A Nobel Maria Corina Machado é lusodescendente, Carlos Tavares presidente da Azores Airlines e Cristiano Ronaldo o primeiro futebolista bilionário

by | Oct 15, 2025 | Expressamendes

A Nobel Maria Corina Machado é lusodescendente

 Dia 8 de outubro, pouco antes das 5h da manhã, Maria Corina Machado recebeu um telefonema de Oslo, de Jorgen Watne Frydnes, secretário do Comité Nobel Norueguês, a informá-la de que acabara de ganhar o Prémio Nobel da Paz de 2025.

Os prémios Nobel foram criados em 1895 pelo químico, engenheiro e industrial sueco Alfred Nobel (inventor da dinamite). No seu testamento, Nobel deixou expressa a vontade de atribuir um prémio a indivíduos que se destacassem em várias áreas, incluindo à pessoa que “tiver feito o maior ou melhor trabalho pela fraternidade entre nações e a abolição ou redução de exércitos permanentes e a formação e difusão de congressos de paz”.

O galardão é atribuído desde 1901. Além do diploma simbólico e da medalha de ouro, o vencedor ganha 11 milhões de coroas suecas, cerca de um milhão de dólares.

O Nobel da Paz é o único prémio entregue fora da Suécia. A cerimónia vai ser em Oslo, na Noruega, dia 10 de dezembro, no aniversário da morte de Alfred Nobel, que morreu em 1896.

Ainda não é certo se Maria Corina Machado, que vive escondida na Venezuela desde as eleições presidenciais de julho de 2024, conseguirá estar presente em Oslo. Mas a atribuição do prestigioso prémio foi uma denúncia contra os autoritarismos em todo o mundo e um apoio à causa de Maria Corina Machado, que luta pela democracia na Venezuela, onde há nesta altura 841 presos políticos, nove milhões de exilados e milhares de mortos desde que a ditadura do presidente Hugo Chávez chegou ao poder em 1998 e é mantida agora por Nicolás Maduro, na presidência há 12 anos.

Maria Corina Machado, 58 anos, foi deputada da Assembleia Nacional da Venezuela entre 2011 e 2014, e fundou em 2002 a Súmate, uma organização não-governamental dedicada ao desenvolvimento democrático do país e defendendo eleições justas há mais de 20 anos. No ano passado, foi impedida pelos tribunais venezuelanos de concorrer à presidência e de desafiar, assim, o presidente Nicolás Maduro. Apoiou então a candidatura do embaixador Edmundo González, que terá ganho, mas as autoridades venezuelanas controladas pelo regime atribuíram a vitória a Maduro e González vive hoje exilado em Espanha.

Na última vez que Machado apareceu em público, a 9 de janeiro, quando convocou os venezuelanos para uma manifestação em Caracas um dia antes da posse de Maduro, foi presa pela polícia política. Homens armados sequestraram-na e levaram-na para um parque, onde a filmaram e obrigaram-na a dizer que estava bem e que seria libertada.

Apesar das ameaças à sua vida, Maria Corina permanece no país, uma decisão que inspirou milhões de venezuelanos. Mas a eventual detenção de Maria depois de ter ganho o Prémio Nobel da Paz poderá ter maiores custos para a Venezuela e originar uma invasão militar.

Nascida em Caracas a 7 de outubro de 1967, Maria Corina Machado Parisca é a mais velha de quatro irmãs. É filha de Henrique Machado Zuloaga, um empresário na área da metalurgia, e de Corina Parisca Perez, uma psicóloga. Há uma particularidade no nome da política, um dos apelidos é de origem portuguesa. O clã Machado venezuelano começou com a chegada do português José Dias Machado à antiga cidade de Angostura, hoje Ciudad Bolívar, onde casou com Petronila Afanador y Salas, natural da Província da Guiana, a 19 de março de 1788. Foram pais de José Luis e do capitão-de-fragata José Tomás Machado Afanador.

José Tomás Machado Afanador, nascido em Angostura a 24 de dezembro de 1788, foi oficial da Marinha durante a luta pela independência e foi o fundador da Sociedade Liberal da Venezuela. Ou seja, o liberalismo está no sangue de Maria Corina Machado desde a independência da Venezuela.

José Tomás Machado Afanador foi governador da Província de Guayana em 1845, 1849 e 1853. Casou com Maria Concepción Contasti Arcadio, de Angostura, e teve vários filhos, entre os quais Serapio, José Luis, Rafael e José Tomás Machado Contasti.

São antepassados de Maria Corina Machado Parisca o escritor e político Eduardo Blanco, assessor do general José Antonio Páez e autor da obra “Venezuela Heroica”, publicada em 1881 e que narra a gesta da independência, e Armando Zuloaga Blanco, que morreu em combate em 11 de agosto de 1929, em Cumaná, durante uma tentativa de exilados venezuelanos para derrubar o ditador Juan Vicente Gómez. Ambos são oriundos do ramo Zuloaga da família de Maria Corina Machado.

A linhagem Machado é extensa, estendendo-se desde o quinto bisavô de Maria Corina, José Dias Machado, até ao seu quarto bisavô, José Tomás Machado. O legado continuou com Serapio Machado Contasti, que casou com Clementina Núñez Afanador a 17 de novembro de 1841, em Ciudad Bolívar, tornando-se seus trisavós. Deste casamento, nasceram Tomas, Alfredo e Regulo Machado Núñez, na mesma cidade. A linha paterna de Maria Corina continua com Alfredo Machado Núñez, o seu bisavô, com Oscar Machado Hernández, o seu avô, e, finalmente, com o seu pai, Henrique Machado Zuloaga.

São estes os antepassados lusodescendentes de Maria Corina Machado Parisca, galardoada com o Prémio Nobel da Paz 2025 e que pode vir a ser presidente da Venezuela.

 

Carlos Tavares na presidência da Azores Airlines

Carlos Tavares poderá ser o novo presidente da Azores Airlines, a companhia aérea dos voos intercontinentais da transportadora açoriana SATA, caso se confirme a compra da companhia pelo consórcio Newtour/MS Aviation.

Nascido em Lisboa, Carlos Tavares já foi a pessoa mais poderosa e influente da indústria automóvel. Formado em engenharia, em França, começou a sua carreira executiva na Renault com o lançamento do Mégane II, um carro vencedor de prémios e conquistador de mercado.

O sucesso na Renault valeu-lhe convite para presidente executivo da Stellantis, o segundo maior construtor de carros da Europa com 15 marcas, entre as quais Chrysler, Citroën, Fiat, Opel e Peugeot.

Tavares não ganhava mal na Stellantis. Em 2021, a sua remuneração anual foram 20 milhões de dólares, em 2022 saltou para 24 milhões e em 2023 ganhou a principesca quantia de 39,5 milhões.

Carlos Tavares deu muito dinheiro a ganhar às famílias Agnelli e Peugeot, (5 biliões de dólares em 2023), mas não tanto como elas desejariam e, dia 1 de dezembro de 2024, ano e meio antes do fim do seu contrato, a Stellantis anunciou que o português deixava de ser o CEO do grupo.

Tavares não saiu de mãos a abanar. Em 2024, recebeu da Stellantis 36,4 milhões de dólares, o que incluiu 24 milhões de salários e mais 12 milhões em indemnizações e bónus. Caso se esteja a perguntar quanto dinheiro ganhou Tavares nestes quatro anos na Stellantis, temos números interessantes: 120 milhões de dólares.

Por isso, Tavares pretende agora, aos 66 anos, dedicar-se a negócios em Portugal e usar a experiência adquirida ao longo de 50 anos em França para desenvolver empreendimentos no seu país de origem.

Tavares faz parte do consórcio liderado pela Newtour e MS Aviation, único concorrente interessado no processo de privatização da SATA Internacional e tem participado em reuniões.

O consórcio foi criado por Tiago Raiano, dono da Newtour (Soltroia e Best Travel), e a MS Aviation, proprietária da companhia de aviação Bestfly, cujo acionista maioritário é Nuno Pereira, também detentor de 70% da TICV – Transportes Interilhas de Cabo Verde.

As negociações oficiais já tiveram início e Carlos Tavares poderá ser o novo presidente da Azores Airlines caso se confirme a compra da companhia pelo consórcio Newtour/MS Aviation. Além dos transportes aéreos, Tavares está também interessado no setor alimentar e agrícola (vinhos do Porto, cortiça e azeite e, além de vinhas no Douro, possui uma fazenda em Santarém). Tem também uma empresa de empreendimentos turísticos focada no turismo rural, é sócio de uma empresa de restauro de automóveis clássicos, a Roda Clássica, em Viseu, e está investindo na ADESS, construtor de automóveis de competição com sede em Vialonga.

Carlos Tavares adora automobilismo de competição, que descobriu aos 14 anos no autódromo do Estoril. Começou a competir em França e já participou em mais de 800 provas. Não é nenhum Juan Manuel Fangio ou Michael Schumacher, mas em 2014 ganhou as 24 Horas de Barcelona num Peugeot RCZ, em 2020 correu as clássicas 24 Horas de Le Mans e em 2022 o histórico Rali de Monte Carlos num Lancia Stratos HP.

 

Cristiano Ronaldo multimilionário

Cristiano Ronaldo tornou-se o primeiro futebolista a atingir o estatuto de bilionário, segundo o Bloomberg Billionaires Index, que avalia o património líquido do craque português em 1,4 bilião de dólares. O futebolista, de 40 anos, viu a sua fortuna disparar após assinar, em junho, novo contrato com o clube saudita Al-Nassr, avaliado em mais de 400 milhões de dólares.

A Bloomberg refere que Ronaldo ganhou mais de 550 milhões de dólares em salários entre 2002 e 2023, aos quais se juntam um contrato de 10 anos com a Nike, avaliado em quase 18 milhões de dólares anuais, e patrocínios lucrativos com marcas como Armani, Castrol e outras, que acrescentaram mais de 175 milhões de dólares à sua fortuna.

A transferência de Ronaldo do Manchester United para o Al-Nassr, em 2023, já o tinha tornado o jogador mais bem pago da história do futebol, com um salário anual de 237,5 milhões de dólares, além de bónus e de uma participação de 15% no clube saudita. O estatuto de bilionário coloca Ronaldo num grupo restrito de desportistas que inclui os basquetebolistas Michael Jordan, Magic Johnson e LeBron James, o golfista Tiger Woods e o tenista Roger Federer. Jordan, cuja fortuna é estimada em 3,8 biliões de dólares, foi o primeiro basquetebolista da NBA a tornar-se bilionário em 2019, quando vendeu os Charlotte Bobcats por 3 biliões de dólares, e que tinha comprado por 250 milhões.

Magic Johnson tem um património de 1,5 bilião de dólares e investimentos em variadíssimos negócios desde 30 restaurantes Burger King, 100 cinemas AMC, 124 cafés Starbucks, centros comerciais Transamerica e sócio das equipas Los Angeles Dodgers (NLB), Los Angeles Sparks (WNBA), Los Angeles FC (MLS), Washington Commanders (NFL) e Washington Sprint (NWSL). LeBron James ganhou 1,2 bilião de dólares jogando pelos Cleveland Cavaliers, Miami Heat e Los Angeles Lakers. Como investidor prefere AT&T e Walmart, mas também é um dos acionistas do grupo Fenway Sports, de Boston, proprietário do estádio Fenway, da equipa Boston Red Sox e do Liverpool FC de Inglaterra.

Ao longo da sua carreira, Tiger Woods ganhou 1,8 bilião de dólares em prémios e o seu pé de meia é estimado em 1,5 bilião de dólares. Gosta de investimentos imobiliários e um dos seus maiores projetos é de sociedade com o músico Justin Timberlake.

Roger Federer tem 1,1 bilião de dólares acumulados com prémios e patrocínios de Uniqlo, Rolex e Moet & Chandon. Mas o seu melhor investimento é a marca suiça de calçados e roupas desportivas On, com lojas em 55 países e que tem nos EUA o seu maior mercado.

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