésimo Teotónio Almeida, e posfácio da socióloga das migrações, Maria Beatriz Rocha-Trindade, estará a cargo do antigo Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro, que atualmente assume as funções de Deputado à Assembleia da República e Secretário-Geral do Partido Socialista. Na mesa de honra da sessão de apresentação do livro estarão também presentes, Ana Brum, Presidente da Câmara Municipal das Lajes do Pico; João António das Neves, Cónego da Sé de Angra; Tomás Orlando Cardoso, Presidente do Centro Social da Silveira; e Manuel Eduardo Vieira, reputado empresário e filantropo da comunidade portuguesa na Califórnia.
A obra pioneira, realizada com o apoio institucional da Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas, e da Sociedade de Geografia de Lisboa, é um convite a uma viagem pelo passado, com os olhos no presente e futuro, da imagem e memória da emigração em Portugal. Uma viagem através de um itinerário profusamente ilustrado, que percorre todas as regiões de Portugal, onde existem mais de uma centena de monumentos, como bustos, estátuas ou memoriais dedicados ao Emigrante, e que constituem uma relevante fonte material para a compreensão da diáspora lusa espalhada pelos quatro cantos do mundo.
Como é o caso da estátua do comendador Manuel Eduardo Vieira, natural da Silveira, uma das figuras mais proeminentes da comunidade luso-americana na Califórnia, que através de uma trajetória de mérito empresarial, tornou-se, a partir do Vale de São Joaquim, no maior produtor de batata-doce biológica do mundo.
do mundo. E cuja dimensão empreendedora e filantropa, estiveram na base da inauguração pela edilidade lajense em 2017, na Praceta do Centro Social da Silveira, do qual é um benemérito de referência, de uma estátua em sua homenagem, concebida pelo escultor açoriano Rui Goulart, que eterniza igualmente a generosidade que tem repartido por diversas associações da ilha do Pico.
A sessão de apresentação desta história concisa e ilustrada da emigração, um fenómeno marcante na história da Ilha do Pico, que é aberta à comunidade, e inclui um beberete convívio abrilhantado pelas atuações de Manuel Francisco Costa Jr., e a Tuna do Centro Social da Silveira Chamarritas, ao constituir-se como uma homenagem ao comendador Manuel Eduardo Vieira. É, simultaneamente, um tributo à comunidade açoriana na América do Norte, em particular, às comunidades picoenses, que fortemente presentes nos Estados Unidos e Canadá, exercem um papel relevante no desenvolvimento das pátrias de acolhimento e no território arquipelágico, perpetuando além-fonteiras os costumes e tradições açorianas.
No prefácio do livro, Onésimo Teotónio Almeida, Professor Emérito da Universidade Brown, que dedicou uma grande parte da sua vida a escrever sobre a portugalidade e a açorianidade, assegura “Se uma imagem vale mil palavras, temos aqui duas centenas e meia de milhar de belas palavras saltando-nos à vista com gritante eloquência”. Na mesma linha, Maria Beatriz Rocha-Trindade, autora de uma vasta bibliografia sobre matérias relacionadas com as migrações, sustenta no posfácio que “Este livro, constitui uma valiosa contribuição para o conhecimento da História de Portugal”.
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A 23 e 24 de agosto na Casa dos Açores em Fall River
Governo dos Açores promove formação para Filarmónicas Portuguesas da Nova Inglaterra
- Inscrições até 15 de agosto
A Secretaria Regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades, através da Direção Regional das Comunidades, vai promover uma ação de formação para as filarmónicas portuguesas de Massachusetts e Rhode Island, que decorrerá nos próximos dias 23 e 24 de agosto, na sede da Casa dos Açores da Nova Inglaterra, em Fall River.
Com uma carga horária de seis horas, das 05:00pm às 08:00pm no sábado e no domingo, esta formação pretende ser um espaço de partilha de experiências e de atualização de conhecimentos sobre esta temática, dando assim continuidade prática a semelhante iniciativa desenvolvida em formato online no mês de setembro de 2024.
A formação está aberta a todos os membros das filarmónicas portuguesas, desde músicos a dirigentes, e o painel de formadores será novamente composto pelos reconhecidos maestros Antero Ávila, deslocado da ilha Terceira, e Marco Torre, deslocado da ilha de São Miguel.
Antero Ávila é natural da ilha do Pico, Açores. Teve o primeiro contacto com a notas musicais muito jovem, ainda antes de aprender a ler e escrever. Aos sete anos teve aulas particulares de piano e aos 14 assumiu a direção artística da Filarmónica União Artista de São Roque do Pico. Frequentou o Conservatório Nacional de Lisboa e a Escola Superior de Música de Lisboa. É licenciado em Composição. Fixou-se na ilha Terceira onde é professor do Conservatório Regional de Angra do Heroísmo, tendo integrado ao longo dos anos diversos agrupamentos e escrito várias obras para coro, orquestra, câmara e banda sinfónica.
Marco Torre é natural de Cascais e reside nos Açores, ilha de São Miguel, desde 2006. Começou, também ele, muito cedo a ter contato com as notas musicais, fruto da forte ligação familiar à música. Frequentou o Conservatório Nacional de Música e, mais tarde, integrou a Orquestra Sinfónica Portuguesa. Tem trabalhado com várias bandas filarmónicas e é diretor artístico da Orquestra Ligeira de Ponta Delgada, da Coliseum Orchestra e da Banda Fundação Brasileira dos Mosteiros. Para além disso, é o responsável pelo programa “Filarmonia”, que integra a grelha da Antena 1 Açores há 15 anos, e professor no Conservatório Regional de Ponta Delgada.
Esta ação de formação é gratuita, mas requer inscrição prévia. Todos os interessados poderão proceder à sua inscrição com o preenchimento do formulário que se encontra disponível através do link https://forms.office.com/e/qeJESmCqC9?origin=lprLink, até ao dia 15 de agosto.
Existem 14 bandas filarmónicas de origem portuguesa atualmente ativas na Nova Inglaterra. No estado de Rhode Island, a Banda Nossa Senhora do Rosário, em Providence, a Banda Nova Aliança, em Pawtucket, a Banda de Santa Isabel, em Bristol, e a Banda do Clube Juventude Lusitana, em Cumberland.
No estado de Massachusetts, na área de Boston, existem as filarmónicas de Peabody (Banda Recreativa Portuguesa), Lowel (Banda do Espírito Santo), Cambridge (Banda de Santo António) e Stoughton (Banda de São João). A cidade de New Bedford tem duas filarmónicas, a Banda Senhor da Pedra e a Banda Senhora dos Anjos, enquanto a cidade de Fall River mantém quatro filarmónicas em atividade: a Banda de Santo António (a mais antiga dos Estados Unidos, fundada em 1904), a Banda Mosteirense de Nossa Senhora da Conceição, a Banda de Santa Cecília e a Banda de Nossa Senhora da Luz.
As bandas filarmónicas têm tido um papel fundamental e constante na preservação e divulgação das tradições e da identidade cultural açoriana. Reconhecendo a importância que estas entidades representam na vida cultural e social das comunidades emigrantes e dos descendentes açorianos na América do Norte, o Governo dos Açores tem vindo a investir de forma contínua na realização de iniciativas que mantêm vivo o património cultural da Região além-fronteiras, promovendo, ao mesmo tempo, o estreitamento de laços e o intercâmbio duradouro entre os Açores e as suas comunidades.
A realização desta ação de formação encontra-se associada às Grandes Festas do Espírito Santo da Nova Inglaterra, que decorrem em Fall River durante o último fim-de-semana de agosto, com a habitual participação de filarmónicas portuguesas de MA e RI.





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