Lisboa, 06 ago 2026 (Lusa) – A Ponte 25 de Abril celebra seis décadas a ligar Lisboa e Almada. Já não é a única ponte sobre o Tejo na capital portuguesa, depois da Ponte Vasco da Gama, mas continua a ser a mais movimentada.
Construída em pleno regime do Estado Novo, a primeira ponte sobre o Tejo em Lisboa foi inaugurada com o nome de Ponte Salazar, embora, segundo o livro “A Ponte Inevitável”, de Luís F. Rodrigues, o ditador não querer dar o seu nome à infraestrutura, tendo cedido à pressão “do ministro das Obras Públicas, engenheiro Arantes e Oliveira, corroborado pelo Presidente da República, Américo Thomaz”.
Com início de construção em novembro de 1962, a obra ficou concluída em menos de quatros anos, seis meses antes do prazo previsto, com um custo final de 4,49 milhões de contos, cerca de 22,39 milhões de euros.
Considerada “a maior obra pública” realizada até à data em Portugal, a construção envolveu cerca de 3.000 trabalhadores diariamente, 14 empresas de construção civil, das quais 11 portuguesas, e dezenas de milhares de toneladas de aço, fazendo desta infraestrutura uma referência internacional da engenharia.
A ponte destaca-se por ter um vão principal com mais de um quilómetro, uma distância entre amarrações que ultrapassa os dois quilómetros e torres principais que se elevam a 196 metros acima do nível da água, com o pilar sul a atingir cerca de 80 metros de profundidade abaixo do nível do rio.
Apesar das vantagens que trouxe à mobilidade entre as duas margens do Tejo, a sua construção não ficou livre de críticas devido ao impacto social em milhares de moradores do Vale de Alcântara que foram desalojados para a instalação dos acessos e pilares.
À época, o arquiteto Nuno Teotónio Pereira criticou o regime de Salazar pelas condições desumanas em que levou a cabo o processo de desocupação dos bairros de barracas, comuns em Lisboa nessa altura, bem como os realojamentos que denunciou terem sido apressadamente executados e mal planeados, provocando situações dramáticas.
Ao longo dos 60 anos da existência da ponte, o tráfego rodoviário foi aumentando, ano após ano, permanecendo 2005 como o ano recorde, com a circulação de mais de 57 milhões de viaturas, com uma média diária de 156 mil veículos, o que é justificado com a forte expansão demográfica e imobiliária da Península de Setúbal, como Almada, Seixal e Barreiro.
Em março de 1998 é inaugurada a segunda ponte sobre o Tejo na capital, a Ponte Vasco da Gama, ligando o município de Alcochete a Lisboa e Sacavém, no entanto a 25 de Abril continua a ser a mais movimentada, com mais do dobro do tráfego.
Desde a inauguração em 1966, foram aplicadas tarifas aos condutores para atravessar a ponte, inicialmente 10 escudos para um veículo de classe 1, tendo-se verificado sucessivos aumentos até aos atuais 2,25 euros, sendo que entre 1996 e 2010 não se pagou portagens no mês de agosto.
Atualmente, de acordo com a Infraestruturas de Portugal (IP), a ponte é utilizada diariamente por cerca de 150 mil veículos e 174 comboios, servindo, nas suas valências rodoviária e ferroviária, mais de 100 milhões de utilizadores por ano.
Desde a inauguração em 1966, foram aplicadas tarifas aos condutores para atravessar a ponte, inicialmente 10 escudos para um veículo de classe 1, tendo-se verificado sucessivos aumentos até aos atuais 2,25 euros, sendo que entre 1996 e 2010 não se pagou portagens no mês de agosto.



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