Dias 30, 31 de julho e 1, 2 de agosto, tem lugar no Madeira Field, 50 Madeira Avenue, em New Bedford, Massachusetts, a 110ª Festa do Santíssimo Sacramento promovida pelo Clube Madeirense do Santíssimo Sacramento e que capricha nos superlativos como “the Largest Portuguese Feast in the World and the largest ethnic festival in New England”.
Na Madeira, a Festa do Santíssimo Sacramento realiza-se em diversas paróquias e uma das características são os tapetes de flores nas ruas por onde passará a procissão.
Em New Bedford, a Festa do Santíssimo Sacramento, popularmente conhecida como Festa dos Madeiras, por ser promovida por madeirenses, não tem tapete de flores, mas compete para o Guinness Book of Records como o local dos Estados Unidos onde se bebe mais cerveja no mais curto espaço de tempo à volta de 600 barris.
Começou em 1915 por iniciativa de quatro madeirenses: Manuel Santana Duarte, Manuel Agrela Coutinho, Manuel Agrela e Manuel Gomes Sebastião, que decidiram criar uma festa idêntica à realizada na sua terra natal, o Estreito da Calheta. No primeiro ano, a festa foi no adro da igreja da Imaculada Conceição, que nesse tempo era na Acushnet Avenue e, segundo se conta, o grande sucesso foi um sino instalado no recinto e o pessoal pagava um tanto para dar umas badaladas.
No segundo ano, 1916, a festa já teve lugar no adro da atual igreja da Imaculada Conceição, 126 Earle Street, durou dois dias e foi animada por duas filarmónicas. Em 1917 a festa passou a realizar-se sexta, sábado e domingo e atualmente são quatro dias.
Nos primeiros tempos realizava-se também em New Bedford uma procissão do Santíssimo Sacramento nos moldes das que se fazem na Madeira, mas foi suspensa em 1932. Contudo, ainda hoje a festa começa sempre com a bênção dos festeiros na igreja da Imaculada Conceição, cuja porta é adornada com um enorme arco de verdura como nos arraiais na Madeira e as ruas circundantes também são decoradas com arcos de verdura e bandeiras brancas com a Cruz de Cristo.
Pendurar os greens é uma das tradições da festa. No domingo anterior à festa, os festeiros vão até Horseneck Beach, em Westport, cortar verduras que são utilizadas para decorar 70 arcos de metal que vão engalanar o recinto da festa e ruas circundantes.
No domingo da festa, os festeiros vão à missa na igreja da Imaculada Conceição, partilham depois um almoço de confraternização e dirigem-se para o Brooklawn Park, ponto de partida do desfile, que este ano começará às 2h00 da tarde e na qual se integram mais de 40 organizações e políticos regionais e estaduais.
Em geral, a parada leva 90 minutos a percorrer do Brooklawn Park, ao longo da Acushnet Avenue, desce na Earle Street, passa pela Igreja da Imaculada Conceição e termina no Madeira Field.
Ser marshal da parada é uma distinção para qualquer madeirense e a escolha recaiu este ano em Arthur Agrela, premiando a sua dedicação à festa, da qual foi um dos antigos presidentes.
Os políticos americanos gostam de desfilar na parada por ser presenciada por milhares de pessoas e o falecido senador Ted Kennedy deve ter sido o político que mais vezes veio à festa. Costumava botar discurso no Madeira Field no final da parada e depois regressava a casa, em Hyannis, com um presente especial: malassadas fritas propositadamente para ele por Alexandra, a mulher do seu amigo Sylvester Silvia, que foi festeiro largos anos.
Todos os anos há novidades e em 2025 trinta mulheres foram pela primeira vez festeiras, membros da comissão organizadora da festa. Durante muitos anos só podiam ser festeiros madeirenses de nascimento, mas em 1945 passaram a ser também aceites descendentes de madeirenses.
Quanto às mulheres, sempre se voluntariaram, preparando a comida ou atendendo o público nas bancas, mas não podiam integrar a comissão da festa.
O presidente da comissão da 110ª festa é Timothy Rodrigues.
Para além da dedicação dos festeiros, uma das razões da continuidade da festa foi a fundação do Clube Madeirense do Santíssimo Sacramento em 1951 e cujos estatutos foram redigidos pelo famoso Gibinha, aliás meretíssimo juiz John Baptista Nunes, presidente honorário vitalício da coletividade.
Nascido em 1905 no Caniço, Madeira, Gibinha era baixinho e marreco, o que lhe valeu a alcunha, mas isso não o impediu de formar-se em Direito em 1929 e fazer carreira na magistratura. Era juiz quando morreu em 1960, em Tucson, Arizona.
A ideia do Gibinha foi criar um clube gerido como uma empresa e a primeira medida foi a aquisição de uma velha serralharia na Hathaway Street para construção da sede do clube.
Em 1955 foram adquiridos os terrenos para o Madeira Field, que em 1957 foi dedicado à memória dos fundadores da festa com a construção de um pequeno monumento com a foto e o nome dos quatro Manéis à entrada do recinto.
Em 1979, Maria V. Quintal, uma novaiorquina que cresceu na Madeira, criou o Grupo Folclórico Madeirense do Santíssimo Sacramento, o maior grupo folclórico madeirense fora da Madeira e que tem levado o bailinho e o nome da Madeira a vários pontos dos Estados Unidos e Canadá.
Em 1999 foi inaugurado o Museum of Madeira Heritage, ideia do falecido Joseph Sousa e único na diáspora madeirense. É um prédio de estuque branco e telha vermelha na parte inferior do Madeira Field e cujo espólio inclui artesanato madeirense, nomeadamente bordados, e fotografias históricas da comunidade.
A festa começa sempre com o hastear das bandeiras americana, portuguesa e madeirense ao som de marcha militar executada pela Banda Senhor da Pedra, uma associação vizinha, um pequeno canhão dispara uma salva de homenagem aos fundadores e o Madeira Field transforma-se em local da peregrinação para cerca de 200.000 pessoas.
Ninguém morre à fome e à sede na Festa do Santíssimo Sacramento. E a primeira paragem costuma ser na réplica da típica e triangular casa de Santana, para um copo de vinho da Madeira gelado.
Deve ser o único lugar do mundo onde o vinho da Madeira é hoje vendido em barril, segundo se diz devido a acordo entre Alberto João Jardim e Joseph Fernandes, empresário que foi um dos donos do Portuguese Times.
Fernandes alegava que vinho Madeira em garrafa compra-se em qualquer loja de bebidas de New Bedford, mas ao copo só no Madeira Field e por isso são importados anualmente da Madeira 30 barris de 60 galões.
A grande atração gastronómica da festa é a carne de espeto, que pode ser grelhada pelas pessoas na churrasqueira com enormes espetos de ferro e depois comida em convívio nas mesas de piquenique.
Mas também há quem prefira ir para o Museu da Herança Madeirense e sentar-se numa das mesas montadas no pátio saboreando o tradicional bolo de mel ou uma malassada (vende-se a média de 2.000 malassadas por dia) e desfrutar os acordes de um fado cantado por artistas locais.
Este ano e como convidado de honra, a representar o governo da Região Autónoma da Madeira, teremos a dra. Rubina Leal, presidente da Assembleia Legislativa Regional da Madeira.
Um aspecto da festa do Santíssimo Sacramento de anos anteriores. PT/A.Pessoa
Um aspecto da festa do Santíssimo Sacramento de anos anteriores. PT/A.Pessoa
Um aspecto da festa do Santíssimo Sacramento de anos anteriores. pTimages
Um aspecto da festa do Santíssimo Sacramento de anos anteriores. pTimages
Um aspecto da festa do Santíssimo Sacramento de anos anteriores. pTimages
Um aspecto da festa do Santíssimo Sacramento de anos anteriores. pTimages






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