As origens pagãs do dia de Natal

by | Dec 23, 2025 | Cultura

 

Amanhã, 25 de dezembro, é dia de Natal consagrado à reunião da família, à paz, à fraternidade e à solidariedade entre os homens.

O Natal celebra o nascimento de Jesus Cristo, humilde pedreiro/carpinteiro judeu que talvez não soubesse ler e foi o maior líder religioso que o mundo conheceu, fundador do Cristianismo, a maior das 2.400 religiões existentes no mundo e que se contradizem umas às outras e adoram os seus próprios deuses. Mas o Cristianismo é a maior, com 2,6 biliões de seguidores, 31% da população mundial.

A palavra Natal deriva de natalis no latim, do verbo nascor que significa nascer. De natalis, em latim, surgiu natale em italiano, noël em francês, nadal em catalão, navidad em espanhol. Já o termo Christmas, usado nas línguas anglo-saxónicas para Natal, derivou do inglês arcaico Christes maesse que evoluiu para Christ’s mass e que quer dizer missa (em louvor) de Cristo.

Hoje em dia ninguém se questiona sobre a data do nascimento de Jesus a 25 de dezembro, no entanto nenhum dado bíblico indica que tenha nascido nesse dia.

Na verdade não se conhece a data do nascimento de Jesus, embora historiadores concordem que poderia ter nascido por volta do ano 4 a.C., o ano da morte de Herodes, rei da Judeia, o tal que mandou matar todas as crianças do sexo masculino em Belém com até dois anos, na tentativa de eliminar Jesus, o recém-nascido Rei dos Judeus.

Nos séculos iniciais da era cristã, a Páscoa era a celebração litúrgica central, celebrando a morte e a ressurreição de Jesus Cristo, e o Natal só começou a ser celebrado como data cristã no século IV, cerca de 350 anos depois de Jesus ter nascido, havendo registo de uma celebração natalícia que teve lugar em Roma no ano 336.

No ano 350, o Papa Júlio I (pontificado de 337 a 352) oficializou 25 de dezembro como data do nascimento de Jesus e estabeleceu formalmente o Natal como festa principal da Igreja Católica.

O Cristianismo tornou-se a religião oficial do Império Romano no ano 380 por ordem do imperador Teodósio I e no ano 529 o imperador Justiniano declarou o dia 25 de dezembro como feriado oficial em Roma e todo o império.

A Igreja Católica passou de perseguida a perseguidora e tratou de assimilar tanto quanto possível as celebrações do paganismo a fim de facilitar a conversão dos romanos, cujas festividades principais eram a Saturnália (festa de Saturno) e o Dies Natalis Solis Invicti (Aniversário do Sol Invencível).

O culto ao deus Sol era muito comum entre os povos antigos e os romanos não fugiam à regra. O centro festivo desse culto pagão acontecia no solstício de inverno (dias mais curtos e noites mais longas), celebrado no dia 25 de dezembro. Nessa época era comemorada a vitória do deus Sol que anualmente vencia as trevas. Para os cristãos Jesus Cristo é a Luz que vence as trevas do pecado e assim 25 de dezembro passou a ser celebrado como data do seu nascimento.

O Natal universalizou-se e hoje é a festa cristã mais celebrada com cerca de 2 biliões de pessoas a celebrá-lo em mais de 160 países, embora nem todos celebrem no dia 25 de dezembro. Na Rússia e na Etiópia, por exemplo, o Natal é celebrado a 7 de janeiro.

O Natal é celebrado em quase toda a parte, contudo há países onde é oficialmente proibido e pode levar a penas de prisão.

Na Arábia Saudita (o país onde vive Cristiano Ronaldo), cuja população é maioritariamente islâmica, é proibido comemorar o Natal ou qualquer outra religião além da muçulmana.

Na Coreia do Norte todo tipo de atividade cristã de culto é proibida e grupos de defesa dos direitos humanos estimam em 70.000 o número de cristãos norte-coreanos presos em campos de concentração por praticarem a sua fé.

Já na China, apesar do Cristianismo ser proibido no país desde a revolução socialista, por razões comerciais em dezembro as lojas e centros comerciais nas grandes cidades chinesas têm decorações natalícias com o Pai Natal e árvores de Natal, e muitos chineses, mesmo não sendo cristãos, parecem gostar.

No Brunei, pequeno país muçulmano na ilha de Bornéu, quem desejar simplesmente Feliz Natal pode ser condenado a cinco anos de prisão.

A Somália, localizada no Chifre da África, proibe as celebrações do Natal e do Ano Novo alegando que “ameaçam a fé muçulmana”.

Em Cuba, Fidel Castro proibiu a celebração do Natal em 1969 e as portas dos cubanos ficaram quase 30 anos fechadas ao Menino Jesus. Em 1998, o Papa João Paulo II visitou Cuba e conseguiu que o Natal voltasse a ser celebrado como festa oficial. João Paulo II foi canonizado em 2014 e este pode ter sido o primeiro milagre de São João Paulo II.

 

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