“As comunidades madeirenses são a nossa extensão, são elas que dão grandeza à Madeira” – Rubina Leal, presidente da Assembleia Legislativa Regional da Madeira, ao PT e WJFD

by | Aug 5, 2026 | Eventos Comunitários

 

A 110ª edição da Festa do Santíssimo Sacramento em New Bedford contou este ano com uma representante da Madeira. Trata-se da dra. Rubina Leal, presidente da Assembleia Legislativa Regional da Madeira, que pela primeira vez marcou presença nesta que é considerada uma das maiores festas dos portugueses em todo o mundo.

Na sua intervenção na cerimónia da abertura das festividades, Rubina Leal manifestou o seu contentamento pela presença e o apreço por todos aqueles que mantêm de pé esta festa. 

Na manhã da passada sexta-feira, a presidente da ALRM visitou a redação do PT e da WJFD a quem concedeu uma breve entrevista.

“Efetivamente é a primeira vez que estou nesta grande festa da diáspora e das comunidades, em particular aqui em New Bedford. Foi com grande satisfação que constatei o enorme empenho, envolvimento, e o grande número de pessoas, voluntários, festeiros e patrocinadores (sponsors) que ajudam a construir este evento. No fundo, é uma grande festa que exalta a nossa cultura, representa a nossa identidade e onde o sentimento de pertença está muito presente”, começou por dizer ao PT e à WJFD a presidente da Assembleia Legislativa Regional da Madeira, que adianta sobre o contributo dos madeirenses para o progresso da terra de origem.

“O que posso dizer é que as comunidades são a nossa extensão; são elas que dão grandeza à nossa região. Nós, os que lá vivemos, somos muito poucos — cerca de 250 mil pessoas residem na Madeira. Mas nós não somos só esses. Somos esses e todos os outros que estão espalhados por todo o mundo, na nossa diáspora. É isso que nos traz grandeza, que nos ajuda a crescer e que nos amplifica e dignifica. Sendo uma região tão pequena, a Madeira torna-se enorme através dos seus maiores embaixadores: os nossos emigrantes”, sublinhou Rubina Leal, que tem palavras de apreço e reconhecimento pela grandeza da festa madeirense do Santíssimo Sacramento em New Bedford.

“É de enaltecer o facto de se conseguir, 110 anos depois, manter esta festa com tanta vivacidade. Isto é a demonstração de que, quando há vontade, paixão pela terra e ligação às raízes, as pessoas e as organizações — neste caso o Clube Madeirense do Santíssimo Sacramento — conseguem organizar-se, planear e realizar uma grande manifestação de cultura. Tudo começou com os “Quatro Manuéis”, todos oriundos do concelho da Calheta, e hoje mantém-se com uma adesão enorme, como ontem tive oportunidade de constatar. É uma adesão, sobretudo, de uma população maioritariamente jovem. Mas na base desta continuidade não estão apenas os jovens; estão todos aqueles que, através das instituições e da sua ligação à terra, mantêm viva esta manifestação de cultura e de alegria”, referiu a presidente da ALRM, que aproveitou a sua estadia por estas paragens para encetar contactos com individualidades dos mais variados ramos de atividade.

“ Sim, já mantive contacto com algumas entidades locais, incluindo Tim Rodrigues, presidente da associação, e terei ainda encontros com a entidade consular e com a Governadora. Estas são as principais entidades com quem estarei reunida. O meu principal objetivo nestes contactos é garantir que eles nunca esqueçam as nossas comunidades. O emigrante tem contribuído muito ao longo dos anos para o desenvolvimento da nossa região — lembro que a Madeira era uma das regiões mais pobres do país e hoje é uma daquelas com melhores indicadores, muito graças ao contributo dos emigrantes. Contudo, os países de acolhimento também ganharam muito com a nossa emigração. Tivemos a coragem de emigrar, e não é fácil deixar tudo para trás — a terra, a família. Essa emigração forneceu uma grande força de mão de obra especializada e extremamente aplicada, porque o madeirense é, por natureza, um grande trabalhador. Portanto, os políticos e as autoridades locais não se podem esquecer de que estas comunidades são uma enorme mais-valia. O meu apelo é que sejam sempre bem atendidas e que se facilite a resolução dos seus problemas, nomeadamente na regularização de documentos, até para os seus descendentes. E, obviamente, a entidade consular tem aqui um papel fundamental. Às associações, o que peço é que nunca percam a capacidade de manter viva a nossa cultura, a nossa identidade e o sentimento de pertença à região”, realçou Rubina Leal.

Na entrevista, um dos assuntos abordados foi a tragédia na Venezuela e o drama vivido por muitos dos imigrantes portugueses que ali residem, a maioria dos quais de origem madeirense.

“Antes de mais, envio um abraço solidário a toda a população na Venezuela por esta grande tragédia. O Governo Regional agiu de imediato, enviando para lá o chefe de gabinete do Presidente do Governo, que marcou presença no terreno. A Madeira tem feito o que pode para apoiar de forma efetiva. Quando ocorreu uma das anteriores vagas de emigração da Venezuela, por acaso eu era secretária regional, e encontrámos formas de apoiar e acolher essa população. Somos uma população pequena, mas sabemos que há sempre lugar para acolher aqueles que desejam voltar, seja no mercado de trabalho ou a outros níveis. Nós, que fomos emigrantes, também temos de saber acolher — e a Madeira tem-no feito. Obviamente, quando regressam, têm os mesmos direitos e apoios de qualquer cidadão nacional. Acredito que a Madeira está sempre disponível e com capacidade para os receber. Sei que o Governo Regional já enviou apoios financeiros para a Venezuela, recorrendo a fundos preparados para esse efeito, e que há várias organizações a recolher bens e donativos. Eu própria estive em contacto com a AMI (Assistência Médica Internacional), que desencadeou apoio médico, psicológico e envio de bens materiais. Como tenho experiência na gestão de outras crises (como os grandes incêndios), mantenho ligações muito próximas com algumas instituições. Enquanto presidente da Assembleia, foram-me solicitadas algumas indicações e julgo que está tudo preparado para acolher da melhor forma quem pretenda regressar. No entanto, embora saibamos que quem regressa costuma ter o apoio familiar no que toca à habitação, a sensação que tenho é que grande parte destas pessoas construiu a sua vida lá e procurará, acima de tudo, reconstruí-la na Venezuela”, afirma a dra. Rubina Leal, que conclui:
“Agradeço o convite e eu, como presidente da Assembleia Regional da Madeira tenho não apenas o papel de legislar e fiscalizar a ação governativa, mas também o dever de representar a região. E enquanto representante do povo da Madeira, tinha necessariamente de estar na maior festa do mundo dedicada às nossas comunidades. A mensagem que deixo é: mantenham sempre viva a vossa cultura e a paixão pela vossa terra, pois é isso que nos dá a nossa identidade. Apesar de estarem longe, os “deslocados” nunca esquecem as suas raízes e a sua história — algo até evocado de forma muito interessante naquela canção que venceu o Festival da Eurovisão. Aquilo que vos peço é que transmitam esse amor aos vossos descendentes — aos vossos filhos e netos —, que mantenham a Madeira sempre viva e presente. E, um dia, se puderem, voltem”.

 

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