Se existe uma época ideal para visitar New York é no Natal, a cidade converte-se num verdadeiro cenário de cinema com as ruas iluminadas e decoradas.
Vivi o meu primeiro Natal novaiorquino em 1973, quando morei uns meses na Rua 3, em Manhattan, a dois passos da Washington Square, famosa pelo seu arco do triunfo e onde nesta altura grupos corais se exibem todas as noites com canções natalícias.
Por sinal, assisti nesse ano à festa de Natal no Portuguese American Progressive Club (PAPC), na Varick Street, fundado em 1937 com 400 sócios mas naquela altura reduzido a pouco mais de uma centena e que deixaria de existir por volta de 1988.
Pode dizer-se que a quadra natalícia novaiorquina começa com a tradicional parada no dia de Thanksgiving da loja Macy’s, que se realiza desde 1924 e terá a sua 102ª edição em 2026, e a inauguração das ornamentações das ruas e do pinheiro do Rockefeller Center.
O Rockefeller Center é um centro comercial de lojas careiras, com uma pista de patinagem no gelo chamada The Rink, aberta das 9h da manhã às 11 da noite e cuja admissão são $27 para adultos, $15 para crianças e o aluguer dos patins $12. Tem também um restaurante onde se pode beber um chocolate quente e rir dos tombos dos patinadores inexperientes.
A história do pinheiro do Rockefeller Center remonta ao Natal de 1931, os operários que construiam o centro colocaram um pinheiro na pista de patinagem, a ideia pegou e a árvore passou a ser iluminada quando os edifícios foram inaugurados em 1933.
Todos os anos, é escolhido a dedo um pinheiro para ser enfeitado na Rockefeller Plaza. Este ano é um abeto norueguês de 25 metros iluminado com mais de 50.000 lâmpadas Led e coroado por uma estrela Swarovski que pesa 400 quilos e tem mais de um milhão de cristais no topo. A árvore do Rockefeller Center converteu-se num símbolo do Natal novaiorquino, mas há na cidade outras árvores de Natal que os novaiorquinos apreciam e algumas históricas: a do Madison Square Park (11 Madison Avenue, entre as ruas 26 e 23), foi a primeira árvore de Natal montada publicamente nos EUA em 1912 e a árvore de Wall Street, ao lado do prédio da Bolsa (11 Wall Street), que foi a primeira a receber iluminação elétrica na cidade há 102 anos, em 1923.
Além do Rockefeller Center, outras áreas da cidade como Hudson Yards, 5ª Avenida, Lincoln Center e a área de Midtown também têm decorações e iluminação e esta última preparando-se também para a celebração da passagem do ano em Times Square com a icónica descida da bola de cristal, que este ano terá a 117ª edição e atrairá como sempre um milhão de pessoas.
New York espera neste Natal cinco milhões de turistas diariamente para verem a iluminação das ruas e as montras com decorações natalícias. Mesmo sem comprar, é obrigatório entrar no Macy’s da Rua 34 Oeste na Herald Square. O Macy’s tem 455 lojas em todo o país e em New York são quatro, mas a tradição é entrar na loja da Rua 34, que promove no 8º andar a Macy’s Santaland, recreação de uma vila do Polo Norte com a presença ilustre do Pai Natal para ouvir os pedidos das crianças e tirar fotos, e que atrai todos os anos mais de 300.000 visitantes.
As iluminações mais espetaculares são as da fachada da Tiffany & Co. na 5ª Avenida, perto do Rockefeller Center. É um show musical luminoso com a duração de três minutos e que acende de dez em dez minutos a partir das 5h da tarde.
As montras melhor decoradas são premiadas e a Ralph Lauren, na Avenida Madison, recebeu em 2024 o PAVE Global VMSD Winning Window Award, o Oscar da decoração de montras.
Este ano, a Bloomingdale, na esquina da Rua 59 com a Avenida Lexington, tem como tema das decorações “O Fantasma da Ópera”, célebre musical de Andrew Lloyd Webber que estreou na Broadway em 1988 e que, 37 anos depois, continua em cena agora numa versão comemorativa designada “Masquerade” que pode ser vista na Lee’s Art Shop, Rua 57 Oeste.
Por falar em Broadway, não se pode perder o show natalício das Rockettes no Radio City Music Hall (1269 6ª Avenida), uma tradição iniciada em 1933. O show do Radio City são cinco apresentações diárias na altura do Natal e, embora os bilhetes não sejam baratos, sempre com lotação esgotada.
Outra tradição natalícia novaiorquina é o New York City Ballet no clássico bailado “The Nutcracker” (Quebra-Nozes), de Tchaikovsky, no David Koch Theater (729 7ª Avenida) e que este ano cumpre 50 anos de apresentações com a coreografia original criada por George Ballantine em 1954. Os interessados em teatro têm também à escolha três produções do clássico “A Christmas Carol”, de Charles Dickens: pela companhia do Perlman Performance Arts Center na Fulton Street; uma versão de um só ator no Merchants Art Museum com Dickens interpretado alternadamente por John Kevin Jones e Vince Gatton, e uma adaptação musical no The Players Theatre, da autoria de Alan Menken e Lynn Ahrens.
“O Messias” é outra tradição natalícia novaiorquina e estão anunciados mais de 20 concertos em diferentes locais, o mais conhecido dos quais na igreja de Trinity, onde a obra de Haendel foi interpretada pela primeira vez nos EUA, em 1770.
Nas catedrais de São João, o Divino, na Avenida Amsterdão (entre as ruas 110 e 113), e de São Patrício, na 5ª Avenida (Rua 51), há nesta altura corais em concertos natalícios. Andar pelas ruas de New York no Natal e não comprar nada é quase impossível, pois além das lojas, existem as Holiday Markets, feiras de artesãos. Se tiver oportunidade, passe no Columbus Circle Holiday Market, na entrada do Central Park na Rua 59, que tem uma feira com um show de luzes todas as noites. Outra famosa feira de Natal é no Bryant Park, na 6ª Avenida, entre as ruas 40 e 42, perto de Times Square, que tem uma pista de gelo e um café para completar o passeio. E para quem quer fugir do frio, existe a feira na Grand Central Terminal Station, na Park Avenue, entre as ruas 89 e 42.
Há quem vá nesta altura a New York só à procura de pechinchas como malas Gucci por 20 dólares, mas o melhor é deixar as compras de Natal para o dia 26 de dezembro, quando as lojas entram nos After Holiday Sales, ou seja, saldos de liquidação. Mas ainda assim cautela, malas da Gucci compradas na rua em New York no Chinatown são como as camisas Lacoste dos ciganos em Portugal.






0 Comments