Quando pensamos que o Governo Regional anda adormecido, eis que nos surpreende com mais uma narrativa delirante, desta vez sobre os proveitos do turismo.
Em todo o mundo, incluindo Portugal continental e Madeira, a tendência do sector é medida pelo número de dormidas e de hóspedes, mas o Governo dos Açores, secundado pelo PSD, inventou uma outra métrica para fazer uma interpretação manhosa do “sucesso” de um turismo em queda há oito meses consecutivos.
O resultado dos proveitos do turismo, incensado por ambos, refere-se apenas à hotelaria tradicional, já que não existem registos das receitas das outras tipologias, nomeadamente o Alojamento Local e o Turismo Rural, que representam quase metade deste importante pilar económico açoriano.
O aumento dos proveitos nos hotéis não significa “melhor turismo”, nem representa mais sustentabilidade e competitividade do sector, tal como mais receitas e mais passageiros na SATA não representam lucro, bem pelo contrário, é sempre a somar prejuízos.
A mesma narrativa está a ser levada para o sector das pescas. A generalidade dos pescadores dos Açores está tesa que nem um carapau, com quedas nas capturas, mas como a frota atuneira conseguiu uma boa faina, com aumento das receitas, celebra-se o “sucesso” de todo o sector.
Com um bocadinho de esforço, ainda vamos ter mais comunicados a celebrar com euforia o “triunfalismo” da Saúde nos Açores.
As listas de espera aumentam todos os meses? Esperamos, em média, mais de um ano e meio por uma cirurgia? Não se consegue uma consulta na especialidade? O que é que isto interessa, se os hospitais cobraram mais taxas moderadoras e as receitas aumentaram? Celebre-se o “sucesso”!
Com a inflação em cadeia, é claro que as receitas aumentam, mas a chatice é que os custos cresceram ainda mais depressa, sobretudo os de toda a logística agregada ao turismo.
Pena é que não haja a desagregação dos proveitos entre nacionais e estrangeiros, para percebermos o quanto perdemos, em toda a linha, no mercado nacional, que era quem nos aguentava a época baixa.
A incompetência na gestão deste sector é um dos maiores falhanços deste governo, o único nestes 50 anos de Autonomia que conseguiu a proeza de nos fazer voltar aos anos 90 com o indesejado monopólio da TAP e SATA.
Acresce que a leitura tacanha e distorcida da estatística é um ultraje aos inúmeros empresários e trabalhadores do Alojamento Local, do Turismo Rural, do rent-a-car, da restauração e de toda a cadeia abastecedora do sector, ignorados nos comunicados eufóricos da governança.
Mesmo no divã, há coisas neste governo que a psicanálise não explica.
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PLATAFORMAS DA DESGRAÇA – O Governo de Montenegro continua em queda abrupta nas sondagens. Pudera, pois a maioria dos seus ministérios só faz asneira da grossa.
Todos nós, cidadãos das Regiões Autónomas, podemos confirmar as sucessivas incompetências em matérias que mexem com as nossas vidas.
Já tínhamos o malfadado processo do subsídio de mobilidade, que continua sob a teimosia de um ministro que nem sabe pôr uma plataforma digital a trabalhar diligentemente, agora também temos outro ministério, o da Educação, que não atina com a digitalização dos exames, deixando alunos e professores pendurados há várias semanas.
Consta que a Secretaria Regional da Educação lava as mãos de tudo isto e também anda à nora com as burocracias de uma máquina administrativa que não pára de testar a paciência dos cidadãos.
É caso para dizer que este governo é de uma eficácia tecnológica brutal, ao ponto de conseguir a proeza inédita de criar a primeira inteligência artificial 100% analógica do mundo, onde até o botão “Submeter” precisa de ir a despacho ministerial.
(Esta coluna vai de férias)



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