Sintra, Lisboa, 06 ago 2026 (Lusa) – Francisco Campos (Tavira-Crédito Agrícola) aproveitou hoje a articulação com o colega Miguel Salgueiro para conquistar a primeira vitória numa etapa da Volta a Portugal em bicicleta, com Rui Oliveira (UAE Emirates) a tornar-se líder da classificação geral.
Oitavo no prólogo de quarta-feira, Miguel Salgueiro lançou-se de forma ‘explosiva’ para a dianteira de um pelotão que entrou compacto no último quilómetro e guiou Francisco Campos e Daniel Cavia (Burgos-Burpellet-BH) para uma disputa ao sprint que valeu ao penafidelense o triunfo na primeira etapa da 87.ª edição, entre Lourinhã e Queluz, de 157,1 quilómetros, com velocidade média de 43 quilómetros por hora.
“Hoje foi um dia muito feliz para mim e para a equipa. É a minha primeira etapa na Volta a Portugal. Já a corro há alguns anos. Tento sempre estar nos primeiros, mas ganhar é outro nível”, assumiu o corredor, de 28 anos, aos jornalistas, após subir ao pódio como vencedor da etapa e líder da classificação por pontos, com 25.
O desfecho da tirada, junto ao Palácio Nacional de Queluz, mudou o figurino de um dia que parecia de infortúnio para a equipa algarvia, já que Noah Campos nem sequer cruzou a linha de partida, tornando-se no primeiro corredor a desistir, e Afonso Silva, corredor com aspirações à classificação geral, furou um pneu na subida a São Pedro de Sintra, a 20 quilómetros da meta, e terminou com 01.12 minutos de atraso.
Apesar de ter ficado fora do ‘sprint’ decisivo e de cruzar a meta em quarto lugar, Rui Oliveira é o outro protagonista do dia, ao vestir pela primeira vez a camisola amarela na corrida portuguesa, fruto da descolagem do colega Julius Johansen, que descolou do pelotão na última contagem de montanha do dia e perdeu 05.28 minutos, cedendo assim a liderança da geral.
“É um sonho tornado realidade. Já estar à partida era um ‘sonho’. É um dia incrível ouvir o meu nome estrada fora. Fazer pelo menos uma etapa de camisola amarela é incrível. Só tenho de agradecer à minha equipa”, vincou aos jornalistas, assumindo que, depois de vestir a amarela, só lhe resta vencer uma etapa.
Os primeiros corredores a evidenciarem-se foram, porém, o espanhol Iker Bonillo (Boavista-Feira dos Sofás), o norte-americano Patrick Welch (APS Pro Cycling by Team Cadence Cyclery), os brasileiros Gabriel Silva (Localiza Meoo-Swift Pro Cycling) e Andrey André (GI Group Holding-Simoldes-UDO) e o português Diogo Pinto (Credibom-LA Alumínios-MarcosCar), com uma fuga do pelotão ao quilómetro dois.
Após lutas acérrimas com Welch na meta volante de Silveira, em Torres Vedras, e nas duas metas volantes contíguas ao Palácio Nacional de Mafra, cabendo ao espanhol duas vitórias e ao norte-americano uma, o corredor da Feira dos Sofás-Boavista isolou-se do grupo e foi o primeiro a cruzar a contagem de montanha de terceira categoria, em Montelavar.
Nenhum dos elementos do quinteto resistiu à aceleração do pelotão, movida, numa primeira fase, pela UAE Team Emirates e, mais tarde, pela Anicolor-Campicarn, pela Euskaltel-Euskadi e pela Aviludo-Louletano-Loulé.
A fuga foi neutralizada na subida para São Pedro de Sintra, em que o espanhol Oscar Rota atacou para se tornar líder da montanha, garantindo que o dia da Feira dos Sofás-Boavista se tornasse ainda mais positivo.
Nos 15 quilómetros finais, os corredores procuraram sobretudo garantir o melhor posicionamento possível para a chegada ao ‘sprint’, com a Euskaltel-Euskadi e a Aviludo-Louletano-Loulé a assumirem a frente do pelotão até ao ataque súbito de Miguel Salgueiro ‘baralhar’ as contas dessas duas equipas e entregar a vitória mais importante da carreira a Francisco Campos.
O vencedor da tirada de hoje prometeu, no final, que a Tavira-Crédito Agrícola vai tentar novo êxito na sexta-feira, na etapa de 180,4 quilómetros que une Sines e Albufeira, propícia para nova chegada ao sprint, na qual o novo camisola amarela, campeão olímpico em Paris2024, na vertente de madison, em ciclismo de pista, também aspira ao triunfo.






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