A plataforma do Subsídio Social de Mobilidade é o nosso Estreito de Ormuz.
Uma coisa que era para facilitar as nossas vidas, tornou-se num inferno por teimosia do ministro Pinto Luz, apoiado por Luís Montenegro e o outro centralista Hugo Soares.
Todo o processo está rodeado de escola ‘trumpiana’, dizendo uma coisa hoje e o seu contrário no dia seguinte, como aquela decisão absurda sobre a situação contributiva dos beneficiários.
À boa maneira de Trump, tiveram entrada de leão e saída de sendeiro, com a copiosa e aplaudida derrota no parlamento nacional.
Primeiro ameaça-se contra as populações das Regiões Autónomas, depois recua-se.
Avança-se com uma plataforma estapafúrdia e depois alteram-se modelos, até ao Verão, criando mais confusão.
Não procederam a nenhuma auscultação dos governos dos Açores e da Madeira, mas depois do mal feito resolvem ceder ao diálogo.
Os cientistas já descobriram a vacina para a Covid, os astronautas já foram novamente à Lua e nós continuamos, na lusa pátria, a discutir como se resolve este imbróglio da mobilidade.
É preocupante assistir a esta nova escola do PSD, o partido fundador das Autonomias Regionais, a desbaratar esta matriz histórica e o seu perfil humanista, como também é exemplo o processo disparatado do pacote laboral ou ignorar os órgãos de governo próprio dos Açores na questão da Base das Lajes.
Agora, ameaça-se com a saída da easyjet da Madeira, numa espécie de bordel aéreo, como diz o madeirense Miguel Sousa, fazendo com isto uma vingança mesquinha, porque os deputados insulares votaram ao lado do PS e do Chega para retirar o tecto dos 600 euros.
O ministro das Infraestruturas está a viver o seu momento iraniano, sem saber como resolver a enorme ‘trumpalhada’ em que se meteu, aguardando que alguma alma caridosa do seu braço armado reponha algum tarelo, como se diz aqui em S. Miguel.
Luís Montenegro, Pinto Luz, Joaquim Miranda Sarmento e Hugo Soares julgavam que os açorianos e madeirenses fossem o Hamas e o Hezbolah dos seus disparates de governação, mas por agora ainda não os conseguiu abater.
Quem está a lucrar – e bem – com tudo isto é o PS e o Chega nos Açores, deixando antever que na discussão da futura revisão da Lei de Finanças Regionais vamos ter novo combate perante as investidas do colonialismo lisboeta.
Ainda veremos o Presidente António José Seguro a fazer de Paquistão para mediar tanta asneira desta governação, não surpreendendo os níveis de impopularidade do governo em todas as sondagens. É imperioso que a oposição continue a escrutinar bem este caso, porque o governo já demonstrou o seu carácter, capaz de fazer tudo para não regulamentar a decisão aprovada na Assembleia da República.
Até lá, vamos ter que aturar com a plataforma tomahawk, que destrói a nossa paciência.
Com tantas incursões contra a nossa vontade, ainda vamos ter que construir um sistema de defesa autonómica, tipo ‘cúpula de ferro’, ironicamente no momento em que se comemoram os 50 anos da Autonomia.
E por este andar, perante tanta sanha anti-autonomista, ainda vamos pedir que, para decidir assuntos relacionados com as mártires Regiões Autónomas, o Conselho de Ministros se reúna rodeado de pastores evangélicos.
Que Alá ilumine os génios crentes do Terreiro do Paço e lhes entregue de bandeja as 10 virgens!
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A NOSTALGIA DOS 50 – Tal como receamos, as comemorações oficiais dos 50 anos da Autonomia estão a tornar-se numa enfadonha nostalgia, envolta apenas na bolha política, sem a participação dos cidadãos.
Recordar os 50 anos é benéfico e pedagógico, mas é preciso olhar para o que vem aí: a Autonomia fica por aqui, como estamos, ou evolui? E para onde vai? Que desafios teremos nos próximos 50 anos? Continuamos ameaçados pela visão centralista dos poderes soberanos? E as reformas por fazer na Região?
É preciso envolver as populações, sobretudo as novas gerações.
Ainda vão a tempo de corrigir o programa.
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A URGÊNCIA DA SATA – Parece já existir interessados nas negociações directas para a privatização da Azores Airlines, apesar do novo caderno de encargos ainda não ser conhecido.
Faz sentido este interesse, porquanto o método negocial e as condições são diferentes, sabendo-se agora que os eventuais investidores vão ter acesso às contas, as que transitam e as que ficam à nossa conta.
Perante a situação frágil da empresa, assistimos a esta coisa espantosa, que é a marcação de greves, quando o que os sindicatos deveriam estar a promover era a transferência para a empresa dos acordos que estabeleceram com o consórcio para redução de questões laborais.
Depois não se queixem…




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