O fatídico acidente do Pico da Vara, nos Açores, foi há 77 anos. Foi a 28 de outubro de 1949. Depois de duas falhadas tentativas para aterrar no aeroporto de Santa Maria, um avião quadrimotor Lockheed Constellation da Air France, que fazia a ligação Paris-New York, esmagou-se no Pico da Vara (1.105 metros), concelho do Nordeste, ilha de São Miguel.
Eram 02h15 da madrugada, hora local. O enorme estrondo acordou a maioria dos moradores das freguesias de Santo António Nordestinho, Algarvia e Santana, onde ainda há quem recorde essa noite e os agitados dias que se seguiram. Muitos populares subiram a serra a pé, pelos estreitos trilhos, até ao local do acidente.
Não sobreviveu nenhum dos 48 ocupantes do avião. Havia corpos por todo o lado e diz-se que a desgraça foi aproveitada por alguns para encher os bolsos. Conta-se que o avião transportava muitos relógios de pulso e que houve também quem cortasse dedos das vítimas para se apoderar dos anéis.
Na altura, a imprensa francesa lançou uma má reputação sobre os locais descrevendo-os como “piratas de pés descalços”, facto que o governo português não aceitou e contrariou veemente na ocasião.
Outra crítica francesa foi sobre o reconhecimento dos corpos pelo médico do lugar, pelas condições muito limitadas da época e pelo estado de mutilação em que ficaram os corpos.
Mas na verdade, a grande maioria das pessoas subiu ao Pico da Vara por razões humanitárias. Populares e soldados idos de Ponta Delgada carregaram os cadáveres em panos de tenda até ao adro da igreja na Algarvia, onde foram metidos nos caixões para o regresso a França.
As vítimas eram sobretudo anónimos homens de negócios, mas entre eles havia algumas figuras mediáticas como Marcel Cerdan, campeão mundial de boxe; a violinista francesa Ginette Neveu e o irmão pianista, Jean Neveu; o pintor, escultor e estilista Bernard Boutet de Monvel e o norte americano Herman Kay Kamen, diretor artístico dos filmes do Rato Mickey da Walt Disney Company e que tinha acabado de fazer a Branca de Neve e os Sete Anões.
Ginette Neveu, com apenas trinta anos, era uma estrela da música clássica em França e preparava-se para iniciar a sua primeira grande digressão na América do Norte. Curiosamente, no dia 28 de outubro de 1949, no “check-in” da Air France no Aeroporto de Orly, em Paris, antes do embarque no voo 009, o pugilista Marcel Cerdan pediu a Ginette Neveu para ver o seu famoso violino Stradivarius e foi fotografado empunhando o instrumento e ao lado da violinista. Terá sido a última fotografia de Marcel e Ginette. Embarcaram juntos, mas nunca chegaram a New York.
Alguns jornais noticiaram que Ginette tinha sido encontrada abraçada ao seu Stradivarius, mas o pároco da Algarvia, o padre Domingos, relatou que o violino se encontrava destruído quando foi recolhido entre os destroços.
Contudo, o Stradivarius de Ginette ainda hoje é um enigma. Numa crónica sobre o acidente, o jornalista açoriano Lopes de Araújo apurou que “a seguradora suiça do Stradivarius foi expressamente aos Açores e fez as suas investigações, mas apenas foram encontradas as duas malas dos violinos vazias. Era um Guadagnini e o Stradivarius. O arco do Stradivarius foi encontrado algum tempo depois nas mãos de um pescador da zona. O violino esse nunca foi encontrado. Do Guadagnini foi encontrada apenas a cabeça do violino, muitos anos depois no Brasil e entregue ao construtor, durante um programa da televisão francesa nos anos oitenta, num momento muito emotivo.”
Marcel Cerdan vinha passar uns dias a New York com a sua famosa amante, a cantora francesa Edith Piaf, e treinar para o seu esperado combate com o americano Jake LaMotta. Com 33 anos, ex-campeão mundial dos médios e ainda hoje considerado o maior pugilista francês de todos os tempos com 113 vitórias em 117 combates, era a maior celebridade a bordo do avião.
Inicialmente, Cerdan tinha previsto atravessar o Atlântico de barco e treinar durante a viagem, mas Piaf telefonou ao amado e pediu-lhe que fosse mais rápido, de avião, a fim de passarem alguns dias juntos.
A cantora e o pugilista tinham-se conhecido em New York no verão de 1948 e foi uma paixão fulminante, apesar dele ser casado e com três filhos. Em outubro de 1949, Piaf fazia uma temporada no nightclub novaiorquino La Vie en Rose, onde Amália Rodrigues também viria a atuar.
A escala em Santa Maria era obrigatória, para reabastecimento. O piloto do Lockheed, Jean de la Noue, já tinha aterrado três vezes em Santa Maria, mas naquela noite cometeu um erro trágico, confundiu as luzes da vila da Povoação com o aeroporto, mas Santa Maria ficava 60 milhas a norte.
Em New York, Piaf recebeu a notícia do desastre horas antes de atuar. Não cancelou o espetáculo, mas no final da quinta canção desmaiou no palco. Nessa noite, em homenagem a Cerdan, Piaf dedicou-lhe uma das suas mais belas canções, “Hymne à L’Amour”, que ela compusera com Marguerite Monnot e cantara pela primeira vez no La Vie en Rose. A canção ficou como um momento sublime da paixão vivida pela cantora e o pugilista. Até à sua morte, a 10 de outubro de 1963, sempre que cantou “Hymne à L’Amour” em palco, Piaf dedicou a canção a Marcel.
O dinheiro é pouco para muitos e muito para poucos
O dinheiro é cada vez mais pouco para muitos e muito para poucos.
As 12 pessoas mais ricas do mundo detêm hoje mais dinheiro do que a metade mais pobre da humanidade (cerca de quatro mil milhões de pessoas), segundo relatório divulgado pela confederação Oxfam Internacional no Fórum Económico Mundial, realizado em Davos, Suiça, de 19 a 23 de janeiro e reunindo presidentes de seis dos sete países do G7, a presidente da Comissão Europeia, a presidente do Banco Central Europeu e 850 líderes empresariais de todo o mundo.
Em 2025, os bilionários no mundo tornaram-se mais de 3.000 e a sua riqueza líquida cresceu mais de 16%, atingindo um total de 18,3 triliões de dólares, o equivalente a sete vezes o PIB da Itália em 2025 (2.543 biliões de dólares), a sétima economia mundial.
Segundo a Oxfam, só o dinheiro que estes 3.000 bilionários ganharam em 2025, qualquer coisa como 2,5 triliões de dólares, seria suficiente para erradicar a pobreza extrema 26 vezes.
Número de estudantes lusos nos EUA e americanos em Portugal aumentou
O número de estudantes portugueses nos Estados Unidos e de estudantes norte-americanos em Portugal tem vindo a aumentar, conforme revela o relatório “Open Doors 2025” que é publicado anualmente pelo Instituto de Educação Internacional com o apoio do Gabinete para os Assuntos Educacionais e Culturais do Departamento de Estado norte-americano.
Este relatório sobre as tendências de mobilidade académica entre Portugal e os Estados Unidos, revela que no ano letivo de 2024-25 Portugal recebeu um número recorde de estudantes norte-americanos (1.963), e, em contrapartida, viu um aumento nos seus estudantes nos Estados Unidos.
Os dados do relatório “Open Doors 2025” indicam 1.137 estudantes portugueses a estudar nos Estados Unidos, um aumento de 2,3% em relação ao ano letivo anterior, apesar de desafios como restrições de vistos que afetaram alguns, especialmente em universidades de topo como Harvard.
Quando os EUA assinavam tratados em português
O Museu do Oriente em Lisboa tem, para além de um acervo de arte oriental, importantes documentos para estudo das relações históricas entre os países ocidentais e o Oriente, nomeadamente o primeiro tratado americano-tailandês assinado em 1833 e que inspirou há tempos uma curiosa crónica de Leonidio Paulo Ferreira no Diário de Notícias, de Lisboa, a lembrar que os americanos chegaram àquele país 322 anos depois dos portugueses e o tratado foi redigido em português. Escreveu o cronista:
“Os americanos podem ter orgulho em Edmund Roberts, o enviado à Tailândia que em 1833 assinou o seu primeiro tratado com uma nação asiática. Mas três séculos antes já Duarte Fernandes se fazia receber na corte do Sião (o antigo nome da Tailândia) para propor a amizade de D. Manuel I. E a prova de que a oferta de 1511 foi levada a sério é que os EUA tiveram de aceitar o português (a par do chinês) como idioma oficial em caso de disputa sobre o Tratado de Amizade e Comércio. É que nem os americanos entendiam tailandês, nem os tailandeses sabiam falar inglês, apesar do contato ocasional com os britânicos da Índia. Mas nesse início do século XIX, o português não resistia apenas como língua franca da Ásia. O tratado, escrito em tailandês, inglês, chinês e português, continha ainda um artigo que autorizava os EUA a criar um consulado no Sião se outra nação europeia (com exceção de Portugal) o fizesse. Porquê a ressalva? Porque os portugueses eram há muito presença habitual (Roberts relatou que um tal de Josef Piedade mandava no porto de Banguecoque) e a jovem república americana não ousava exigir um tratamento igual ao do país dos grandes navegadores.”
Piada de português
O cliente entrou numa loja e dirige-se ao empregado: “Eu quero comprar chouriço português”.
O empregado olhou o cliente, sorriu e perguntou: “Você é português, não é?”
“Sim, sou português”, reagiu o cliente mostrando-se ofendido. “Mas já agora gostava de saber porque é que você pensa que sou português, se eu tivesse pedido salsichas italianas você iria perguntar se eu era italiano ou se eu tivesse pedido pierogi você perguntaria se eu era polaco?”
“Bem, eu não…” disse o empregado.
“Bem, não”, exclamou o irritado cliente. “Porque raio é que você pergunta se sou português só por ter pedido chouriço português?”
E o empregado respondeu: “Porque esta loja é Home Depot”.





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