Tal como PT referiu na edição de 30 de julho, Alyssa Botelho, antiga aluna da Universidade de Rhode Island e cineasta de ficção histórica do sudeste da Nova Inglaterra, recebeu uma bolsa do programa Fulbright para Estudantes dos EUA para realizar investigação nos Açores, Portugal, para o ano letivo de 2025-2026. O seu projeto de ficção histórica, “A Última Fronteira: Guerra, Baleias e Laços Familiares Americano-Açorianos na Primeira Guerra Mundial”, será desenvolvido em colaboração com instituições açorianas em Ponta Delgada, São Miguel.
Através da pesquisa em arquivos, entrevistas com historiadores locais e imersão cultural, Alyssa desenvolverá um argumento de longa-metragem que destacará a aliança entre Portugal e os Estados Unidos na Primeira Guerra Mundial.
Passado em 1918, com o declínio da caça global de baleias, um experiente baleeiro açoriano prepara-se para a sua viagem final, confrontando o seu filho, que regressa com a Marinha dos EUA para combater submarinos alemães — obrigando ambos a enfrentar as mudanças de maré entre a família, a tradição e a guerra.
A jovem lusodescendente deslocou-se à redação do Portuguese Times para revelar em primeira pessoa esse projeto que acaba de abraçar.
“Esta oportunidade surgiu através de alguns historiadores na UMass Dartmouth sobre o significado e o papel dos Açores nas I e II guerras mundiais e toda essa relação com os Estados Unidos e foi onde tudo começou através deste contacto com esses historiadores e o facto de ser lusodescendente pelo lado paterno despertou em mim esse interesse, não obstante, através dos anos, ter perdido um pouco dessa ligação cultural às minhas raízes, e agora senti que deveria investigar e aprofundar essa relação cultural do lado paterno”, refere Alyssa Botelho, que viajará em outubro até aos Açores.
“Vou ter sessões de orientação em Lisboa no início de outubro e depois seguirei para Ponta Delgada onde farei trabalho de pesquisa no Museu Carlos Machado e no Museu Militar dos Açores e tenho falado também com a cônsul de Portugal em Ponta Delgada, Margaret Campbell e outras instituições que certamente me ajudarão no meu trabalho de investigação”, esclarece a jovem Alyssa, que deverá ser acompanhada nesta deslocação aos Açores pela família e uma amiga que tem familiares na ilha Terceira.
O projeto desta jovem lusodescendente tem o apoio do programa FullBright, de que recebeu uma bolsa e que permitirá uma ligação mais aprofundada às suas raízes açorianas. Este programa já apoiou mais de 400 mil participantes em mais de 160 países, sendo o principal programa de intercâmbio educativo internacional do governo dos EUA.
Alyssa Botelho é diretora do Turismo de Fairhaven e tem desenvolvido programas de intercâmbio, sobretudo ao nível educacional com a cidade da Lagoa, município geminado com Fairhaven, e fá-lo com grande dedicação e paixão.
“Em São Miguel vou desenvolver ativamente a relação de geminação entre Fairhaven e Lagoa, fortalecendo assim os laços cívicos e culturais entre as duas comunidades transatlânticas”, refere a jovem.
A sua apetência sobre documentários e cinematografia é algo que surgiu ainda nos tempos do liceu em Fairhaven.
“Tudo começou no Fairhaven High School onde aprendi a escrever e a realizar documentários e aprofundei esse trabalho na Universidade de Rhode Island e ao longo desse tempo tenho realizado documentários e filmes (drama, comédia, etc..) e o último projeto de curta-metragem denominado “Sweet Freedom” exigiu muito de mim, uma vez que envolveu várias individualidades e personagens e agora com este projeto de documentário histórico que liga os EUA a Portugal é um desafio interessante e estou ansiosa por começar a trabalhar nos Açores com as instituições que serão certamente muito úteis no meu trabalho de investigação”, remata Alyssa Botelho, que vai ainda aproveitar a sua estadia nos Açores para aprofundar os seus conhecimentos e gozar do ambiente e paisagem que o arquipélago proporciona.
Alyssa Botelho. Foto: Sean Campbell
A jovem lusodescendente Alyssa Botelho numa cena do seu ultimo projeto: o filme de curta metragem "Sweet Freedom". NICK DOLE
A jovem lusodescendente Alyssa Botelho numa cena do seu ultimo projeto: o filme de curta metragem "Sweet Freedom". NICK DOLE
A jovem lusodescendente Alyssa Botelho numa cena do seu ultimo projeto: o filme de curta metragem "Sweet Freedom". NICK DOLE






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