A visita do secretário de Estado das Comunidades Portuguesas aos Estados Unidos (New York, New Jersey, Rhode Island e Massachusetts) serviu primordialmente para o novo chefe desta pasta inteirar-se da realidade das comunidades portuguesas e lusodescendentes e ainda apresentar-se aos diversos agentes e líderes das várias e diferentes instituições e organizações, políticos, empresários, educadores e comunicação social.
Emídio Sousa, que durante 14 anos foi presidente da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira e cuja nomeação para esta pasta das Comunidades esteve envolta em alguma controvérsia por parte de vários partidos da oposição, em especial do Partido Socialista (alegavam pouca experiência e conhecimento das comunidades, mas afinal Sousa vem de uma família de imigrantes em França), trouxe na manga algumas sugestões e novidades.
A grande novidade tem a ver com o alargamento do direito de cidadania aos bisnetos de portugueses. Antes era apenas extensivo aos filhos e netos. O bisneto não pode solicitar a cidadania diretamente, sendo necessário que um dos seus ascendentes mais próximos já tenha a cidadania, tal como acontece antes em relação aos filhos e netos. Embora a lei careça de aprovação na Assembleia da República, Emídio Sousa não tem dúvidas em afirmar que a lei vai ser aprovada e promulgada. Esta foi, quanto a nós, a grande novidade que trouxe na bagagem. Uma excelente novidade, pois Portugal ganha maior dimensão nas e alarga fronteiras com os lusodescendentes de segunda, terceira e quarta gerações e isso traz óbvias vantagens para todos.
A outra grande aposta tem a ver com a captação de investimento em Portugal junto dos portugueses e lusodescendentes, facilitar e acelerar o processo atualmente demasiadamente burocrático e moroso e o reforço das relações com o poder local: as câmaras municipais, havendo para isso já um encontro com os diversos autarcas para a implementação de um plano estratégico mais atrativo para os potenciais investidores. É verdade que este tema já tem sido abordado por diversas vezes com a promessa de que as coisas irão melhorar e nunca melhoram acabando tudo na gaveta do esquecimento sempre que muda a cor do governo. O novo secretário de Estado das Comunidades tem larga experiência no poder local, conhece como encontrar as mais rápidas vias de solução e isso pode ser uma vantagem para quem esteja interessado em investir em Portugal.
Na sua visita a esta região, foram abordados temas como o estreitamento das relações entre Portugal e os EUA, no encontro que manteve com políticos lusoeleitos, do ensino de Português aos vários níveis, nas diversas escolas da região e ainda do tema deportações, tendo afirmado em entrevista ao PT e WJFD que não há de momento motivo para alarme e grandes preocupações face aos números apresentados. Contudo o Governo está preparado para toda a eventualidade.
Finalmente, sobre os apoios à comunicação social da diáspora e das patéticas “obrigações” e regulamentos por parte da entidade reguladora e do Governo português, estamos como São Tomé: ver para crer. Vamos esperar sentados!
Sidónio Bettencourt
O nosso amigo Sidónio Bettencourt, ao fim de praticamente meio século nas andanças radiofónicas, ainda desde os tempos do Emissor Regional dos Açores em Ponta Delgada, e agora Antena 1 Açores, resolveu aposentar-se.
Trata-se de uma figura ímpar e incontornável da rádio nos Açores, cujo percurso é preenchido de ricas etapas. O Sidónio deixa certamente uma indelével marca na história contemporânea da rádio, não só no arquipélago como também na diáspora açoriana, onde ganhou muitos amigos, pela sua forma simpática e extraordinária capacidade de comunicação e com aquele feeling e marca identitária açoriana que só um grande comunicador sabe fazer.
Sidónio Bettencourt foi efetivamente a companhia diária de muitos açorianos aqui radicados na décima ilha, do homem que através dessa magia da rádio conseguiu divulgar e projetar os Açores nas suas mais variadas vertentes nesta ponte transatlântica a todos aqueles que guardam o arquipélago no coração.
Na nossa atividade profissional como diretor deste semanário, várias vezes fomos convidados a colaborar no seu programa matinal “Inter Ilhas” levando até aos Açores alguns aspetos da vivência dos açorianos aqui radicados. Na realidade fomos cúmplices em promover e projetar os Açores nos dois lados do Atlântico.
As manhãs da RDP-Açores jamais serão as mesmas sem o Sidónio, sem dúvida uma das mais icónicas vozes da rádio dos Açores. Fecha-se assim um ciclo que deixou marcas num percurso extremamente rico. Obrigado por tudo, caro Sidónio, mas, cá entre nós existe uma dúvida: como é que se consegue matar esse bichinho da rádio?! Não é uma profissão qualquer! É uma vocação! De qualquer forma, daqui deste lado, votos de uma feliz reforma!
Francisco Resendes, Sidónio Bettencourt e Diniz Borges. Foto FR





0 Comments