ANTES DE SER INVENTADA, o mais certo era que, quem caísse à água, por lá ficasse. Apesar de ser um objecto simples, a BÓIA,só nasceu no século XIX. Foi a nossa …… salvação!!
OS DOCUMENTOS DE NAVEGAÇÃO MAIS ANTIGOS, NADA DIZEM. As BÓIAS SALVA-VIDAS, não embarcaram nas naus, nem nas caravelas, nem nas fragatas. Ninguém as viu nas escunas, nem nos brigues. Para quê? Até ao século XVIII, a vida de quem navegava pelo mar, tinha pouca importância. Não é de estranhar que, não passasse pela cabeça de ninguém, inventar uma forma de resgatar os homens que, por azar das tormentas, fossem atirados borda fora. “Homem ao mar, homem ao mar!”, mas …. não havia forma de resgatá-lo.
A HISTÓRIA MUDOU, NA PASSAGEM PARA O SÉCULO XIX, quando um cavaleiro inglês, de nome Spencer, idealizou e construiu um objecto para salvar os marinheiros. Uma espécie de anel “constituído por uma mangueira redonda de lona oleada com 800 rolhas de cortiça no interior”, descreve Dieter Dellinger, antigo redactor da “Revista da Marinha” – um dos fundadores do Partido Socialista e deputado na primeira legislatura pós-25 de Abril -, que se dedica à história náutica, aos navios e marinha.
SÃO POUCAS AS REFERÊNCIAS DISPONÍVEIS que expliquem a origem das BÓIAS SALVA-VIDAS.. E Dieter, filho de alemães, mas cidadão português, empenhou-se por trazer luz à questão. É por ele que sabemos que Spencer, o cavaleiro inventor, até recebeu uma medalha de prata, devido à criação. Atribui-lhe a “Royal Humane Society”, instituição britânica que promove intervenções que salvam vidas.
NA VERDADE, A FLUTUABILIDADE DE CORTIÇA já tinha sido estudada por John Wilkinson, em 1865, que chegou à conclusão que o material poderia ser usado para impedir afogamentos, revela Dieter. No entanto, só em 1848 é que surge um manual de utilização da BÓIA de salvamento de náufragos. É lá que se lêem as seguintes instruções: “assim que é lançada ao mar, os aflitos devem agarrá-la com as duas mãos, enfiar a cabeça no centro, endireitar-se e acenar com uma das mãos”, dando sinal que estão prontos para serem resgatados.
APESAR DA EXISTÊNCIA DA FORMALIDADE, a recomendação da BÓIA salva-vidas só começou a fazer parte dos regulamentos para o Serviço a Bordo dos Navios de Guerra em 1847. Está no artigo 168º do Dicionário da Linguagem de Marinha Antiga e Actual, escrito pelos comandantes Humberto Leitão e José Vicente Lopes, em que se prescreve a utilização de BÓAS de cortiça.
NA ALEMANHA IMPERIAL, foi preciso esperar pelo ano de 1891 para ver as BÓIAS em todos os navios, pintadas de branco e vermelho. A partir dessa data, passaram a ser obrigatórias em quase todas as embarcações do Mundo. Em Portugal, em 1910, foram implantados 120 postos de praia que dispunham de duas BÓIAS grandes e duas pequenas.
HOJE, AS BÓIAS TÊM TANTO DE ÚTIL, COMO DE LÚDICO. Continuam a ter função de impedir que as pessoas se afoguem, só que agora, no mar, nos rios, nos lagos e nas piscinas, não faltam donuts, flamingos, cisnes, unicórnios, frutas, caranguejos e gente que os usa para passar bons momentos.
NOTA:- A BÓIA TELECOMANDADA INVENTADA EM PORTUGAL:- “Jorge Noras, recorda um momento ocorrido em 2012. O empresário passou os dois anos seguintes a tentar dar vida à sua epifania. E conseguiu. A U-Safe foi notícia cá e lá fora. Afinal, é a primeira BÓIA salva-vidas telecomandada do Mundo. Inventada em Torres Vedras, a ideia está patenteada desde 2014, em mais de 68 países. Funciona da seguinte forma: em caso de naufrágio, pode ser accionada por controlo remoto e guiada por GPS, até à pessoa, para um salvamento mais rápido e eficaz. Consegue funcionar em condições adversas, incluindo ondulação com uma amplitude elevada.
A U-Safe consegue atingir uma distância máxima de três milhas (5,5 Km), com uma autonomia de 40 minutos e uma velocidade máxima de 15 nós (28 Km/h). E, no regresso, pode carregar um máximo de 200 quilos.





0 Comments