Porquê… porquê meus amigos,
Há gente que ninguém toca
Fazendo uns, comer os figos,
Outros rebentando a boca!..
Porquê que atualmente
Há povos sofrendo bem,
Não manifestando o que sente,
Somente dizendo Amem!…
Porquê, porquê, se pergunta
Que certa malta importante,
Sem qualquer noção se junta
Ao mandado do mandante!…
E muitos porquês só são
Uns sacristas que não têm
Força alguma na missão
Somente dizem Amem!…
Por vezes não faz sentido
Num votar tão ultrajante,
Não p’ rá nação ou partido,
Somente dado ao mandante!…
E, o voto que lhes é dado,
P’ra quem manda é sempre assim:
É ele sempre o votado,.
És por mim ou contra mim!
Quem é contra, meu amigo,
Não sabe o que lhe acontece,
sabemos, há sempre um perigo,
A vingança nunca esquece!…
Tudo agora é resolvido
Dum modo bem nauseabundo,
Casos sem algum sentido,
Mas que abrange todo o mundo!…
Mas o mundo não atina,
Sofre, sofre, não se queixa,
Num sofrimento em surdina,
Temoroso e não se queixa!…
Porque as queixas se condena,
Toda a maldade errada,
Mostrando que sentem pena
Não podem fazer mais nada!…
Qualquer gesto é bem ruim,
Contra qualquer importante,
Gritando: és contra mim!
Terrorista, traficante!…
Estes nomes são expostos
Pelos orgãos sociais,
Que só noticía os gostos
Destes senhores principais!…
Ninguém segura o chinfrim,
Os motivos, não se vê.
Eles acontecem, sim!
Mas, ninguém sabe o porquê!…
Tudo vai acontecendo,
Com milhões de prejuízos,
Desgraças que não entendo,
Ninguém percebe o motivo!…
O motivo é a cegueira
Para fundos d’algibeira!…



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