De passagem pelo Norte do Estado de Nova Iorque, tendo conhecimento de não estar muito longe do Santuário de Nossa Senhora de Fátima, como bons portugueses que somos, decidimos dar um pulinho do centro de Niagara Falls até Youngstown, que é uma pequena localidade (tipo aldeia) do condado de Niagara, Nova Iorque, que vivendo em comunidade com a sua vizinha Lewiston, faz parte da área metropolitana de Buffalo e Niagara Falls. Situada a oeste da cidade de Porter, é fronteiriça com o Canadá, diretamente com Niagara-on-the-Lake, da Província de Ontário. Segundo o censo de 2020, Youngstown tinha cerca de 1860 habitantes.
Com base nas palavras de Chris Clemens, estudioso e fundador da editora Exploring Upstate, e de outras fontes dispersas, ao nosso alcance, chegou ao nosso conhecimento que no decorrer dos anos 50 do século passado as comunidades polaca e italiana da região das Cataratas do Niágara uniram-se para apoiar os Padres Barnabitas, que eram missionários italianos que haviam sido convidados pela diocese de Buffalo, para ensinar nas escolas católicas, e que estavam à procura de um lugar para construir um Seminário. Tudo bem até aqui. Mas a parte mais interessante da história é o processo pelo qual um seminário deu à luz um santuário dedicado à Portuguesa Virgem Maria, sem na realidade estar nele envolvido sangue lusitano.
Tudo começou quando o Reverendo Gino Andreani, vindo da Itália em 1953 percorria, no ano seguinte, as estradas secundárias da pastoral de Lewiston à procura de um local para estabelecer a sua escola, e encontrou o terreno perfeito para realizar o seu sonho. Tentou descobrir quem era o dono do terreno, e veio a saber que se tratava de um tal Walter Ciurczak, paroquiano da Santíssima Trindade. O Reverendo Gino visitou-o na sua casa, apresentando-lhe o seu sonho para os 15 acres que o polaco ali possuía.
Walter Ciurczak nasceu na Polónia em 1893, e ainda criança veio para a América com a sua família, que se estabeleceu na área de Niagara Falls por volta de 1903. Trabalhou muito e realizou o sonho amwericano, com que veio a compar alguns terrenos. Acabando de completar meio século de vida sofreu um AVC. Pensando que daquela moléstia não escapava, Walter rezou fervorosamente a Nossa Senhora de Fátima por um milagre, que lhe foi concedido pouco tempo depois, e melhorou. Em 1954 estava completamente recuperado. Quando o Padre Andreani veio bater-lhe à porta, Walter Ciurczak viu a sua oportunidade de agradecer a Nossa Senhora. Fixou o preço dos 15 acres de terra em um dólar de prata, estipulando que após a compra o Reverendo Andreani devia erguer um pequeno santuário na propriedade, dedicado à Virgem de Fátima.
Quando a notícia daquela doação generosa se espalhou, mais pessoas começaram a doar para o santuário, e o dinheiro começou a chegar em grande quantidade. Desta forma, a ideia de criar o santuário de Nossa Senhora de Fátima trouxe mais força do que a própria edificação do seminário, mas ambos os órgãos se inauguraram ao mesmo tempo.
Na primavera de 1956, o santuário, que começou com duas simples estátuas, tornou-se um projeto de meio milhão de dólares. Na altura, o local começou com apenas uma humilde imagem de Nossa Senhora de Fátima e um pequeno edifício. Mais tarde, em 1960, foi fundado o santuário que hoje conhecemos. O Padre Andreani chamou o famoso arquiteto polaco-americano Joseph E. Fronczak, que criou o aspecto do campo santo: em forma de cruz, rodeada por ciprestes, haveria uma avenida de santos; um oratório a Nossa Senhora, outro a Santa Ana, mais outro a Santa Madre Cabrini, e mais altares, para além de um grande tanque em forma de terço.
A igreja foi iniciada em 1963 e dedicada em 1965. A 7 de outubro de 1975, o Papa Paulo VI conferiu-lhe o título de basílica. Por esta altura, em que a igreja se tornava basílica, o Professor Joseph Slawinski criou-lhe uma peça de altar em sgraffito, ao qual foi posto o nome de Mural da Paz. Representa dois desfechos para a humanidade: à esquerda encontra-se um mundo devastado pela guerra, rodeado de morte e consumido por conflitos; à direita está um mundo em que as artes, ciências, educação e sabedoria são celebradas; no centro encontra-se o Espírito Santo olhando para baixo, para uma mulher grávida, ladeada pelas “quatro raças do mundo”. Esta peça encontra-se actualmente na sala especial de arte sacra do santuário (no lugar da antiga sacristia).
Anualmente, milhares de peregrinos de todo o país, e de outras partes do mundo, visitam a basílica que se destaca por uma magnífica cúpula que mede 100 pés (30m) de diâmetro e 55 pés (17m) de altura. É coberta com duas camadas de vidro. Um normal, e outro acrílico, que representam um contorno do Hemisfério Norte do nosso planeta. No topo da cúpula, há uma estátua de Nossa Senhora de Fátima que tem 13 pés (4m) de altura e pesa cerca de 10 toneladas, esculpida em granito de Vermont. É uma imagem que pela sua aparência impõe respeito; e por ter sido colocada em cima do globo, no nosso entender, está velando por ele (e por todos nós).



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