Mundial2026: Portugal e Espanha visam melhor versão em final antecipada – Toñito

by | Jul 4, 2026 | Desporto, Outras Notícias

Santa Cruz de Tenerife, Espanha, 04 jul 2026 (Lusa) – Portugal e a campeã europeia Espanha enfrentam-se na segunda-feira à procura da melhor versão para uma “final antecipada” nos oitavos de final do Mundial2026 de futebol, antecipa Toñito, recordista espanhol de jogos na I Liga portuguesa.

“Antes da fase final, cada equipa apresentou um grandíssimo nível e bons momentos individuais e coletivos. Acho que não estão a demonstrar o seu máximo e, mesmo assim, passaram os grupos e a primeira eliminatória. Ainda está por ver o verdadeiro valor das duas”, disse à agência Lusa o ex-médio, de 49 anos, que foi campeão português pelo Sporting em 1999/00, devolvendo os ‘leões’ aos títulos 18 anos depois, e fez 206 jogos na I Liga.

Portugal defronta a Espanha, campeã do mundo em 2010 e frente à qual conquistou a Liga das Nações em 2025, na segunda-feira, às 14:00 locais (20:00 em Lisboa), no Estádio AT&T, em Arlington, nos Estados Unidos, para os oitavos de final do Mundial2026, na segunda ronda a eliminar de uma prova que está a ser disputada pela primeira vez por 48 seleções.

O vencedor vai encontrar nos ‘quartos’ os Estados Unidos ou a Bélgica, adversários no mesmo dia em Seattle, sendo que, nos 16 avos, Portugal ganhou à Croácia (2-1), finalista derrotada em 2018 e terceira classificada em 1998 e 2022, e a Espanha, recordista de títulos europeus (quatro), bateu a Áustria (3-0), voltando a superar uma eliminatória 16 anos depois.

“Na última partida, a Espanha conseguiu atingir o nível que todos esperavam e praticar aquele futebol que atemoriza as outras seleções. Sobre Portugal, o verdadeiro estilo de jogo que tem mostrado nos últimos anos passa pelos primeiros 45 minutos que fez contra a Croácia. Faltou eficácia. Se ambos extraírem a sua melhor versão, vamos ter uma final antecipada”, projetou.

Antonio González, mais conhecido por Toñito no futebol, está expectante pelo único encontro inteiramente europeu nos ‘quartos’, entre “duas das maiores seleções do mundo”, apesar de ver cansaço em alguns jogadores.

“Estamos à espera da melhor versão de Vitinha, que é a alma de Portugal e pauta a velocidade a que se joga. Não está a conseguir o nível que, por norma, tem no Paris Saint-Germain e isso nota-se na fluidez coletiva. Se o guarda-redes [Diogo Costa] não foi o melhor na última partida, esteve entre os dois melhores e isso já diz muito do que está a faltar. Mesmo assim, passaram a Croácia, que fez o que melhor podia na segunda parte”, disse.

Com passagens por Vitória de Setúbal, Sporting, Santa Clara, Boavista e União de Leiria, entre outros clubes estrangeiros, o antigo médio ressalva que, apesar do menor fulgor coletivo, Portugal “só precisa de um momento pontual para que, entre tantas virtudes e estilos, alguém consiga resolver”.

O suplente Gonçalo Ramos saiu do banco e completou a reviravolta em tempo de compensação frente à Croácia, já depois da saída do avançado e capitão Cristiano Ronaldo, autor do golo do empate, de penálti, rumo ao 11.º em Mundiais, nos quais ainda não tinha anotado em fases a eliminar.

“A sua presença capta a atenção dos adversários, que têm de se ajustar e fazer a vigilância defensiva, e dá liberdade aos outros atletas e variantes ao treinador. Não tenho dúvidas de que comigo jogavam sempre ele e mais 10. Com Ronaldo em campo, Portugal tem muito mais possibilidades de ganhar e só precisa de uma ou duas oportunidades por partida”, analisou.

Recordista de jogos (232) e golos (146) por Portugal, Ronaldo, de 41 anos, cumpre a 24.ª temporada e persegue os 1.000 tentos na carreira sénior, durante a qual fez nove épocas em Espanha e se tornou melhor marcador da história do Real Madrid, com 450 remates certeiros, em 438 encontros.

“Os espanhóis acham que vai ser um embate disputado e têm medo, com certeza. Basta ver jogador por jogador e Portugal dá medo a qualquer um. Estou tranquilo, porque quem perder vai ser eliminado por uma das máximas candidatas. Em Espanha há uma expectativa elevada e estão convencidos de que vão muito longe, mas não posso ser neutro, porque quero que Portugal ganhe”, partilhou Toñito, que, em dois duelos pelo Sporting em 2002/03, foi substituído por Ronaldo na estreia sénior do ponta de lança e, mais tarde, fez o passe para o primeiro golo do madeirense.

O ex-médio elogia ainda o trabalho do compatriota Roberto Martínez, que rendeu Fernando Santos em 2023, conduziu Portugal à conquista da Liga das Nações pela segunda vez e termina contrato no fim do Mundial2026.

“Ele adota um estilo para conseguir resultados. Não teve sorte na Bélgica, porque apanhou uma grande geração e ficou um mau sabor. Foi uma pena, porque, à parte de ser espanhol, é um treinador que promoveu uma forma de jogar atrativa com grandes atletas. Está a tentar fazer o mesmo com Portugal e já venceu títulos, o que não conseguiu com a Bélgica”, concluiu.

 

 

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